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terça-feira, 5 de março de 2013

Neymar apático



Por Luiz Felipe Fogaça

Mais repetitivo do que pergunta lá no posto Ipiranga é o assunto Neymar na Europa, como bem disse outro dia o querido amigo Felipe Pugliesi. É bem verdade que o assunto já encheu o saco e, tirando os santistas, a grande maioria acha que o prodígio deveria ir logo para o velho continente amadurecer e melhorar ainda mais o seu futebol. O que é consenso entre todos é que o atacante não atravessa um bom momento.

Para os mais maldosos a equação é simples: Neymar + Marquezine = pouco futebol. Relacionamento a parte, o palpite desse que vos escreve é de que Neymar atingiu um status muito alto e muito rapidamente e já não se vê mais com desafios pela frente. Em outras palavras, perdeu o tesão.

Se antes acompanhávamos um jovem com alegria de jogar e querendo provar a toda hora que era o melhor, a cara do jovem jogador agora reflete a apatia que passa seu futebol e por consequência a equipe do Santos.

Obviamente que lampejos, bons momentos e um jogo aqui, outro ali ele sempre vai decidir, até por que ele continua tendo grande qualidade técnica, só parece não querer mais desfilar isso nos gramados.

O craque parece mais motivado em viver sua vida fora das quatro linhas, do que fazer seu trabalho dentro dela, o que é perfeitamente normal, mesmo com toda blindagem, suporte e assessoria existente em torno dele.

Mais do que o eventual amadurecimento, a Europa traria o TESÃO de volta à vida do jogador, que é inquestionável desses lados e ganhou tudo o que podia vestindo a camisa do peixe.

Talvez a crítica seja muito ríspida e em parte injusta para alguns, tudo de acordo com a esperança que botamos no jogador para desempenharmos um bom papel na Copa do ano que vem. O que não dá mais é para passar a mão na cabeça e botar a culpa de tudo que acontece com Neymar nos outros. Por mais difícil que seja estar sempre no auge, Messi e Cristiano estão a muito mais tempo que o santista entre os tops.

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Ídolo, Neymar só vai virar mito se ganhar a Copa aqui no Brasil

Foto: Divulgação/Kibon
Por Alessandro Lefevre

Como disse Marcos Cripa, orientador do melhor documentário já filmado sobre Neymar até aqui, este foi um trabalho de gente grande. Os recém-formados Rafael Reis e Eduardo Laiola produziram um filme fantástico, um Trabalho de Conclusão de Curso para entrar na história da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Toda a trajetória do jovem do Santos está no vídeo que vou postar logo abaixo.

Se você tem 40min para assistir, faça isso agora mesmo. O filme é sucesso na internet. Em quatro dias desde a publicação, foram mais de 7 mil visualizações.

E já aviso que não se trata apenas de um "poema" de ode ao Neymar. O filme é crítico. Afinal, até que ponto essa superexposição é boa para o craque? O atacante está pronto para isso?

Neymar é um fenômeno de vendas. Mas será que continuaria como fenômeno do marketing mesmo se o rendimento dentro de campo caísse? As respostas estão todas no documentário "Neymar, o caminho do mito".

Na minha opinião, Neymar é, por enquanto, apenas um ídolo. Talvez esteja alguns degraus acima para o torcedor do Santos. No entanto, caso o Brasil vença o Mundial de 2014, aí, sim, ele se tornará um mito mundial. E seu futebol, é claro, vai perdurar por todo o sempre. É a chance de ouro.

Afinal, o que acontece com o Neymar é semelhante ao que Ronaldinho Gaúcho viveu alguns anos atrás. E também sabemos o que aconteceu quando o atual atleta do Atlético-MG cansou de jogar bola. Os comerciais minguaram e agora o meia do Galo é apenas um bom jogador, que às vezes - ou só quando quer - brilha. Portanto, devagar com o andor porque o santo é de barro.

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

"Fico" de Neymar é uma vitória e tanto para o futebol brasileiro

Neymar é nosso (Foto Ag. Estado)

Por Tuca Veiga

Os espanhóis babaram, investiram, brigaram entre si, mas podem tirar o cavalinho da chuva: Neymar fica no Brasil. Não boto tanta fé que seja até 2014, mas ainda teremos tempo para acompanhar a magia deste craque desfilando em nossos gramados.
Certamente a indicação da FIFA colaborou com a decisão do Pequeno Deus, afinal, ele percebeu que não é necessário estar na Europa para chamar a atenção. Fico feliz em perceber que, ao contrário do que muitos falaram ano passado, na ocasião da briga com o Dorival Jr, Neymar tem sim uma cabeça boa.
Sabe, também, ouvir as pessoas certas. O presidente santista, Luís Álvaro, é uma dessas pessoas. Ainda bem que ele não deu ouvido a jogadores como Rivaldo e Ronaldo, que batem na tecla de que o jogador só amadurece nos gramados europeus. Fico puto quando escuto isso. Parece até que os caras não querem ver o nosso futebol valorizado.
Financeiramente, o Brasil tem condições de bater de frente com outros mercados, principalmente o europeu. Tecnicamente, então, nem se fala. Enquanto na gringa os campeonatos costumam polarizar em poucas forças, aqui o ‘pega pra capar’ rola até o apagar das luzes.
Ronaldo, Ronaldinho, Juninho Pernambucano, Luís Fabiano, Fred, entre outros, fizeram o caminho de volta. Tenho certeza que eles não se arrependem. Eu até imagino que você deve estar pensando: “pô, mas eles vieram para cá atrás da aposentadoria”. Você tem razão, digníssimo leitor. Por isso o “fico” de Neymar tem tanto valor.
Seguramos nossa principal estrela. Mantivemos a alegria em nossos gramados. Não precisaremos assistir à Champions League para ver o garoto que carrega toda a nossa expectativa jogar. Obrigado Neymar. Por ser craque, por ser ousado, por ser brasileiro, por ser do Santos e ficar no Brasil.
Nossa “matéria-prima” não será explorada pelos gringos até ficar só o bagaço. Neymar não precisará fazer aquelas musculações que acabaram com o joelho do Ronaldo e a velocidade de Robinho e Ronaldinho. Neymar não será boicotado, como foi o eterno Didi em sua ida para o Real. Neymar é nosso. Parabéns ao futebol brasileiro.

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Cerveja não é a culpada pela violência nos estádios

O torcedor brasileiro quer a volta da cerveja com álcool aos estádios
Uma rápida pesquisa com torcedores que realmente frequentam os estádios iria mostrar que a maioria esmagadora quer a volta da cerveja com álcool aos estádios brasileiros. A enquete pode ser feita do Oiapoque ao Chuí. Não tenho dúvidas de que todas as torcidas preferem assistir ao jogo com a latinha na mão, vibrando e curtindo.

A proibição começou para evitar o vandalismo, a selvageria e a violência dentro dos estádios. A lei foi aprovada em 1995 após forte campanha do então promotor (agora parlamentar) Fernando Capez (PSDB-SP), numa clara oportunidade de se autopromover. 

E o que se vê é que o torcedor continua apreciando a "loira gelada" antes e depois dos jogos. Não é isso que incita ou colabora com o terror dentro (ou fora) das arenas. Quem quer brigar briga, com ou sem cerveja. Posso afirmar isso porque frequento estádios, inclusive em clássicos, e nunca me envolvi em nenhuma luta. As organizadas brigam porque querem isso. A culpa não é da breja!

Além disso, é preciso ver a cerva como um conjunto da vida social. Em se tratando de futebol, a coisa vai mais longe ainda. Nas peladas de domingo, o que você faz depois? Bebe uma! Seu time vai jogar fora de casa. Vamos tomar uma num bar? Fora aquela boa e velha conversa jogada fora, dando os prognósticos, antes de entrar no estádio, ao lado de sanduíches de pernil. Enfim, a cerveja faz parte da cultura futebolística. 

Para coibir a violência, precisamos de uma polícia bem preparada e bem equipada, bom senso dos torcedores e, principalmente, educação. O adversário não é inimigo! Fora que as últimas brigas aconteceram em lugares distantes dos locais dos jogos. Hoje, as organizadas marcam brigas pela internet. E por que o torcedor comum é quem tem que pagar o pato? Futebol e cerveja rimam!

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Será que cabe tanto dinheiro assim no Brasil?

As manchetes esportivas dos últimos dias refletem o momento de mudança que o futebol brasileiro atravessa.

Corinthians oferece 90 milhões de reais para ter o argentino Tevez”

Para tentar segurar Neymar, salário do craque pode chegar a um milhão de reais mensal”

Outrora inimagináveis, esses inúmeros zeros existentes nos contracheques dos clubes surgem, principalmente da ascensão econômica que o país atravessa. Ações de marketing inovadoras, patrocínios rompendo o patamar dos 30 milhões de reais anuais e os novos contratos firmados pelos direitos de transmissão dos jogos, fizeram com que a “importação” de jogadores fosse muito maior que a “exportação” deles. Vieram Alex, Renato, Denílson, Adriano, Luís Fabiano, além de argentinos e paraguaios e quem saiu? Conca, de mais relevante.
 



O sonho de termos um campeonato equiparado ao espanhol, alemão e francês é possível, mas ainda há uma enorme distância para a Premier League dos ingleses. Infraestrutura, estádios, ingressos, leis para os torcedores são alguns dos problemas. Mas, acredito que o grande abismo entre o modo inglês e o brasileiro seja a gestão.

Enquanto tivermos um Ricardo Teixeira no principal cargo de comando do futebol brasileiro, alterando horários dos jogos do Brasileirão para favorecer a TV, escolhendo adversários para a seleção brasileira, digo seleção Teixeira, conforme o cachê pago.

Aos leitores do Paixão Clubística aconselho a lerem a entrevista que Teixeira concedeu para Daniela Pinheiro, jornalista da revista Piauí, para entendermos até onde vai o poder de uma pessoa.

Não esquecendo de citar que o presidente da CBF também é o mandachuva (ou para-raios) da Copa 2014. Orlando Silva, Gilberto Kassab, Geraldo Alckimin e outros tantos disseram, lá atrás, que não haveria nem um centavo de dinheiro público nos estádios para o Mundial. E agora governador paulistano, como se explica 70 milhões de reais do Estado serem doados ao Corinthians para a construção dos vinte mil lugares necessários para o Itaquerão abrigar a abertura da Copa?

Desde 2003, quando o Brasileirão passou a ser pontos corridos, os gramados verde-amarelos não viam um desfile atrativos de bons jogadores. Atletas voltando do exterior para atuarem em grande nível, e não apenas para encerrarem carreira perto da família. Temos tudo para dar certo, mas os engravatados, com suas canetas Mont Blanc cismam, independentemente do formato do campeonato ou da situação econômica, em arruinar com o futebol nacional.

sábado, 16 de julho de 2011

Jornalismo e a máfia do futebol

Estava eu pulando de canal em canal quinta-feira à noite, após mais uma vitória alvinegra, quando dei de cara com a reprise do programa Bola da Vez, da ESPN Brasil. O entrevistado era o jornalista Andrew Jennings, da emissora britânica BBC. Repórter investigativo à moda antiga, autor de livros consagrados que abordam a corrupção no mundo esportivo e com a língua afiadíssima, Jennings me proporcionou o que posso chamar de a melhor entrevista esportiva da televisão brasileira em 2011.


Entre os temas abordados, como não poderia deixar de ser, estão as figuras de Ricardo Teixeira, João Havelange e Joseph Blatter, assim como os recentes escândalos de corrupção na Fifa e a Copa do Mundo de 2014, no Brasil. Poderia eu, aqui, apresentar os principais tópicos da entrevista. Mas isso seria injusto. O melhor a fazer é assistir ao programa na íntegra:




sexta-feira, 8 de julho de 2011

Próximo assunto, por favor...





Seleções de volêi masculino, futebol feminino, Sub-17 e profissional...Ah, tem também clube sem técnico no Campeonato Brasileiro, claro. Esta sexta-feira coleciona uma grande porção de temas a serem discutidos. Contudo, o escolhido por este blogueiro que vos escreve é vergonhoso, indignante e chama-se pelo nome de Ricardo Teixeira.

Não há mais o que fazer, pois nada e ninguém pode tirar este traste(perdão pela palavra) do comando do futebol brasileiro. Sim, ele manda e desmanda...faz o que quer e o que não quer. Ora, mas isso até o mais leigo torcedor já sabe. O problema, caros leitores, é que parece que o cidadão faz questão de deixar claro isso não apenas em suas atitudes, mas também nas palavras.

Desta vez foi em uma entrevista na revista Piauí. Uma das várias atrocidades dita pelo presidente da CBF foi a seguinte: “Em 2014, posso fazer a maldade que for. A maldade mais elástica, mais impensável, mais maquiavélica. Não dar credencial, proibir acesso, mudar horário de jogo. E sabe o que vai acontecer? Nada. Sabe por quê? Por que eu saio em 2015. E aí, acabou”.

Futebol é negócio. Negócio sujo! Ele diz o que quer e nem ao menos é alertado? Próximo assunto, por favor...

quarta-feira, 6 de julho de 2011

A abertura da Copa será em São Paulo?


A isenção fiscal para a construção do estádio do Corinthians, como previsto, foi aprovada na sexta-feira (1/7) pela Câmara Municipal. No texto final do projeto, que trata de concessão de incentivos de R$ 420 milhões ao clube, ficou claro que o dinheiro só será liberado caso o estádio seja realmente sede da abertura da Copa do Mundo. Mas então, afinal, isso vai acontecer?



Para entendermos bem o caso, vamos por partes:


Devido ao atraso nas obras da maioria dos estádios, a Fifa adiou de julho para outubro o anúncio da sede da abertura da Copa de 2014. Nessa data a entidade também vai anunciar se alguma das 12 cidades-sedes será cortada do calendário do Mundial.


O adiamento, visto como um ultimato para acelerar as obras, deu fôlego a São Paulo. A isenção dada ao Corinthians é parte das pré-condições necessárias para que a Fifa aceite o estádio do clube como palco de abertura da Copa. Outro item é a liberação de R$ 400 milhões do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). O estádio está orçado em R$ 850 milhões.


A cidade, porém, não é a única a querer a abertura. Belo Horizonte, Brasília e Salvador estão no páreo. E é aí que entra uma briga política bem à brasileira.


Sabe-se que Ricardo Teixeira não se dá bem com os tucanos de São Paulo. Foi durante o governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso que o dono da CBF foi alvo de duas CPIs no Congresso Nacional. Dirigentes da Fifa, aliás, revelaram ao jornal O Estado de S. Paulo no início de junho que parte de Teixeira as principais críticas em relação a realização do jogo inaugural na capital paulista. Segundo esses dirigentes, a intenção do cartola é concentrar as atividades no Rio de Janeiro.



Há quem diga também que Ricardo Teixeira prometeu ao senador Aécio Neves, ex-governador de Minas Gerais, que a abertura será em Belo Horizonte. Outro fato pesa a favor da cidade mineira. A vaga do falecido Itamar Franco no Senado será ocupada pelo ex-deputado e presidente do Cruzeiro, José Perrela de Oliveira Costa (PDT), da velha bancada da bola.


Vale lembrar que Zezé Perrela guarda certa rivalidade com o Corinthians. Tudo por conta de um pênalti bem marcado em cima de Ronaldo. Após o jogo (lembram do chororô do Cuca?), Perrela chefiou uma delegação de Seleção Brasileira num amistoso contra a Argentina, no Qatar. Influencia não lhe falta. Se o dirigente cruzeirense conseguir levar a abertura para o Mineirão, dará um troco e tanto em cima do time paulista.


Correndo por fora, está Brasília. A capital nacional está com as obras avançadas e, nesta semana, foi elogiada pelo ministro do Esporte, Orlando Silva. “Creio que Brasília, na medida em que cumpre com seu cronograma, credencia-se fortemente para poder receber a abertura do Mundial em 2014”, disse o ministro. Quanto a Salvador, considero a capital baiana carta totalmente fora do baralho.


Na humilde opinião deste que vos fala, creio que São Paulo não perderá a abertura. Apesar do jogo político em curso, é desejo da Fifa que a maior cidade do país receba o primeiro jogo. É bom lembrarmo-nos, porém, de um pequeno detalhe: sem abertura e, consequentemente, sem isenção, o Itaquerão dificilmente sairá do papel. Nesse caso, os paulistanos correm sério risco de não receberem jogo algum da Copa do Mundo.


E você? Qual é o seu palpite?




quinta-feira, 30 de junho de 2011

Itaquerão: dinheiro público e contradições


Terminou ontem (29/6) mais um capítulo da trama envolvendo o Itaquerão (é preciso um novo nome, urgente!) e a abertura da Copa do Mundo de 2014. Por ampla maioria (36 votos a 12), a Câmara Municipal de São Paulo aprovou, em primeira instância, o projeto que prevê incentivos fiscais de até R$ 420 milhões para que o futuro estádio do Corinthians receba o primeiro jogo do Mundial que será realizado aqui. Uma nova votação, esta definitiva, deve acontecer amanhã e, ao que tudo indica, não haverá problemas para a aprovação.

Antes de entrarmos na polêmica questão sobre uso de dinheiro público para obras privadas, analisemos algumas informações relevantes:

De acordo com o projeto, o Corinthians receberá Certificados de Incentivo de Desenvolvimento (CIDs) no valor de R$ 50 mil cada, válidos por dez anos. Por meio dos CIDs, o Corinthians poderá abater 60% do Imposto Sobre Serviços (ISS) e 50% do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU). O clube também pode transformar essa isenção em títulos e vender no mercado.

Os CIDs existem na legislação de São Paulo desde 2005, quando foram criados para o desenvolvimento da região da Luz. Na zona leste, onde está sendo construído o novo estádio, os CIDs existem desde 2007.

O secretário municipal de Desenvolvimento Econômico e Trabalho, Marcos Cintra, afirmou que a concessão de incentivos fiscais para a construção do estádio do Corinthians vai promover um incremento de R$ 30 bilhões ao longo dos próximos 15 anos na economia da cidade.

Segundo o presidente corinthiano, Andrés Sanchez, o incentivo é a garantia que a Fifa exige para oficializar a cidade de São Paulo como palco da abertura da Copa. A decisão da entidade vai ser tomada no final de julho e, como todos sabem, a única opção paulistana é o Itaquerão.

Pois bem, agora vamos aos calos:

Em primeiro lugar, preciso dizer que jamais confiarei na legalidade de um evento organizado pela Fifa. Motivos para isso não faltam, basta lembrar os escândalos que vieram à tona este ano envolvendo pagamentos de propina dentro da entidade. Para piorar, no meio da organização está a CBF de Ricardo Teixeira, que dispensa comentários. O Governo Federal, aliás, que se cuide. Não vou me surpreender com escândalos de superfaturamento nas obras.

Quanto ao incentivo fiscal que provavelmente será dado para a construção do Itaquerão, a questão é polêmica. Que tipo de desenvolvimento será gerado pela construção do estádio? Isto não está claro. Mais empregos, novos empreendimentos, valorização da região... é preciso um estádio para isso? E quanto escolas, hospitais e transporte?

O buraco, obviamente, é mais embaixo. Está no fato de que é extremamente contraditório realizar uma Copa do Mundo em um país em desenvolvimento. Foi assim na África do Sul. O país se vê em um momento de crescimento e figura no cenário global como nunca antes na história, e por isso toma para si o direito de receber um Mundial. Afinal, ficaremos em evidência, os investimentos vão se multiplicar... é o desenvolvimento!

Mas, infelizmente, a Fifa não tem nenhum comprometimento social com a realização da Copa. O lucro fica na mão da entidade e de seus patrocinadores. Seria burrice pensar que as famílias mais necessitadas terão benefícios com o evento. Assim como achar que o Mundial é para os brasileiros verem. Esta é a contradição. Realizar um evento bilionário em um país que ainda carece de outros serviços básicos. É claro que vão dizer: mas olha lá, os aeroportos vão ficar melhores. Precisa de Copa para isso?

quinta-feira, 2 de junho de 2011

É pá vê ou pá comê?

Preparem-se para a notícia: estamos em época de Copa do Mundo. Melhor: vivemos dias de uma tentativa de (des)organizar a tal Copa aqui no Brasil, que, sim, já bate às portas do patropi. Não duvidem: 2014 é logo ali adiante.

Em tempos assim, de tanta euforia e cofres - os nossos? - tão abertos, vemos coisas boas e ruins. Vemos, claro, as listas de convocados para a seleção brasileira cada vez mais com a presença de jogadores que atuam em casa. Vemos estádios serem erguidos, outros não serem implodidos, outros nem sequer com um tijolo de pé. Mas, felizmente, também vemos craques. Às vezes, vemos Ronaldinho Gaúcho e Fred. Por enquanto, ainda vemos Neymar, Ganso e Lucas. E, quem sabe, ainda veremos Luis Fabiano.

E, por mais incrível que possa parecer, vimos a seleção vice-campeã da Copa do Mundo da África do Sul treinando no Rio de Janeiro. (Sim, o Flamengo - quem diria -, recebeu os jogadores da Holanda em sua sede e, cordialmente, cedeu o campo da Gávea para os treinamentos dos gringos.) Vimos então, e portanto, o subcetêzinho rubro-negro se internacionalizando. Será?

Inclusive, há poucos dias, vimos a divulgação do projeto oficial do megacetêzão do Flamengo, com direito a hotel, campos para ninguém colocar defeito, vestiários modernos, salas de musculação, ambulatórios, sala de ortopedia... Um verdadeiro centro de treinamento.

Mas quando a torcida verá o tão desejado CT do Flamengo de pé e funcionando? Disse a presidente Patrícia Amorim que, em um ano, o lugar estará minimamente servindo ao clube. Será assim: sem estádio mas com lugar para treinar.

- Colé que é... Cês têm CT, rapá? - Assim, daqui a "um ano", ironicamente, e com toda marra que Romário ensinou, perguntará um flamenguista a um vascaíno ao se lembrar das piadas que ouviu sobre o rubro-negro não ter lugar para treinar.

Em São Paulo, a dupla de letras C e T, hoje, não se fazem ouvir tanto quanto um grupinho de sete letras que o trio C, B e F vem amando: E-S-T-Á-D-I-O. Os times que o têm se gabam, inflam o peito e apontam o queixo ao céu.

- Mano, cê é fiel? Né nada! E nóis? Ham... Véio, nóis tem o Fielzão! Cabô! - Assim, daqui a... (alguém sabe quanto tempo?), dirá um corintiano aos amigos santistas, palmeirenses e são-paulinos depois de uma vitória inconteste do Corinthians no seu novo estádio, sede da abertura da Copa de 14. Será?

Quando vamos ver afinal a infraestrutura ganhar importância e espaço na cabeça dos que tem mais tinta na caneta? Futebol é planejamento, com contas minimamente em dia, já diria uma dupla paranaense, torcedores do Furacão e do Coxa. Que nada, futebol é negócio, ter sócios e suas mensalidades, falaria um gaúcho colorado. Um torcedor do Goiás e outro do Cruzeiro diriam que, sim, um CT, e às vezes mais de um, é tudo na vida de um clube. Um caldeirão, isso é importante para um time, falaria um santista e um palmeirense mais apressado. Que nada, Maracanã basta, bradaria um flamenguista.

Achar todo mundo acha, opinar também, dizer então... E ver? Quando veremos um pensamento único para criar estrutura para o futebol do Brasil? Lugar para treinar e estádio para jogar, os dois melhores centroavantes que um ataque consciente pode ter. Simples assim. De resto, ficam copas, cumbucas e pratos com pavês para inglês comer.

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Diga com quem andas

Fora os relógios e os chocolates, o que lhe vem à cabeça ao pensar na Suiça? Alpes? Talvez. No momento me vem à mente contas bancárias sigilosas. Aquelas cujo titular é definido por uma longa sequência de números. Pois bem, não é segredo para ninguém que os suíços, assim como a Justiça daquele país, nunca ligaram muito para a procedência dos milhões de dólares e euros depositados em seus cofres.

Mas, sempre há razões para se surpreender. Eis que a Justiça suíça coloca no banco dos réus o excelentíssimo dono do futebol brasileiro, o Ricardo “Mubarak” Teixeira. Motivo: envolvimento em supostos recebimentos de propina como membro da Fifa, cuja sede fica na Suiça. Ou seja, se a Suiça, que já é um tanto quanto receptiva aos maus costumes, resolve investigar um ato corrupto, é porque aí tem.

E tinha! Ricardo do Teixeira e o ex-presidente da Fifa, João Havelange, receberam dinheiro de propina da ISL, falida empresa de marketing esportivo que detinha os direitos de TV das Copas do Mundo na década de 1990. No total, estima-se que essa brincadeira tenha beirado os US$ 100 milhões. Mas, como estamos falando da Suiça e sua surpreendente legislação, bastou um acordo para resolver a parada. Teixeira devolveu uma parte da grana e ficou por isso mesmo. E, para evitar constrangimentos aos donos do futebol, os documentos da investigação ficaram em segredo de (in)justiça.

No entanto, onde há cheiro de m..., para o azar da Fifa e do R$icardo Teixeira, há jornalistas bem informados. E toda essa história que acabo de contar veio à tona na segunda-feira passada, quando o programa Panorama, da BBC, revelou que o mandatário brasileiro foi forçado a devolver dinheiro de propina. Como era de se esperar, nem Teixeira, muito menos o Ministério do Esporte, que também foi citado na reportagem, se pronunciaram sobre o caso.

Tudo isso aconteceu, é claro, com o conhecimento do presidente da Fifa. O senhor Joseph Blatter, aliás, é outro que a cada dia fica mais vulnerável ao próprio poder. Na frente das câmeras, de olho na eleição presidencial da entidade que ocorrerá dia 1º de junho, defende reformas e o fim da corrupção. Mas, efetivamente, pouco faz. Vale lembrar que ele também está atolado até a cabeça com as suspeitas de suborno para a escolha das sedes da Copa do Mundo de 2018 e 2022, que serão na Rússia e no Qatar, respectivamente.

A luz no fim do túnel dessa história é a Inglaterra, cuja federação de futebol ameaça romper com a Fifa. Isso porque o país, quando candidato a receber a Copa de 2018, recebeu apenas um voto, além do próprio, e denunciou a existência de suborno na entidade envolvendo a candidatura do Qatar. Nada impede que uma nova liga internacional de futebol seja criada. Apesar de isso parecer um tanto quanto distante, seria ótimo surgir uma alternativa às práticas corruptas que irrigam as veias da Fifa.

O certo é que onde há homens e, principalmente, acumulo de poder, há também corrupção. Estamos cheios desses exemplos, que se renovam a cada dia. É certo também que, no final das contas, o torcedor quer mesmo é bola na rede... e para a maioria pouco importa saber quem manda nisso tudo.

Ps: O catariano Mohamed Bin Hammam, que seria rival de Blatter nas eleições de quarta-feira, foi suspenso pelo Comitê de Ética da Fifa por compra de votos. Já Blatter foi inocentado da acusação de saber dos subornos e nada fazer. Ou seja, sendo candidato único, Blatter seguirá na presidência da Fifa até 2015.


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