Páginas

quinta-feira, 30 de junho de 2011

Itaquerão: dinheiro público e contradições


Terminou ontem (29/6) mais um capítulo da trama envolvendo o Itaquerão (é preciso um novo nome, urgente!) e a abertura da Copa do Mundo de 2014. Por ampla maioria (36 votos a 12), a Câmara Municipal de São Paulo aprovou, em primeira instância, o projeto que prevê incentivos fiscais de até R$ 420 milhões para que o futuro estádio do Corinthians receba o primeiro jogo do Mundial que será realizado aqui. Uma nova votação, esta definitiva, deve acontecer amanhã e, ao que tudo indica, não haverá problemas para a aprovação.

Antes de entrarmos na polêmica questão sobre uso de dinheiro público para obras privadas, analisemos algumas informações relevantes:

De acordo com o projeto, o Corinthians receberá Certificados de Incentivo de Desenvolvimento (CIDs) no valor de R$ 50 mil cada, válidos por dez anos. Por meio dos CIDs, o Corinthians poderá abater 60% do Imposto Sobre Serviços (ISS) e 50% do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU). O clube também pode transformar essa isenção em títulos e vender no mercado.

Os CIDs existem na legislação de São Paulo desde 2005, quando foram criados para o desenvolvimento da região da Luz. Na zona leste, onde está sendo construído o novo estádio, os CIDs existem desde 2007.

O secretário municipal de Desenvolvimento Econômico e Trabalho, Marcos Cintra, afirmou que a concessão de incentivos fiscais para a construção do estádio do Corinthians vai promover um incremento de R$ 30 bilhões ao longo dos próximos 15 anos na economia da cidade.

Segundo o presidente corinthiano, Andrés Sanchez, o incentivo é a garantia que a Fifa exige para oficializar a cidade de São Paulo como palco da abertura da Copa. A decisão da entidade vai ser tomada no final de julho e, como todos sabem, a única opção paulistana é o Itaquerão.

Pois bem, agora vamos aos calos:

Em primeiro lugar, preciso dizer que jamais confiarei na legalidade de um evento organizado pela Fifa. Motivos para isso não faltam, basta lembrar os escândalos que vieram à tona este ano envolvendo pagamentos de propina dentro da entidade. Para piorar, no meio da organização está a CBF de Ricardo Teixeira, que dispensa comentários. O Governo Federal, aliás, que se cuide. Não vou me surpreender com escândalos de superfaturamento nas obras.

Quanto ao incentivo fiscal que provavelmente será dado para a construção do Itaquerão, a questão é polêmica. Que tipo de desenvolvimento será gerado pela construção do estádio? Isto não está claro. Mais empregos, novos empreendimentos, valorização da região... é preciso um estádio para isso? E quanto escolas, hospitais e transporte?

O buraco, obviamente, é mais embaixo. Está no fato de que é extremamente contraditório realizar uma Copa do Mundo em um país em desenvolvimento. Foi assim na África do Sul. O país se vê em um momento de crescimento e figura no cenário global como nunca antes na história, e por isso toma para si o direito de receber um Mundial. Afinal, ficaremos em evidência, os investimentos vão se multiplicar... é o desenvolvimento!

Mas, infelizmente, a Fifa não tem nenhum comprometimento social com a realização da Copa. O lucro fica na mão da entidade e de seus patrocinadores. Seria burrice pensar que as famílias mais necessitadas terão benefícios com o evento. Assim como achar que o Mundial é para os brasileiros verem. Esta é a contradição. Realizar um evento bilionário em um país que ainda carece de outros serviços básicos. É claro que vão dizer: mas olha lá, os aeroportos vão ficar melhores. Precisa de Copa para isso?

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Peñarol e Santos nas lentes de Rafael Vitta

O Paixão Clubística abre agora um novo espaço e dá lugar para uma outra visão do esporte: sob o olhar dos fotógrafos.

Como são muitos os amigos que apreciam a arte da fotografia e a exercem como hobby ou profissão, o PC está aberto para que vocês exponham suas fotos. Sejam elas de arquibancada, na beira do gramado, quadra, piscina, um bate bola na praia, debaixo de chuva, iluminado pela luz de carro, sei lá, o que o horizonte e a critividade permitirem. Sintam-se em casa.



E para estrear, o amigo Rafael Vitta manda - com exclusividade para o Paixão - fotos da primeira final entre Peñarol e Santos, no Uruguai.

As primeiras já foram

Finalmente, após um bom tempo de preparação, o Brasil fez a sua estréia na Copa do Mundo de Futebol Feminino. Começamos bem, vencendo a forte seleção da Austrália por 1 a 0. Passamos sufoco, principalmente nos minutos finais. Normal. O nosso gol foi marcado pela lateral Rosana, que de pé esquerdo acertou um chute indefensável.

Marta, o centro das atenções deste Mundial, jogou bem. Com assistências inteligentes e chances de gols criadas, a camisa 10 da seleção teve uma atuação que pode ser considerada positiva. E é aí que está o grande problema.

Assim como no masculino, no futebol feminino sempre esperamos atuações memoráveis das grandes craques. Quando se fala em Marta então...

Entendam que isso não é uma crítica a Marta. E, sim, a cobrança de um torcedor que já a viu fazer coisas com as bolas nos pés que poucos homens têm a capacidade de ao menos tentar.

Nosso próximo adversário é a Noruega, que também venceu em sua estréia. A esperança é que, às 13h15 deste domingo, Marta volte a ser Marta.

terça-feira, 28 de junho de 2011

Neymar e a dura tarefa de superar Messi



Embora já goze de todo o prestígio da torcida, mídia e apreciadores do futebol, poucos questionam que Neymar ainda está um patamar abaixo de Messi. Talvez pela história do santista ter começado a ser escrita há menos tempo e, certamente, por tudo que o argentino tem feito com a camisa azul-grená do Barcelona.

A idéia inicial era intitular o texto como "Messi x Neymar" e desenvolvê-lo em cima do duelo. No entanto, é evidente que Lionel Messi é o melhor do mundo e o papo é quase favas contadas. Quase. O craque brasileiro terá ainda este ano duas oportunidades de superar as equipes lideradas por Messi: a Argentina, na Copa América, e o Barcelona, no Mundial de Clubes.

Duas partidas capazes de fazer o trabalhador bater o ponto mais cedo e correr para casa. Dentro das quatro linhas, o que há de melhor no futebol-arte, toda a magia de dois candidatos ao hall dos maiores de todos os tempos. Dois dribladores, cada um com seu estilo, um que gruda a bola no pé, o outro que troca de direção em extrema velocidade. Craques com imenso poder de decisão.

A verdade - e que o Cristiano Ronaldo não nos escute - é que Neymar e Messi têm tudo para virar o confronto de uma década. Os mais otimistas (e faço parte deste clube) têm a esperança de testemunhar jogos para entrar para a história. Partidas de Copa do Mundo, Champions League e de tantas outras disputas que eles vão se envolver.

Para isso, é importante que Neymar não se transfira para o Barcelona, por mais sedutora que pareça a ideia e a proposta. Se juntar ao principal adversário pode dificultar que Neymar supere o atual craque do planeta.

O Real Madri pinta como favorito na contratação e seria um bom time para que os jogos se tornassem mais freqüentes. No time merengue, porém, outros astros brasileiros foram boicotados, como Robinho e Kaká (mais recentemente) e Didi (na década de 50). Por isso, vejo o Manchester United como o lugar ideal. Nas mãos de Alex Ferguson, com Rooney como dupla de ataque, formando o ataque 'RooNeymar'.

E você, se fosse o Neymar, iria para qual time, independente de quando isso aconteça?

Tábua da Salvação: M. Leite põe Verdão entre os favoritos

A chegada de Maikon Leite ao Palmeiras coloca o time de Palestra Itália entre os favoritos à conquista do Brasileirão e da Copa Sul-Americana. Todo mundo já sabe que os dois torneios do segundo semestre são nivelados por baixo. Teremos um mês ainda pior agora, já que as equipes estão desfalcadas de seus principais jogadores (a maioria à serviço das seleções principais ou de base). Por isso, o Verdão, que faz campanha satisfatória até o momento, pode arrancar para a sua nona conquista do Nacional. No entanto, para isso vai precisar pontuar demais durante o período da Copa América.

A principal arma do Alviverde precisa (e tem que) ser Maikon Leite. O atacante era banco de Neymar no Santos. Nada mais natural. Afinal, estamos falando do terceiro melhor jogador do planeta (Neymar está atrás apenas de Lionel Messi e Cristiano Ronaldo). Tanto é que num passado recente o ex-santista decidiu jogos importantes a favor do time da Vila. Na campanha da Libertadores, precisando ganhar ou ganhar, o Peixe venceu o Cerro Porteño ainda na fase de grupos com bela atuação de Maikon Leite:


Tábua da Salvação tem base em M.Leite e Kleber
Com uma formação com Lincoln (ou Valdivia quando voltar da Copa América) centralizado, Luan pela esquerda, Maikon Leite pela direita e Kleber no comando de ataque, Luiz Felipe Scolari terá um sistema ofensivo de mão cheia para vencer tranquilamente jogos em casa e beliscar uma ou outra vitória atuando como visitante (veja a Tábua da Salvação do Verdão ao lado). Quem perde a vaga no time atual? Wellington Paulista. O camisa 9 vai ter que voltar a ficar como opção no banco de reservas.

Já conhecemos o vigor físico e a capacidade de marcação de Luan. Maikon Leite não precisa ter a mesma performance na defesa, mas vai precisar fazer sombra e, no mínimo, perturbar o lateral-esquerdo adversário. Cicinho dá conta do recado, mas não é tão eficiente na marcação. Por isso a ajuda do atacante vai ser fundamental. No ataque, Kleber é hoje o melhor da posição atuando no País. Basta Maikon Leite encostar nele que as jogadas sairão naturalmente. E, mesmo jogando em casa, a grande arma do Palmeiras será o contra-ataque.

Para cravar o Palestra como o campeão deste ano, o time precisa ainda de um zagueiro para o lugar do medonho Leandro Amaro.

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Bem longe de ser um fato atípico


Uma segunda-feira com cara de sábado de carnaval. Assim tem sido este 27 de julho para a Fiel Torcida. Vencer o maior rival (há quem diga ainda que este espaço pertença ao Palmeiras) do jeito que o Timão venceu foi uma sensação do mais puro êxtase. Uma vitória conquistada por alguns personagens, a começar por Andrés Sanchez.

Desde que mandatário alvinegro definiu que seu clube não jogaria mais no Morumbi o Timão fez do Pacaembu um local místico nos jogos contra o São Paulo. Atletas como Paulinho e Fábio Santos se tornam grandes craques. É inexplicável. Parece que o caminho para o gol se encurta. Vou mais além sobre as atitudes de Sanchez. Não me surpreenderia se todos soubéssemos que o elenco ganha um “bicho” extra por cada vitória sobre o tricolor.

Outros grandes personagens da goleada corintiana foram Danilo, Liédson e Tite (acreditem se quiser). O treinador do Timão parece ter, enfim, achado um posicionamento interessante para o primeiro citado. Já o camisa nove dispensa qualquer tipo de comentário, pois dentro da área é incrivelmente versátil.

Rogério Ceni se exaltou e, ao meu modo de ver, não merece ser criticado por isso. Assim como do lado corintiano, nenhum são-paulino quer ver sua equipe perder para o seu maior rival. Na hora da expulsão de Carlinhos Paraíba o Tricolor já era inferior e o capitão se sentiu no dever de mostra sua indignação. Quem não se altera quando está indignado que atire a primeira pedra.

"Foi um jogo atípico", é isso o que a maioria está dizendo. Balela (!), afinal, ver o Timão vencer o Tricolor tem sido algo muito comum, bem longe de ser um fato atípico.

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Dentro e fora dos gramados de Wimbledon

Por Matheus Caselato

Nesta segunda-feira, foi dada a largada para a 125ª edição do mais nobre dos torneios de tênis profissionais. Durante as próximas duas semanas, jogadores, técnicos, jornalistas e torcedores frequentarão o quase sagrado solo do All England Club, local onde é realizado o torneio de Wimbledon, terceiro Grand Slam da temporada.




Por mais que a competição britânica pareça uma anomalia do esporte, são eles quem mais preservam as tradições do tênis. Os homens não utilizam mais calças e casacos durantes as partidas e as mulher, há algum tempo, deixaram os longos vestidos de lado. As raquetes não são de madeira e o uso do chapéu não é mais obrigatório. Enfim, muita coisa mudou, mas o principal esta lá: a grama.




Sim, caros amigos apaixonados pela nobre arte do futebol, o tênis começou a ser jogado na grama. Algumas curiosidades de Wimbledon são bem conhecidas, como a obrigatoriedade do uso de roupas brancas, as toneladas de morangos que são consumidos todos os anos, as filas para se conseguir um ingresso e a rígida seleção dos meninos e meninas que pegarão as bolinhas durante a competição.




Mas, antes do Paixão Clubística se aprofundar mais nesse peculiar torneio, gostaria de contar a visão de um estrangeiro nos bastidores desse mundo. Durante o ano de 2009, por sorte consegui um emprego para trabalhar no torneio de Queen's, que acontece uma semana antes e serve como preparação para Wimbledon, e visitei a competição no mesmo ano.




As duas semanas de jogos acontecem durante os minguados dias de verão londrinos. E, acreditem quando eu digo, depois de tanto tempo vendo chuva e frio, algumas horas com 16 graus fazem sim muita diferença no seu humor.




Apesar de parecer elitizado, Wimbledon e o All England Club são vistos pelos britânicos durante essa época do ano como mais um parque, um ponto de encontro para os amigos. É comum ver pessoas passando o dia dentro do complexo (muito charmoso por sinal ). Mas há espaço para a paixão. As únicas quadras que exigem ingresso são a central, 1, 2 e 3, as outras todas (mais de vinte) tem livre acesso. Na minha visita tive a sorte de ver o Djokovic jogando na quadra 4 e o Nicholas Santos, brasileiro que venceu o torneio juvenil australiano.




O destaque sempre será a quadra central. Devido a enorme procura os organizadores instalaram um enorme telão na parte de fora da quadra, possibilitando que milhares de pessoas assistam as partidas. A parte aonde as pessoas ficam era conhecida por Tim Hill (uma alusão à Tim Henman), mas agora os ingleses a chamam de Murray Mountain, na esperança que o tabu de 46 anos sem ver um britânico campeão de Wimbledon enfim caia.




Em Queen's, tive a oportunidade de trabalhar no lounge dos jogadores, aquela área reservada para os atletas, seus técnicos e convidados. Por ser um lugar privado não consegui tirar muitas fotos. Ali é possível ver as personalidades de cada um. Lleyton Hewitt, por exemplo, é um excelente pai e seus filhos, todos loirinhos, bem conportados. Murray adora jogar pimbolin (e é muito bom). O gigante Ivo Karlovic come demais (quase torci o punho carregando o prato de macarrão dele). O americano Andy Roddick e sua mulher são muito simpáticos. Mas o que mais me chamou a atenção foi saber que a equipe da ATP é quase a mesma em todos os campeonatos, e os brasileiros são maioria. O que é de se estranhar já que os torneios nacionais são pequenos e os profissionais tão menosprezados.

quarta-feira, 22 de junho de 2011

O jogo de uma geração

Exposição no Shopping Eldorado, em S. Paulo
Por Michel Sousa, o Apaixonado Convidado da semana

O troféu que aparece aí junto com esse texto é o mais cobiçado pelos times da América do Sul. Ele será erguido por Santos ou Peñarol nessa quarta-feira no Pacaembu. Para o Peixe, ele significa o sucesso ou não de uma geração de craques, simbolizada por Neymar e Ganso.

Dois jovens que se tornaram promessas, conquistaram dois Campeonatos Paulistas e uma Copa do Brasil, alcançaram a seleção e são apontados por muitos como os possíveis salvadores da pátria na Copa do Mundo de 2014.

Mas ainda falta alguma coisa para Neymar e Ganso! Falta um título internacional! Uma conquista que dê respeito e reconhecimento em nível continental! Falta uma Libertadores que nem a geração Diego/Robinho conseguiu (derrota para o Boca Juniors em 2003). Falta a disputa de um título mundial, encarando o Barcelona de Messi, melhor time/jogador da atualidade!

A quarta-feira é o dia do tudo ou nada para a geração Neymar/Ganso! É hora dos “meninos da Vila” virarem gente grande, entrarem na vida adulta e provarem que podem, sim, ter o voto de confiança para a Copa.

Com eles, além de quase 40 mil torcedores, estará o espírito daquele Santos de quase 50 anos atrás, de Pelé, Coutinho, Pepe, Zito, Mengalvio e outros. Se tudo isso vai pesar ou não nos ombros dos jovens craques? Ao final dessa quarta-feira, saberemos...

Enquete: Cuca é o 1º treinador demitido no Brasileirão

Campanha medonha derruba Cuca do Cruzeiro
Os membros do Paixão Clubística se reuniram e pensaram em um tema para a enquete do início do Brasileirão. A dança das cadeiras dos técnicos foi o tópico escolhido. Após apenas quatro rodadas, como imaginamos, já tivemos a primeira vítima: Cuca, ex-treinador do Cruzeiro. E sabe o que é pior? Apesar da eliminação da Raposa para o fraco Once Caldas na Libertadores, não sugerimos o nome dele nas respostas.

Para a maioria dos leitores do Paixão, com mais de 50% dos votos, Paulo Cesar Carpegiani seria o primeiro a cair. Mas, com uma campanha irretocável, o gaúcho conseguiu se firmar no São Paulo. E sobrou mesmo pro Cuca. O treinador, com um elenco acima da média, não conseguiu mais do que três pontos em cinco jogos (são três empates).

Força, Papai Joel Santana! Que o barco celeste navegue por mares menos agitados e que a sua prancheta saiba o melhor caminho rumo às vitórias.

terça-feira, 21 de junho de 2011

AS CAPAS DO PC

1 – até novembro 2011:



foto de Rafael Luvizetto


2 – início em dezembro 2011:


foto de Guilherme Battistuzzo


3 – início em outubro 2012:


foto de Daniel Scandurra

O duelo que incendeia a América do Sul

Há quem diga que a maior rivalidade mundial de seleções é entre Brasil e Argentina. Todo o debate - por mais lunático que pareça - envolvendo Pelé e Maradona, e a grande quantidade de craques que brotam por metro quadrado nos dois países botam lenhas e mais lenhas para queimar nesta fogueira.


Desde garoto, gosto da frase que diz que o argentino odeia amar o brasileiro, enquanto o brasileiro, ama odiar o argentino. Faz tanto tempo que escutei que nem lembro quem falou. Mas é a pura verdade.


O clássico Brasil e Argentina faz parte do folclore do futebol. Mas rivalidade, história e admiração é uma coisa. Só que eu estou aqui para falar de outro papo. Vou falar do futebol que sangra, que joga grama pro alto, que tem cotovelada no peito, empurrão e xingamento. Este texto é sobre a guerra envolvendo Brasil e Uruguai.


O pega pra capar vem de longa data. Quando a Celeste Olímpica - apelido histórico da Seleção Uruguaia - entrou no Maracanã para estragar a nossa festa, muita água já tinha passado debaixo da ponte. Os confrontos sempre foram marcados pelo excesso de jogadas ríspidas, muita catimba e, diversas vezes, chegou às vias de fato. Um jogo histórico é este no Maracanã, em 1976, (veja o vídeo), quando Roberto Rivellino protagonizou cenas de pancadaria. Isso que era só um amistoso.



Tantos foram os capítulos desta rivalidade escritos por clubes dos dois países. Nesta quarta-feira teremos mais um. O Santos entra em campo louco para fazer com que o jogo não descambe para a violência, o que beneficiaria somente os uruguaios. Com um time técnico, o Peixe só tem a perder se o jogo ficar quente e físico. Neymar certamente será muito marcado e pode até ser alvo de um rodízio de faltas. Cabe ao garoto mostrar que tem sangue frio e partir para dentro dos zagueiros.


Para que sirva de inspiração para o Santos e para Neymar, coloco abaixo uma das maiores vitórias do nosso futebol em cima deles: Brasil x Uruguai, semifinal da Copa do Mundo de 1970, no México. No duelo, o Rei apresentou outro ingrediente do seu futebol, um pouco diferente das jogadas geniais. Reparem na cotovelada que ele acerta no zagueiro no segundo vídeo. O homem do apito ainda deu falta nele e cartão para o zagueiro. Essa é a malandragem do futebol brasileiro. Boa sorte ao Santos.






segunda-feira, 20 de junho de 2011

Dois mundiais e quatro ouros


O fim de semana foi de boas notícias para o esporte brasileiro. As duplas Juliana/Larissa e Alison/Emanuel conquistaram ontem (19/6) o campeonato mundial de vôlei de praia, disputado em Roma. Já os judocas tupiniquins, em Grand Slam realizado no Rio de Janeiro, alcançaram o melhor desempenho em um torneio válido pelo circuito mundial: quatro medalhas de ouro, três de prata e quatro de bronze.

Em Roma, Juliana e Larissa desbancaram na final as americanas Walsh e May por 2 sets a 1 (21/17, 13/21 e 16/14). Foi um jogo emocionante. No tie-break, a dupla dos Estados Unidos chegou a estar vencendo por quatro pontos e ainda desperdiçou um match point. O título encerra um jejum de dez anos sem vitórias brasileiras no Mundial feminino - o último havia sido em 2001, com Adriana Behar e Shelda.

Entre os homens, a final foi brasileira: Alison e Emanuel venceram Ricardo e Márcio por 2 sets a 0 (21/16 e 21/15). Foi o terceiro título mundial de Emanuel, que foi campeão olímpico em 2004, em Atenas, ao lado de Ricardo, adversário de ontem.

Já no judô, o destaque vai para as mulheres, que conseguiram suas primeiras medalhas de ouro em torneios de Grand Slam. A proeza ficou por parte da brasiliense Erika Miranda e da gaúcha Mayra Aguiar (foto). Também faturaram o ouro nos tatames Leandro Guilheiro e João Gabriel Schlittler, que fez uma final brasileira contra Daniel Hernandes na categoria para atletas com mais de 100 kg.

As conquistas do vôlei de praia não chegam a ser uma surpresa. Levamos jeito no esporte e sempre brigamos pelo ouro em jogos olímpicos. A marca atingida pelo judô, porém, vem para nos encher de otimismo. No quadro de medalhas do Grand Slam do Rio, ficamos atrás só do Japão, que ganhou dez medalhas, mas oito de ouro.

Respeito ao próximo

Nem o imbatível São Paulo, muito menos o primeiro zero no placar deste Brasileirão (Botafogo e Flamengo fizeram um jogo HORRÍVEL!). O destaque da quinta rodada do nacional foi, mais uma vez, o goleiro Marcos.

Desta vez não foi uma declaração polêmica na saída para o vestiário. Não, Marcos ganhou o título de destaque da rodada aos 26 minutos do segundo tempo da goleada por 5 a 0 do Palmeiras sobre o Avaí. Os jogadores, a torcida...todo mundo queria ver o grande Marcão bater o pênalti sofrido por Lincoln. Ele recusou o convite. Justificou que poderia prejudicar a carreira do novato goleiro adversário. Uma atitude digna de um atleta idolatrado até mesmo pelos rivais. Respeito ao próximo.

Cuca sai, Papai Joel Santana chega. Ao contrário de muita gente da crônica esportiva, acredito que foi uma boa decisão do Cruzeiro. Um elenco competitivo, porém desmotivado (sim, o tratamento para a cura da eliminação em uma Libertadores é demorado). Joel pode não ser um técnico estrategista, porém sabe como poucos mexer com o emocional de um grupo. Sobre Cuca, não acredito que fique mais de um mês desempregado. Arrisco-me a dizer que o Rio Grande do Sul deve ser o destino do emotivo treinador.

E aí, blogueiro, o São Paulo é o líder com cinco vitórias consecutivas e você não vai falar nada? Sim, eu vou falar do líder São Paulo. Por enquanto, uma campanha inquestionável. O grande teste, entretanto, acontece no próximo domingo, contra o Corinthians, no Pacaembu. Acredito que a série invicta do Tricolor pare por aqui.




sábado, 18 de junho de 2011

Olho nele

Fui pesquisar matérias em algumas revistas Placar antigas e olhem o que eu achei. Na edição de setembro de 2004, o monstro Thiago Silva, ainda apenas Thiago, jogava pelo Juventude. Vejam como a revista foi visionária. Elogiou demais o menino, que na época tinha apenas 19 anos.

Clique aqui para ver a imagem ampliada. Ou leia abaixo o texto completo da reportagem.

"O zagueiro Thiago foi anunciado pelo Juventude, no começo do ano, sem muita pompa. Bastaram alguns treinos para ele provar que valera a aposta do clube. Titular desde o começo do Brasileiro, o garoto de 19 anos, nascido no Rio de Janeiro, mostrou sua eficiência na marcação e, o que é mais surpreendente, no ataque - já marcou três gols neste Brasileirão. Mas a principal virtude de Thiago está na marcação. O zagueiro tem bom desempenho nas roubadas de bola, ótima recuperação e raramente faz faltas duras: foram apenas cinco cartões amarelos e nenhuma expulsão até a 25ª rodada.

Thiago chegou ao Rio Grande do Sul em 2001. Parou no RS Futebol por intermédio de um amigo do ex-jogador Paulo César Carpeggiani, proprietário do clube. Lá, jogou a Série C no ano passado e foi contratado pela equipe do Caxias. 'O Juventude está me dando uma grande oportunidade. Me sinto privilegiado aqui', diz.

Com contrato até o final do ano, Thiago sonha em jogar no exterior. O Porto tem interesse, e especula-se que tenha oferecido 3 milhões de reais para contratá-lo. 'Tenho na minha mente o objetivo de jogar na Europa. Se não tiver uma proposta neste final de ano, vou ver o que é melhor para mim e para minha carreira', diz."

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Agora é que são elas

A Copa do Mundo, finalmente, chegou. Já posso imaginar as ruas tomadas pela “pátria de chuteiras”, um povo sem diferença social e unido pelo mesmo propósito: o caneco. “Para frente Brasil, salve a seleção...”.

Sim, caros leitores, eu sei que nos resta tempo e nos falta estrutura para 2014. Não estou louco, tampouco alcoolizado. Refiro-me à Copa do Mundo de Futebol Feminino, que começa no próximo dia 26, na Alemanha. O lado triste: Poucos sabem disso.

Tenho diversos lapsos de memória, mas se tem um fato que não me esqueço é da final do futebol feminino nas Olimpíadas de 2008. Arrisco-me a dizer que, em um ato inédito, todos nós (decepcionados com os homens) torcemos, fanaticamente, para Marta e suas companheiras na grande decisão. Injustamente ficamos com a prata e os Estados Unidos com o ouro.

Mas o nosso presente é animador e a expectativa é fazer bonito na Alemanha. Estamos no Grupo D, junto com Noruega (adversário fortíssimo), Austrália (outro país que investe na modalidade) e Guiné Equatorial (Equipe desconhecida até mesmo pelo técnico Kleiton Lima).

Os mais entendidos (e até mesmo aqueles que não sabem tanto assim) apontam a anfitriã Alemanha como grande favorita. O fato de serem as atuais bicampeãs e jogarem em casa justifica a vantagem. Todavia, temos Marta, Cristiane... Sim, o caneco é possível. Vamos torcer!

quinta-feira, 16 de junho de 2011

16/6/1999: a maior conquista da história do Palmeiras

Nenhum corintiano sabe o que o torcedor do Santos tem sofrido. O palmeirense sabe. Há exatos doze anos, num inesquecível 16 de julho, o Verdão entrava em campo para levantar o caneco mais importante da sua história. A conquista da América era logo ali. Depois de perder o jogo de ida pelo placar mínimo para o desconhecido Deportivo Cali, da Colômbia, o Palmeiras precisava de uma vitória por dois gols de diferença para ser campeão da Libertadores.

A campanha até ali era irretocável. Num grupo com times tradicionais, como Cerro Porteño e Olímpia, ambos do Paraguai, e Corinthians, seu arquirrival, o Alviverde se saiu muito bem e passou à fase eliminatória em segundo lugar. Nas oitavas, o Palmeiras pegaria o incrível Vasco, à época o melhor time das Américas. Passou por cima. Nas quartas, Marcos pegou pênalti de Vampeta depois de dois confrontos eletrizantes no Morumbi. Corinthians eliminado. E a rivalidade Brasil-Argentina foi a campo nas semis da competição. Com atuação de gala de Alex, o Palmeiras chegava mais uma vez a uma final e tirava o sonho do tri do River Plate.

Uma semana antes da finalíssima, filas enormes fora e dentro do Palestra Itália para garantir um dos pouquíssimos 32 mil ingressos. No dia do jogo, cambistas apanhavam na porta do estádio e os torcedores de organizadas pegavam os ingressos para fazerem a festa dentro do caldeirão. Como diz Galvão Bueno, o jogo era um verdadeiro teste pra cardíacos. E já no segundo tempo o artilheiro Evair, com uma tranquilidade fora do normal, bateu pênalti e abriu o placar. O Palmeiras era melhor. Mas Júnior Baiano, vice-campeão do mundo com a Seleção em 98, cometeu penalidade infantil. Zapata chutou firme e empatou. Tensão no Palestra!

Nunca tinha visto uma torcida tão assustada. Foi quando, em bela trama pela esquerda, o lateral Júnior cruzou e Oséas tocou pro fundo do gol. O gol, como diz Eduardo Galeano, é o orgasmo do futebol. Esse especificamente foi melhor do que um orgasmo, se é que isso existe. E, num misto de alegria e estresse, o estádio se esqueceu que era de cimento, se soltou da terra e foi para o espaço. O que não faltavam eram torcedores chorando em pleno Palestra Itália. Incrível.

A decisão iria mesmo para os pênaltis.

O resto da história fica a cargo de Galvão Bueno:



Ficha técnica:

16/6/1999 - Quarta-feira
Local: Palestra Itália
Público: 32.000
Árbitro: Ubaldo Aquino (PAR)

PALMEIRAS: Marcos, Arce (Evair), Júnior Baiano, Roque Júnior e Júnior; César Sampaio, Rogério, Alex (Euller) e Zinho; Paulo Nunes e Oséas. Técnico: Luiz Felipe Scolari.

DEPORTIVO CALI: Dudamel, Pérez (Gavíria), Yépes, Mosquera e Bedoya; Viveros, Zapata, Candelo (Hurtado) e Betancourt; Bonilla e Córdoba (Valencia). Técnico: José Hernández.

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Tradicionais, Santos e Peñarol iniciam disputa por título


Cinzas vulcânicas a parte, começa nesta quarta-feira em Montevidéu no Uruguai a 52ª final da Copa Libertadores da América. Frente a frente, estarão Santos e Peñarol ou Brasil e Uruguai, países e times cuja rivalidade remonta os primórdios do futebol, e que atual e ultimamente, representam o ressurgimento de escolas vitoriosas.

Isso porque depois de mais de 20 anos, o Santos voltou a conquistar um título em 2002 e desde então vive uma sequência de conquistas jamais vivida desde a década dourada de 1960. Ao mesmo tempo, terceiro maior vencedor da história da competição com cinco títulos, o Peñarol volta a decidir a Libertadores depois de 24 anos e acompanha o ressurgimento do próprio Uruguai, quarto colocado na Copa do Mundo da África do Sul, tendo Forlán o maior jogador da competição e na partida contra Gana, o principal momento da Copa.

Mas, falar de história neste momento soa obsoleto, pois os craques históricos do passado não jogam mais. Por isso, discutir se historicamente leva vantagem quem joga a primeira em casa ou fora, é inútil. Melhor é olhar o presente para falar do jogo de logo mais.

Dentro de campo, e tecnicamente, o time do Santos é melhor e aparece como o principal favorito para a conquista do título. Apesar disso, e ao contrário do que muita gente disse, creio que o time uruguaio era realmente melhor que o argentino Vélez Sarsfield, derrotado na semifinal. No entanto, para o Santos, foi melhor enfrentar o Peñarol.

Isso porque o Vélez tinha um estilo de jogo completamente diferente do santista, com um futebol mais de força e especialmente calcado no jogo aéreo. Embora não tenha tanta qualidade individual, o Peñarol se aproxima mais do futebol praticado pelo time de Muricy, com eficiência e velocidade no ataque e boa postura defensiva, segurando bem os ataques adversários.

Por tudo isso, a partida no Uruguai requer muita atenção especialmente da defesa santista, que estará bastante desfalcada. Da considerada titular, sobrou apenas Durval. Jonathan e Léo, machucados, desfalcam as laterais e Edu Dracena, suspenso, é a ausência no miolo da zaga.

Se suportar bem a pressão geralmente eficiente do Peñarol, o time santista deve dar um bom passo à conquista da terceira Libertadores, já que o seu ataque, especialmente quando se utiliza dos contra golpes, é dos melhores, personificado na figura de Neymar, no esforço de Zé Eduardo, na experiência e qualidade de Elano e na velocidade dos meio-campistas Arouca e Danilo, além do avanço de Alex Sandro, bom lateral pela esquerda.

terça-feira, 14 de junho de 2011

A música entra em campo e conta a história de um flamenguista injustiçado


Lá pelos idos de 1993 eu já possuía uma certa quantidade de camisas do Corinthians. Não passavam de sete, mas eram maravilhosas, ficava em dúvida de qual usar. Elas ficavam na última gaveta do meu armário. Segundo minha mãe, a primeira gaveta era reservada às camisas novas, a segunda para as do cotidiano e, a última, àquelas que eu usava para acompanhar meu avô e meu pai ao futebol.


Depois do último texto para o Paixão Clubística, porém, aquele exaltando a formação musical dos vascaínos – dá uma lida aqui – voltei minha memória a essa última gaveta e lembrei que as duas únicas camisas que não eram alvinegras era uma da seleção brasileira e uma do Flamengo com o número 5 bordado às costas. Creio que fui a única criança de Piedade com uma camisa de clube com o número cinco. Afinal, a unanimidade sempre foi o 10, 9, 11, 7, quiçá o 8. Por sorte, isso nunca motivou o bullyng.


Ou seja, tenho uma simpatia por todos os clubes do Rio de Janeiro e isso me motivou a, mais uma vez, usar um clube carioca como tema. Ao receber esses dias o livro “Wilson Batista: Na corda bamba do samba” (Luís Pimentel e Luís Fernando Vieira; Editora Relume Dumará; 1996), senti raiva. É que nada me deixa mais com raiva que: milho, juiz folgado, chefe e injustiça. Necessariamente nessa ordem.


Vamos ao caso: Wilson Batista, malandro e sambista de primeira linha, aquele que travou um desafio com o gênio Noel Rosa, era flamenguista doente. E, por mais que o Vasco tenha compositores sensacionais que vestem a Cruz de Malta, nenhum clube foi mais homenageado em sambas que o Mengão.


Já citamos aqui no Paixão o “Samba Rubro-Negro”, composto por Wilson e regravado por João Nogueira. Mas hoje ouviremos outras duas pedradas compostas pelo Rapaz Folgado, como foi tachado por Noel.


A primeira é “Memórias de um Torcedor”, em parceria com Geraldo Gomes e gravada em 1946. Na interpretação a seguir, o samba é cantado por Cristina Buarque em gravação de 1995. Além da letra, vale a pena prestar atenção no acompanhamento feito pelo clarinete.



Abaixo, na interpretação de Marcos Sacramento, mais um revés do Flamengo. A parceria desta vez é do ano de 1942 com Antonio de Almeida e foi batizada de “E o Juiz Apitou”.



Acontece que, segundo os autores do livro já mencionado, durante as primeiras entrevistas para a obra, o C.R Flamengo foi consultado pelos escritores com o objetivo de pesquisar alguma homenagem feita pelo clube ao sambista que tanto homenageou o Rubro-Negro. A resposta, dada pelo diretor da secretaria, Arthur de Carvalho foi:


“Tenho mais de 30 anos de Flamengo e nunca ouvi nenhuma música desse compositor para o clube. Se alguém deve ser homenageado um dia pelo Flamengo, é o Lamartine Babo, que fez o hino do clube”.


Enfim, a atitude do cidadão que falou pelo clube não corresponde à de todos os torcedores. Mas, em tempos de pouco amor à camisa, o flamenguista deve exaltar aqueles que realmente amaram o clube e limpar essa injustiça cometida com Wilson. Como? Basta ouvir os seus sambas, espalhar essa história e deixar que a memória do malandro rubro-negro continue viva.


Para fechar a conta e passar a régua, deixo a homenagem do Paixão Clubística à memória de Wilson. O "Samba Rubro-Negro", desta vez, na voz de Carlinhos Vergueiro. Valeu e até a próxima!




Para Adãozinho, um merecido epílogo

Há jogadores que entram para a história de um clube por causa de um jogo. É o caso de Adão Ambrósio, que defendeu o Corinthians de 1971 a 1979. Foram longos anos servindo o time alvinegro, mas, quando se lembram dele, vem à mente um chute de fora da área que superou o goleiro Emerson Leão em um clássico contra o Palmeiras. A partida, que começara com o alviverde abrindo 2 a 0, terminou 4 a 3 para o time de Parque São Jorge. Um dos gols corinthianos, o segundo, foi marcado por Adãozinho. Adãozinho dos 4 a 3.



Adão Ambrósio faleceu no domingo. Diabético, morreu de falência renal, aos 59 anos. Alçado a ídolo da torcida após a virada histórica contra o Palmeiras, Adãozinho nunca se firmou no time titular do Corinthians porque, na mesma posição, havia um tal de Rivelino. Mas, mesmo assim, era descrito pela imprensa como "inteligente, de reflexos rápidos, dribles desconcertantes, passes longos e certeiros". No banco de reservas, fez parte do time campeão paulista de 1977, título que encerrou uma longa fila alvinegra.



Naquele 25 de abril, no Morumbi, Adãozinho entrou no segundo tempo da partida contra o Palmeiras. Em campo estavam grandes craques, como Rivelino, Luís Pereira, Ademir da Guia, Leão... Foi um jogo memorável, cheio de gols. A partida era válida pelo Campeonato Paulista, que depois seria conquistado pelo São Paulo. No estádio estavam 60 mil pessoas. Abaixo segue o vídeo para relembrarmos este grande jogo e, claro, reverenciarmos o principal momento de Adãozinho com a camisa do Corinthians.







Corinthians: Ado, Zé Maria, Luís Carlos, Sadi e Pedrinho; Tião e Rivelino; Lindóia (Natal), Samarone (Adãozinho), Mirandinha e Perí. Téc.: Franscisco Sarno



Palmeiras: Leão, Eurico, Baldochi, Luís Pereira e Dé. Dudu e Ademir da Guia; Fedato, Héctor Silva (Leivinha), César e Pio. Téc.: Rubens Minelli



Gols: César (35 segundos - 1º), César (9 - 1º), Mirandinha (5 - 2º), Adãozinho (24 - 2º), Leivinha (25 - 2º), Tião (26 - 2º) e Mirandinha (43 - 2º)

segunda-feira, 13 de junho de 2011

A Tropa do Alemão dá o primeiro título ao Mavericks

A festa texana não tem hora para acabar. O primeiro título da história do Dallas Mavericks e cada gole de cerveja bebido na comemoração são um oferecimento do gigante chamado Dirk Nowitzk.

Nada foi capaz de segurar o alemão nas finais da NBA. Nem o trio de craques do Heat, tampouco a febre de 39 graus no quarto jogo fizeram a montanha gelada derreter. Nowitzk foi decisivo. Quando o jogo apertava, a bola rodava de mão em mão até chegar ao homem. Do alto dos seus 2,13 cm, Dirk flutuava em quadra e fazia chover. Longe de ser desajeitado, com uma precisão de poucos, o alemão fez o aro parecer grande na série decisiva.

Bem diferente de Dirk Nowitzk, considerado com sobras o jogador das finais, o astro Lebron James se apagou. Depois da primeira partida, Lebron decaiu jogo pós jogo. O primeiro sintoma foi o crescimento vertiginoso do parceiro Dwyane Wade – até aí beleza –, depois vieram a falta de pontos e do protagonismo. Com um volume menor de jogo, a bola passou a ficar pouco em suas mãos e quando ela chegava parecia queimar. Depois de largar os Cavalliers por conta da sede por uma conquista, o peso da responsabilidade começou a pesar. Ele parecia que precisava provar a cada bola, e provou. Provou com diversos erros infantis que ainda não está no patamar dos maiores da história.

Outro diferencial da Tropa do Alemão foi justamente o seu poder coletivo. Dallas tem dois armadores extremamente qualificados. J.J. Barea e Jason Kidd sabem colocar a bola debaixo do braço e dar ritmo ao jogo. Os raçudos Shaun Marion e Tyson Chandler brigam por cada lance, por cada palmo de quadra e são o termômetro do garrafão.

E por último, Jason Terry. Junto com Dirk, perdeu a outra final da franquia, cinco anos atrás, também contra o Miami. A vontade de comer o prato frio era tanta, que chegou a tatuar o troféu da NBA no braço antes mesmo da temporada começar, com a promessa de apagar caso não fosse campeão. Não será necessário. Irregular nos três primeiros jogos, o neguinho marrento não afinou e pontuou bastante nos últimos duelos. Na marcação, anulou James. No ataque, o repertório era maior: infiltrações, dribles, cestas de três e uma desenvoltura em quadra típica do basquete de rua.

Parabéns Dallas Mavericks, campeão da temporada 10/11.

Talvez, quem sabe...

Assim são Botafogo e Vasco: ex-pequenos/médios rumando para grandeza, casa na qual moraram há tempos atrás. Porém, o alerta: pode não ser mais o que já foi. Explico.

Claro, as críticas e as descrenças ainda rodeiam esses clubes - há anos. E não é para menos. Rebaixados, endividados, colocados de lado, à margem da maior parte das disputas nacionais, e o pior, tudo culpa dos próprios clubes, culpa apenas dos próprios Botafogo e Vasco, mais ninguém.

Por fim então ficou uma linha no tempo, um rastro marcante de seguidas ausências: falta de investimento, de competência, resultando no pior para o torcedor: ausência de times, ambos, que fossem competitivos, que levassem consigo a premissa da esperança real e concreta de vitória.

Grandes, foram se apequenando. Clubes pomposos, de camisas históricas, foram desbotando feito papel velho. Ultrapassados. Mas isso foi, não é mais verdade. Ou melhor, apenas talvez não seja mais. Talvez! Veja bem, apenas um talvez, ainda tímido, cheio de vergonha em se fazer ver. Pois bem, talvez esses times, de Botafogo e Vasco, sejam dotados de certa capacidade para vencer.

São candidatos ao título do Brasileirão? Não. Mas o Vasco o era frente ao Coritiba, de ataque fulminante, ou ao São Paulo, de Lucas, ou ao Flamengo, de Thiago e Ronaldinho, na Copa do Brasil? Também não.

Botafogo, lentamente, quase parado, se movendo na velocidade em que a Terra gira, e Vasco, timidamente, com Dinamite à frente, com uma política oposta à ditadura de anos de um deputado. Esses são dois grandes tentando ser grandes de novo.

O Botafogo venceu o Coxa, em sua mini crise pela derrota para o Vasco, que ainda de ressaca pelo título da Copa do Brasil e em êxtase pela volta de Juninho, apenas empatou em casa contra o Figueirense. Um em quinto, o outro em sétimo. Máquinas de vencer? Não. Barcelonas da Guanabana? Bebeu, foi?

Ainda assim, mesmo precisando ter lupa para enxergar os avanços, eles existem. Mas, passos mínimos que esses são, o tempo ainda precisará correr para que notoriamente o Vasco, de Felipe, Juninho, Bernando e Diego Sousa, e o Botafogo, de Loco Abreu, Herrera, Maicossuel, Elkeson e Renato, sejam reconhecidos como times fortes. Precisam mostrar mais, jogar mais, vencer mais, se colocar de pé verdadeiramente.

O clássico contra o Flamengo é o próximo passo para o Botafogo nessa trilha rumo à grandeza perdida. E o Grêmio, em Porto Alegre, pode ser a prova real do Vasco. Talvez, quem sabe...

Destaque da rodada: Se os adversários permitirem, se não houver combatividade, o São Paulo, ainda sem Luis Fabiano, deixará todos para trás. Quatro vitórias, logo de início? Sei não. A chance pode estar na ida de Lucas para a Copa América. Apesar de Casemiro e Dagoberto estarem fazendo o papel de decisão. Alguém reparou no passe dele para o Jean?

domingo, 12 de junho de 2011

Eterna discussão

Uma discussão que jamais se chegara a um consenso comum, pelo menos para torcedores de Atlético Mineiro e Bahia. Quem foi o primeiro campeão brasileiro da história? Os fanáticos da “terrinha” usam o argumento dado pela CBF no ano passado e, morosamente, dizem “Oxi, o campeão é o tricolor, meu rei. Vencemos o Santos de Pelé na decisão ”. Já o pessoal de Belo Horizonte argumenta dizendo “Ói so, primeiro campeão brasileiro, de verdade, é o Galo, uai”.

O certo é que o primeiro campeão nacional é o Bahia. É certo também que o primeiro campeão brasileiro é o Atlético Mineiro. Resumindo, eu chovi no molhado. Na verdade não há como negar que o Brasil tem dois primeiros campeões em seu campeonato.

Discussão à parte, hoje as duas equipes se encontram pelo Brasileirão, em Pituaçu. Em campo, plantéis que ainda precisam convencer suas fanáticas torcidas na temporada.

Como recordar é viver e ambas as torcidas não comemoram um título expressivo há anos, seguem dois vídeos relacionados às conquistas de 59 e 71. O primeiro é uma homenagem a Marito, herói do título do Bahia. Já o segundo é o gol que rendeu ao Galo mais querido do mundo o título brasileiro de 71.




UFC 131: Cigano vence mais uma e na próxima leva o cinturão



No decorrer da última semana, clamei aos colaboradores do Paixão Clubística que torcessem incessantemente pelo nosso compatriota Junior do Santos, o Cigano, no UFC 131. Ele enfrentaria o americano Shane Carwin, outro peso pesado e, caso ganhasse, estaria cotado para enfrentar Cain Velásquez na disputa do cinturão da categoria.

Não foi à toa que joguei no lixo todas as lições do jornalismo ao escrever este primeiro parágrafo. UFC é show, espetáculo e muita emoção entra junto com o lutador no octógono. E pode ter certeza que a torcida brasileira entrou com o Cigano neste sábado. O atleta demonstrou muita maturidade e excelente preparo físico ao vencer Carwin na decisão unânime dos juízes e agora irá disputar o cinturão contra o casca-grossa Velásquez após chegar invicto à sétima vitória seguida no UFC.

Nesta noite, Cigano surgiu como a última esperança dos brasileiros. Demian Maia, pentacampeão mundial de Jiu-Jitsu e um dos grandes atletas brasileiros, vinha de duas vitórias seguidas após a derrota para Anderson Silva e entrou no octógono ao som de Cássia Eller interpretando Vida Bandida. A boa escolha da música de entrada não refletiu no seu desempenho no octógono. O brasileiro não conseguiu repetir suas últimas atuações e perdeu por decisão unânime dos juízes para Mark Munoz.

Já Diego Nunes, que preparou o octógono para a entrada de Cigano, fazia apenas sua segunda luta no UFC. Por isso, nada mal para o rapaz de 28 anos que representou bem o País diante do norte-americano Kenny Florian com um bom combate em pé no primeiro round. No entanto, Florian percebeu o ímpeto do brasileiro e nos rounds seguintes levou a luta para o chão, exercendo domínio. No fim, Diego ainda esboçou uma reação, mas foi insuficiente para lhe garantir a vitória.

Outro brasileiro a “por a cara a bater” fazia sua estreia no UFC. Vagner Rocha, além de enfrentar o experiente norte-americano Donald Serrano, também tinha contra ele uma luta interna que atinge 99% dos seres humanos: a ansiedade. Por isso, diante de tantos adversários, nosso compatriota não conseguiu impor o seu estilo de luta, demonstrando poucos recursos em pé e pouca eficácia para levar a luta ao chão e fazer valer sua faixa preta de jiu-jitsu.


Resultados do Card Principal:

Junior “Cigano” dos Santos derrotou Shane Carwin – decisão unânime dos juízes;
Kenny Florian derrotou Diego Nunes – decisão unânime dos juízes;
Dave Herman derrotou Jon Olav Einemo – TKO (nocaute técnico) no 2º round;
Mark Munoz derrotou Demian Maia – decisão unânime dos juízes;
Donald Cerrone derrotou Vagner Rocha – decisão unânime dos juízes.

sábado, 11 de junho de 2011

Parabéns a um dos maiores coadjuvantes da história do futebol brasileiro

Não é fácil ser coadjuvante no Brasil, país de um povo que pouco valoriza medalhas que não sejam douradas, por exemplo, ou vice-campeonatos, por mais que sejam decorrência única e exclusivamente do que aconteceu na disputa esportiva. Sempre existe um culpado, alguém prejudicado. Assim foi com o Barbosa, por exemplo.


Nesta linha de raciocínio, para muitos pouco significa um cara ser o terceiro maior artilheiro da história de um grande clube. “Pô, ele é só o terceiro”, dirão uns e outros. Ignorando, é claro, tantos e tantos atletas que passaram por aquele mesmo time e jamais chegaram perto de alcançar a marca do simples terceiro colocado.

E o que dizer então de um cara que é coadjuvante do Rei do Futebol? Aliás, embora tivesse um time muito forte, todo aquele Santos da década de 1960 passou para a história como coadjuvante de Edson Arantes do Nascimento.

Um deles, o seu maior parceiro de todos os tempos, é Coutinho, camisa 9 do time santista e que completa neste sábado, 11 de junho, 68 anos de vida. Com a camisa santista, marcou 370 gols, ficando atrás apenas de Pelé e Pepe na lista de maiores artilheiros do clube.

“Não falei, é apenas o terceiro do clube”, dirá de novo outro.

Pois bem. Com seus 370 gols no Santos, o ex-atacante supera números dos maiores artilheiros da história do Corinthians (Claudio, 305 gols), Palmeiras (Heitor, 284), São Paulo (Serginho, 242), Botafogo (Quarentinha, 307), Fluminense (Waldo, 314), Internacional (Carlitos, 325), Grêmio (Alcindo, 264), Barcelona (César, 235), Real Madrid (Raul, 308), Manchester United (Bobby Charlton, 249), Milan (Gunnar Nordahl, 221), Juventus (Del Piero, 185), Boca Júnios (Palermo, 181) e etc...

Acho que o senhor Antônio Wilson Honório, assim como tantos outros coadjuvantes do nosso futebol e esporte em geral, merece um pouquinho de respeito, não?

Quando entrei em contato com Coutinho, este disse que estava dirigindo e que por isso a entrevista teria de ser breve. Ela foi, mas também foi muito divertida e interessante.

Paixão Clubística: Coutinho, são 370 gols com a camisa do Santos, mais os marcados pela Seleção e além disso, são 68 anos. Consegue separar um gol mais importante da sua carreira?

Coutinho: Não tem um gol mais importante que o outro. Para mim são todos importantes. Não tem nada de especial em um ou outro gol, são todos importantes da mesma maneira.

PC: Infelizmente não vi o senhor jogar e por isso a pergunta: você era destes atacantes que queria mesmo era fazer o gol e tanto fazia se de canela, barriga, peito... Valia tudo, desde que fosse gol?

Coutinho: Não (risos), claro que não. Que me lembre, nunca uma bola bateu na minha canela. Sempre fiz as coisas bem feitas, tanto é verdade que você não me viu jogar e está me entrevistando, lembrou de mim, do meu aniversário. Acho que alguma coisa certa eu fiz, não?

PC: Acho que fez... (risos). Você consegue se imaginar no futebol de hoje?

Coutinho: Sinceramente, acho que seria uma covardia...

PC: Sério? Por quê?

Coutinho: Porque eu iria, simplesmente, deitar e rolar...

PC: E no futebol de hoje, existe alguém que tenha o mesmo estilo, ou parecido com você?

Coutinho: Ninguém. Ninguém que joga na minha posição hoje se parece comigo. Nem na cor. Hoje está todo mundo mais moreno, mais branco. Sem falar nos cortes de cabelo... Tem cabelo liso de índio, moicano, tem de tudo...

PC: E desde que você parou de jogar? Tivemos grandes nomes como Careca, Reinaldo...

Coutinho: Aí você começou a falar a minha língua. Aí sim você está falando de futebol, de gente que jogou muita bola. De todos os que passaram e fizeram sucesso, quem mais se pareceu comigo foi o Reinaldo...

PC: O rei do Mineirão...

Coutinho: Isso.

PC: Por quê?

Coutinho: Pela técnica apurada, o jeito de jogar...

PC: O Santos está na final da Libertadores. O que você pode dizer aos torcedores santistas?

Coutinho: Desejo boa sorte! Só isso...

PC: Obrigado Coutinho, e muitos anos de vida!

Coutinho: Obrigado menino, prá você também...

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Volta por cima

Eduardo e Mônica voltaram à moda, mesmo assim decido escrever sobre outra dupla: Jobson e Casagrande. Começamos, contrariando os padrões modernos daquilo que chamam de educação, pelo mais novo. Jobson não é apenas mais um atacante, é um personagem. Surgiu no Botafogo como uma grata surpresa. Um jogador rápido, fazedor de gols... promissor. Isso até cair em uma grande besteira. Droga!

Para aqueles que não se lembram, ai vai um leve refresco de memória. Pelo Campeonato Brasileiro de 2009, ainda quando jogava pelo Botafogo, o atacante foi flagrado no exame antidoping. Flagrada, a cocaína parecia por um ponto final no sonho de mais um brasileiro. O tempo passou e Jobson ficou seis meses afastado dos gramados.

O tempo passou mais uma vez o atacante atualmente defende o Bahia. Está fazendo gols. Está feliz. Porém, no próximo dia 21 o atacante será julgado (ainda pelo caso de 2009) e pode ficar mais um ano e meio longe daquilo que mais gosta.

Opinião em primeira pessoa: Afastar o ser humano, ainda em recuperação, daquilo que ele mais gosta de fazer é regredir em sua volta por cima. Tirar Jobson novamente do futebol seria o mesmo que prender um usuário de cocaína achando que isso irá ajudá-lo.

Aproveitando o tema “recuperação”, quem chega na área é Walter Casagrande Júnior, o grande Casão. Há algum tempo, as notícias sobre a internação do ex-jogador em uma clínica de recuperaçã me assustaram. Gosto do cara e acho o melhor comentarista esportivo da atualidade, sem falar naquilo que representou como atleta. Desta vez, parecia que a heroína, finalmente, havia o vencido. No entanto, o tempo passou (pela terceira vez) e Casão está de volta, até chorando durante as transmissões da Globo. Sua presença no Arena SporTV é fundamental.

Ainda em fase de recuperação, Casagrande cedeu uma entrevista reveladora à revista Placar deste mês. Sinto-me na obrigação de transcrever alguns trechos, pois, como fã, acredito que esse é o testemunho da volta por cima. Valeu Casão!

Início nas drogas

“Desde novo eu usava. Na época em que jogava, com 18, 19 anos, eu fumava só um baseadinho. Eu nem bebia”.

Drogas I

“As pessoas diziam que eu era um cara legal. Mas, quando eu estava sozinho, me achava um bosta...A droga, no meu caso, era a ponto do Iceberg. Meus problemas eram internos”.

Drogas II

“Se não tivesse sido um atleta de pontA, que treinava para c..., teria morrido há muito tempo”.

Volta a Rede Globo

“Voltei em abril de 2009, no Arena SporTV. Estava emocionado para c... Não via o Cléber Machado há um ano e tanto. Foi emoção à flor da pele... Quando sai da clínica nasci de novo”.

Galvão Bueno

“Profissionalmente, ou no comportamento dele, nem tudo me agrada, nem tudo eu gosto. Mas, como ser humano, por tudo o que ele fez por mim, pode contar comigo para o resto da vida.

Vida de ator

“Outro dia me deram o DVD. Foi um sacrifício assistir. O filme é muito ruim”.

As quatro linhas na telona

Retratar o futebol no cinema é uma das coisas mais difíceis que existem. Pelo menos para nós brasileiros. Entendemos demais do esporte e cobramos produções perfeitas. Filmagens mal feitas do jogo geram comentários jocosos. "Que coisa ridícula. Quem é que chuta a bola desse jeito? E o meião do cara não fica sujo? Olha que forçada a defesa do goleiro".


É claro que existem filmes de sucesso que reproduzem o mundo fora das quatro linhas. É o caso do excelente Holligans, com Elijah Wood. Mas fazer com perfeição algo que é tão próximo do nosso cotidiano, a bola em jogo, a cobrança de corner, a catimba, a cabeçada que trisca a trave e sai pela linha de fundo, levando os torcedores ao delírio, é quase impossível.

E como criar sintonia entre a pipoca e a redonda? Me parece que os diretores brasileiros acharam a solução. Ou mostram aquilo que cerca o futebol (mandingas, macumbas, brigas, bastidores, polêmicas, etc) ou fazem... Documentários! Tem gol melhor do que o de verdade?! É isso. Tem que filmar o jogo real, o sofrimento e o contentamento dos jogadores, a angústia dos treinadores e a Paixão Clubística dos torcedores. Coisas que ninguém consegue interpretar com exatidão.

O mais novo filme, que em breve estará no escurinho dos cinemas de Salvador, Feira de Santana e São Paulo, é o Bahêa Minha Vida. Dirigido por Marcio Cavalcante, o longa metragem conta a paixão, os sonhos e a vida do torcedor do Tricolor de Aço. Uma vida expressa em alegrias e lágrimas, em gritos e silêncios, em desencantos e euforias. É realmente uma bela homenagem. Veja o teaser do documentário. É de arrepiar até o mais fanático dos torcedores do Vitória:

O renascimento do futebol carioca

Por Michel Sousa, o Apaixonado Convidado da semana

Vasco, campeão da Copa do Brasil 2011. Fluminense, campeão brasileiro de 2010. Flamengo, campeão brasileiro de 2009. Definitivamente, já podemos afirmar que o futebol carioca está renascido das cinzas. Mas será que essa ressurreição pode ser comparada à época de ouro vivida nos anos 80?

No Campeonato Brasileiro, os cariocas ficaram nove anos sem título. Depois do Vasco em 2000, foi quase uma década até que o Flamengo erguesse o troféu em 2009, quebrando uma sequência de 5 anos de títulos paulistas. Mesmo com toda a polêmica em torno de Adriano e cia., o time venceu. No ano seguinte, o Fluminense tirou o atraso, investiu no "craque" Muricy e num time caro e foi recompensado com o título. Sejamos honestos: a qualidade do torneio que dizem ser o mais difícil do futebol mundial não anda lá essas coisas. Quantos times não vacilaram nesses anos e possibilitaram as duas conquistas cariocas... Mas ainda assim, conquistar um Brasileiro merece todo o respeito.

Na Copa do Brasil, dos últimos 6 títulos, 3 ficaram com os cariocas: Vasco agora, Fluminense em 2007 e Flamengo em 2006, quebrando um jejum de 16 anos dos cariocas e do próprio Flamengo. Os críticos dirão que esse torneio é disputado pelos times "menos fortes" digamos, já que os melhores ficam na Libertadores. Que seja, mas não deixa de ser uma disputa nacional e um título relevante. O argumento aqui é o mesmo usado anteriormente: basta ver os times eliminados durante essas Copas vencidas pelos cariocas.

Mas aqui vale uma ressalva importantíssima. Há 13 anos, os cariocas não vencem uma Taça Libertadores. Nesse período, os paulistas ganharam duas vezes (Palmeiras em 1999 e São Paulo em 2005) e os gaúchos levaram duas (2006 e 2010), ambas com o Internacional. O último carioca a conseguir a façanha foi justamente o Vasco, em 1998. Nesse período, excetuando o Fluminense derrotado na final de 2008, os cariocas não marcaram presença nem nas semifinais. Sem falar que Botafogo e o próprio Fluminense nunca venceram o torneio continental.

Nos anos 80, os cariocas venceram 6 dos 10 Campeonatos Brasileiros disputados: Flamengo em 1980, 82, 83 e 87 (sem essa de citar o Sport aqui, pelo amor de Deus!), Fluminense em 84 e Vasco em 89. Craques inesquecíveis fizeram parte daquelas conquistas, como Zico e Assis. Difícil comparar aqueles tempos com os atuais e dizer que os cariocas agora podem repetir aquela hegemonia. Alguns vão dizer: "Ah, mas tem o Ronaldinho Gaúcho, tem o Deco, o Felipe!". Honestamente: acho muito bom e até saudável que os cariocas rompessem o domínio paulistano em nível nacional, mas daí a dizer que podem recuperar o poderio que tiveram no passado é demais. Os cariocas precisam de uma Libertadores para se fortalecerem. E isso ainda parece muito distante...

De qualquer maneira, parabéns aos cariocas pelo renascimento. E que isso sirva de inspiração para uma melhoria também na política e na estrutura dos clubes.

quinta-feira, 9 de junho de 2011

A música entra em campo e homenageia o Vasco da Gama: Campeão da Copa do Brasil


Era o ano 2000. Todo mundo que eu conhecia torcia para o surpreendente São Caetano na final da Copa João Havelange. O Azulão era unanimidade aqui em Piedade. A escalação da equipe do ABC na ponta da língua de todos e a revelação Adhemar era um mito. Sem saber o motivo, eu era o do contra e torci muito para o Vascão, ainda mais quando a equipe carioca entrou em campo com o logo do SBT no uniforme. Porém, não sabia o motivo dessa minha torcida.


Hoje, em 2011, voltei a ter a mesma torcida pelo Vasssssco, como dizem os cariocas. E creio que, grande parte desta torcida, seja por causa da música. Vou usar o mesmo exemplo do amigo Tuca Veiga e adotar a pranchetinha para, literalmente, a música entrar em campo com a cruz de malta no peito.


Reparem que, desde o camisa 1, o exímio violonista Guinga, até o camisa 11 Paulinho da Viola, todos são monstros, gênios da nossa música e, obviamente, vascaínos, senão, por qual outro motivo estariam aqui, ôpá?!


Para melhorar, o Vasco também conta com reservas de luxo como Dicró, Raul Seixas, Erasmo e Roberto Carlos, além de líderes de torcida fenomenais como Aracy de Almeida, Dona Ivone Lara e Clementina de Jesus.


Leremos agora as palavras do capitão do elenco, Martinho da Vila, que, após o retorno do clube à série A, divulgou pelo Jornal do Brasil, em novembro de 2009, essa carta aberta a todos os torcedores:


“O time precisava mesmo de um sacode. Nossa última alegria foi o Campeonato Carioca de 2003 e no último sábado a minha emoção foi tão grande quanto a que senti em 2000 quando o Vasco venceu a Taça Guanabara, a Mercosul e o Brasileiro. De certo modo, foi boa essa passagem do time pela segunda. Muitos amigos meus, flamenguistas, tricolores e botafoguenses vibraram comigo no último sábado e estou realmente torcendo para os clubes cariocas. A nossa subida é uma vitória do Roberto Dinamite e do técnico Dorival Júnior, principalmente, sem desmerecer, é claro, o plantel que nos causou tanta alegria. Alô Dinamite, manda ninguém embora não! Agora, rumo ao título de campeão! Mais do que grandes craques uma equipe depende fundamentalmente de trabalho em conjunto. No ano que vem, com certeza, vou gritar muitas vezes: Vasco: é campeão!”


Hoje, creio ter descoberto o motivo de ter vibrado com o Vasco naquele ano 2000. Talvez já tivesse no subconsciente essa escalação musical que reúne alguns dos melhores e muitos dos meus prediletos. Ou como diria Paulinho da Viola, a Cruz de Malta talvez tenha sido apenas um rio que passou em minha vida. Parabéns, Vascaíno, não apenas pelo título, mas por ter torcedores ilustres como esses!












O dia em que conheci Michael Jordan

Uma vez, no ano de 98 um menino apaixonado por futebol ligou a televisão. E, sem ter o que ver, sem uma bola a ser chutada de lá para cá e cansado de jogar videogame, dedicou poucos minutos de sua noite para ver a bola voar. Como todo bom boleiro e fã de Romário, não tinha intimidade com aqueles monstros com o dobro da altura do pequeno craque, à época, com a mania de meter gols, vários, para o time do menino.

Tão pequena quanto o ídolo, ficava a quadra na qual a bola ia de mão em mão. Deitado na cama, de frente para a televisão, o menino via dois números sem mesmo entender o que se passava: dois e três. Invertidos, dão o trinta e dois, que iam nas costas de um grandalhão absurdamente maior do que qualquer homem que o menino já vira. Anos mais tarde, já com mais idade, informações e gosto por basquete, soube que aquele era Karl Malone. O garrafão, para o ala-pivô do Utah Jazz, era home sweet home definitivamente. Ao lado do trinta e dois estava sempre um talzinho - pequeno que era perto dos outros: um americano chamado João, mais conhecido como Stockton. A bola ia dele para os outros voando, rápida e certeira. Armador, John pensava o jogo. Mas isso tudo o menino só soube mais tarde, anos mais tarde.

Do outro lado da quadra, os números dois e três não se invertiam. Ficavam em ordem e, unidos, formavam o vinte e três. Mas o menino, ainda com doze anos, não sabia claramente quem era o camisa vinte e três do Chicago Bulls. O que ele percebeu, já naquela noite, é que humano aquele sujeito não era. Negro de cem quilos, com um metro e noventa e oito centímetros de altura, vestido em vermelho e, às costas e em preto, os números dois e três. Espantava.

O relógio, com dois outros numerozinhos, o um e o zero, ditava a dramaticidade do fim do jogo. Era a final, entre Utah Jazz e Chicago Bulls, na temporada da NBA de 1998, no Delta Center, em Utah. Feito os dribles de Garrincha, que sempre corria para a direita, o último lance daquela partida terminaria com a bola indo das mãos do vinte e três do time vermelho para a cesta. Todos sabiam, os outros nove jogadores em quadra, os árbitros, a torcida sabia, que vibrava contra o monstro dos números irresistíveis: dois e três. Menos ele, o menino, que via tudo meio descrente, sem o interesse que a bola nos pés causa. Deitado, entediado.

Aí veio o momento. Bryon Russell, do Jazz, colou no E.T. de um metro e noventa e oito. Marcação homem-a-homem. "Defense, defense, defense"- gritava o Delta Center. A bola voou para as mãos do vinte e três de vermelho. Ele gingou feito Garrincha. Russell perdeu o equilíbrio, como um João, não o John, seu companheiro, mas como aqueles vários Joãos marcadores da bola nos pés. O vinte e três então arremessou, chutou, como um centroavante. O menino arregalou levemente os olhos ainda pensando: "O Romário podia fazer uns três no fim de semana, ia ser legal." Nessa viagem entre a bola que quica e a que rola, o Delta Center viu história. O menino também.

Foi assim, pensando em Romário, que conheci um marciano chamado Michael Jordan.

PS. Hoje à noite - outros tempos, com a camisa vinte e três do Bulls já devidamente aposentada -, jogam Miami Heat e Dallas Mavericks. Será o quinto jogo da série, que está empatada em dois a dois. Mais uma chance para nascer história. Tomara.
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...