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segunda-feira, 30 de maio de 2011

Diga com quem andas

Fora os relógios e os chocolates, o que lhe vem à cabeça ao pensar na Suiça? Alpes? Talvez. No momento me vem à mente contas bancárias sigilosas. Aquelas cujo titular é definido por uma longa sequência de números. Pois bem, não é segredo para ninguém que os suíços, assim como a Justiça daquele país, nunca ligaram muito para a procedência dos milhões de dólares e euros depositados em seus cofres.

Mas, sempre há razões para se surpreender. Eis que a Justiça suíça coloca no banco dos réus o excelentíssimo dono do futebol brasileiro, o Ricardo “Mubarak” Teixeira. Motivo: envolvimento em supostos recebimentos de propina como membro da Fifa, cuja sede fica na Suiça. Ou seja, se a Suiça, que já é um tanto quanto receptiva aos maus costumes, resolve investigar um ato corrupto, é porque aí tem.

E tinha! Ricardo do Teixeira e o ex-presidente da Fifa, João Havelange, receberam dinheiro de propina da ISL, falida empresa de marketing esportivo que detinha os direitos de TV das Copas do Mundo na década de 1990. No total, estima-se que essa brincadeira tenha beirado os US$ 100 milhões. Mas, como estamos falando da Suiça e sua surpreendente legislação, bastou um acordo para resolver a parada. Teixeira devolveu uma parte da grana e ficou por isso mesmo. E, para evitar constrangimentos aos donos do futebol, os documentos da investigação ficaram em segredo de (in)justiça.

No entanto, onde há cheiro de m..., para o azar da Fifa e do R$icardo Teixeira, há jornalistas bem informados. E toda essa história que acabo de contar veio à tona na segunda-feira passada, quando o programa Panorama, da BBC, revelou que o mandatário brasileiro foi forçado a devolver dinheiro de propina. Como era de se esperar, nem Teixeira, muito menos o Ministério do Esporte, que também foi citado na reportagem, se pronunciaram sobre o caso.

Tudo isso aconteceu, é claro, com o conhecimento do presidente da Fifa. O senhor Joseph Blatter, aliás, é outro que a cada dia fica mais vulnerável ao próprio poder. Na frente das câmeras, de olho na eleição presidencial da entidade que ocorrerá dia 1º de junho, defende reformas e o fim da corrupção. Mas, efetivamente, pouco faz. Vale lembrar que ele também está atolado até a cabeça com as suspeitas de suborno para a escolha das sedes da Copa do Mundo de 2018 e 2022, que serão na Rússia e no Qatar, respectivamente.

A luz no fim do túnel dessa história é a Inglaterra, cuja federação de futebol ameaça romper com a Fifa. Isso porque o país, quando candidato a receber a Copa de 2018, recebeu apenas um voto, além do próprio, e denunciou a existência de suborno na entidade envolvendo a candidatura do Qatar. Nada impede que uma nova liga internacional de futebol seja criada. Apesar de isso parecer um tanto quanto distante, seria ótimo surgir uma alternativa às práticas corruptas que irrigam as veias da Fifa.

O certo é que onde há homens e, principalmente, acumulo de poder, há também corrupção. Estamos cheios desses exemplos, que se renovam a cada dia. É certo também que, no final das contas, o torcedor quer mesmo é bola na rede... e para a maioria pouco importa saber quem manda nisso tudo.

Ps: O catariano Mohamed Bin Hammam, que seria rival de Blatter nas eleições de quarta-feira, foi suspenso pelo Comitê de Ética da Fifa por compra de votos. Já Blatter foi inocentado da acusação de saber dos subornos e nada fazer. Ou seja, sendo candidato único, Blatter seguirá na presidência da Fifa até 2015.


Segunda

A segunda rodada do Brasileirão 2011 terminou com quatro líderes. São os melhores? Não se sabe, difícil cravar os bons e os ruins em apenas dois jogos. Mas algo curioso está acontecendo. Onde estão o Internacional, com irretocável elenco, e o Cruzeiro, de Montillo e cia? Uma considerável ressaca pela eliminação na Libertadores aparece, meio calada e tímida, como possível explicação. Mas será mesmo?

E quanto ao Vasco, que vem jogando com os reservas, e ontem, no segundo tempo contra o América, de Minas, se deu ao luxo de poupar o meia Bernardo? Duas vitórias sem sequer levar à campo o bom time titular que está na final da Copa do Brasil, onde é favorito. E sim, o Vasco tem bom time. Há anos, o time da Colina não tem elenco tão razoável e capaz de brigar por algo que seja mais que o meio da tabela. Se vai chegar, são outros quinhentos.

À parte isso, há o Corinthians, também com duas vitórias. O time está despedaçado depois da saída de Ronaldo, com Jorge Henrique ainda vivendo do que já fez e dependendo de Danilo e da dupla Liédson e William para tentar almejar algo mais. O adendo é: Alex, no meio, e Emerson, no ataque, poderão dar, quando estrearem - ainda não se sabe quando exatamente -, o que o Corinthians precisa e ainda não tem.


O Atlético-MG, na ponta, não chega a ser surpresa. Dorival Júnior parece ter o time sob controle e, com a subida natural de produção de alguns dos reforços, pode, sim, ficar na briga até o fim. O Botafogo, claro, em situação bem diferente, tenta ainda fazer um time forte. Mas será que Loco Abreu e Herrera, no ataque, e Maicossuel, caso jogue o seu melhor, além das boas contratações de Renato e Elkeson não fazem do Fogão um candidato a, no mínimo, um bom time?

Dos prontos, há o São Paulo, levanto-se em conta, claro, a participação cada vez mais adiada de Luis Fabiano, no ataque. Ele, ao lado do garoto Lucas e Dagoberto, se permanecer jogando assim, aliados à boa estrutura de defesa que o tricolor sempre tem... Como não pensar em briga pelo título? Assim como o Flamengo, que deu de presente o empate ao Bahia, em Salvador. À parte a injusta expulsão de Helder e o penâlti não marcado para o time de Renê Simões, as falhas rubro-negras são as mesmas: não há defesa, a dupla de zaga somente faz testar, a cada rodada, a capacidade cardíaca dos torcedores. E os méritos, também: realmente Luxemburgo acertou a mão no sistema ofensivo. O meio-campo e o ataque, cada vez mais entrosados, já fizeram sete gols, atual melhor marca do Brasileirão.

O Fluminense ainda carece da chegada de Abel Braga para ter, de fato, algo concreto para colocar em campo. Assim como o Santos, que aguarda o tão sonhado título da Libertadores para, enfim, dar atenção mínima ao Brasileirão. Mas a disputa do Mundial pode, de novo, fazer com que Muricy escale o time que apenas ganhou um ponto em dois jogos. Já o Palmeiras... Apenas Kléber e Marcos Assunção não levarão os comandados de Felipão a canto algum, a não ser a segunda metade da tabela.

Destaque da rodada: E não é que o Ceará mostrou que a mágica de Vágner Mancini ainda pode durar... Vencer o Inter, em Porto Alegre, mesmo com o Colarado em má fase, sempre é um feito considerável. O Ceará o fez, foi recebido com um alvoroço no aeroporto na volta para Fortaleza e já desponta como candidato a adversário mais indigesto do Brasileirão. Que o diga Vanderlei Luxemburgo, Ronaldinho, Thiago Neves...

domingo, 29 de maio de 2011

UFC 130 - Lyoto Machida perde sem entrar no octógono


Após vencer a lenda do MMA Randy Couture no último UFC com um histórico "chute do Steven Seagal" (o mesmo que Anderson Silva humilhou Vitor Belfort), o brasileiro Lyoto Machida nem teve tempo para comemorar pois sofreu uma grande derrota no UFC 130 sem nem pisar no octógono. Isto porque o ex-campeão dos meio-pesados estava cotado para disputar novamente o cinturão da categoria contra o "garoto" Jon Jones caso Quinton Rampage Jackson perdesse para Matt Hamill neste sábado. Mas, como se a Lei de Murphy estivesse em vigor, Rampage venceu o confronto e o brasileiro terá que aguardar para tentar vestir novamente o cinturão.

Na verdade, Rampage não conseguiu esta vitória por mera sorte. Antes mesmo de entrar no octógono, ele já era favorito para vencer. Com um bom combate em pé, o americano segurou bem o compatriota Hamill que insistia em levar a luta para o chão. Sem o rival obter muito sucesso em suas tentativas, restou ao astro de Hollywood (segunda profissão que, para mim, o atrapalhou em muitos confrontos) comemorar a esperada vitória. Agora, se Rampage não se preparar bem poderá sofrer uma derrota iminente contra o astro do MMA da vez, Jon Jones, que derrotou o brasileiro Maurício Shogun Rua e tomou-lhe o cinturão (tudo bem que Shogun parecia que tinha acabado de comer uma feijoada, tamanho o seu despreparo físico).

Como Rampage já havia me decepcionado há algum tempo, meu foco na noite era na luta entre o gorducho Roy Nelson e o ex-campeão dos pesos pesados Frank Mir. O início do confronto superou as minhas expectativas e foi muito bom, com Nelson indo para a trocação e Mir abusando do wrestling e causando tremores de terra em Las Vegas ao levar o gordinho ao chão. No entanto, parece que Frank Mir desaprendeu o jiu-jítsu, perdendo posições muito boas e chances incríveis, como se fosse um mero faixa branca. O confronto esfriou no segundo e terceiro round, com os pesados muito cansados. Por isso, após impor uma sequência de quedas em Roy Nelson, Frank Mir levou a melhor em uma decisão unânime dos juízes.

Mas, ao contrário do que muitos esperavam, a principal atração da noite não foi a luta dos pesados nem o main event entre Rampage e Hamill. Dois gigantes com mais de dois metros dentro de um octógono não podia sair coisa boa. E foi exatamente isso que aconteceu. Com um cruzado incrível em um contra-ataque, o americano Travis Browne derrubou o holandês Stefan Struve e fechou o caixão na base de marretadas no rosto do europeu ainda no primeiro round. Poucas vezes vi um lutador terminar uma luta com tanta raiva e ódio em seu olhar.

A decepção da noite ficou por conta dos brasileiros. Thiago Pitbull foi bem em sua luta e equilibrou o confronto diante do americano Rick Story. Mas seu oponente vinha motivado após cinco vitórias consecutivas e dominou praticamente o tempo todo, vencendo por decisão unânime dos juízes. Já no primeiro embate do card principal, o nosso compatriota Jorge Santiago foi nocauteado pelo americano Brian Stann no segundo round.

UFC 131

Depois do UFC 130 ter sido pouco badalado devido lesões de última hora e cancelamento do confronto de Frankie Edgar e Gray Maynard, as expectativas em torno no UFC 131 se multiplicaram. Na luta principal, um brasileiro entrará em cena no dia 11 de junho em Vancouver, Canadá. Junior dos Santos, o "Cigano", enfrentará o americano Shane Carwin, derrotado apenas uma vez em sua carreira. O paulistano Demian Maia, pentacampeão mundial de jiu-jitsu, também está confirmado no card principal contra o japonês Mark Munoz.

UFC no Brasil

Em tempo, o site do UFC já está disponibilizando uma espécie de cadastro para o usuário obter informações sobre a compra de ingressos para o evento que será hospedado no Rio de Janeiro, em agosto. Se eu fosse você não perderia esse evento histórico que contará com as grandes feras brasileiras e mundiais do MMA.


sábado, 28 de maio de 2011

Há exatos 20 anos, Falcão vivia seu melhor dia no comando da Seleção Brasileira

Individualmente, a Seleção Brasileira que entrou em campo naquele 28 de maio de 1991, há exatos 20 anos, era muito boa. Com jogadores já consagrados misturados a algumas apostas que dariam certo e outras que não. Uma delas, aliás, era o técnico, Paulo Roberto Falcão, que vivia naquela temporada, seu último ano, dos dois em que esteve no comando da seleção, só se arriscando na profissão exatamente 20 anos depois.

A partida contra a Bulgária, em Uberlândia, quando o Brasil venceu por 3 a 0, seria a nona de Falcão à frente do selecionado brasileiro. Até então, desempenho pífio, com cinco empates, duas derrotas e única vitória, justamente na partida anterior: 1 a 0 diante da Romênia.

Com o trabalho questionado, mas vindo de uma vitória, Falcão teve coragem para armar um time ofensivo, com três atacantes: os rápidos Almir (do Santos) e João Paulo (do Bari, ex-Guarani), nas pontas e o questionado Careca Bianchezzi (do Palmeiras).

No meio de campo, havia Neto, o melhor camisa 10 da época, ídolo do Corinthians e capitão daquele time no primeiro tempo e dois cães de guarda: Valdir, então jogador do Atlético Paranaense e que mais tarde jogaria em times como Cruzeiro e Atlético Mineiro sob o apelido de ‘Valdir Paulista’, e Márcio Bittencourt, outro corintiano daquele dia.

A defesa tinha, além de Sérgio (o Guedes, hoje técnico e à época, no Santos) no gol, Mazinho (então jogador do Lecce-ITA, mas que brilharia no Palmeiras e na Seleção tetracampeã), Wilson Gottardo e Márcio Santos na defesa, com o já consagrado Branco fechando do lado esquerdo.

Neto foi quem abriu o placar ainda aos 17 minutos e viu, apenas dez minutos depois, o também canhoto João Paulo ampliar o resultado. Minutos antes do terceiro gol aconteceram as primeiras substituições: Luiz Henrique entrou na vaga de Almir e Odair no lugar de Mazinho, pouco mudando a estrutura tática da equipe. Aos 24, Neto ampliou e fechou o placar.

O que se viu depois foi um show de experiências nas diversas substituições. Algumas nada alterou a equipe, como as entradas de Lira no lugar de Branco e Júlio César, já experiente, no lugar de Márcio Santos.

Depois, porém, o time que se mantinha num 4-3-3, variando para o 4-4-2 com a recomposição de Luiz Henrique no meio de campo, ganharia em velocidade com a entrada do craque Denner no lugar de Neto, grande nome do jogo. Pouco depois, Valdeir ‘The Flash’ entrou na vaga de João Paulo.

Com isso, o time de Falcão de 1991, terminou a sua melhor partida jogando num esquema que atualmente é chamado de moderno: o 4-2-3-1, com a linha de três jogadores muito rápidos e sem um pensador do jogo.

O Brasil terminou com Sérgio no gol e capitão do time, Odair, Gottardo, Júlio César e Lira; Márcio e Valdir; Luiz Henrique, Denner e Valdeir; e na frente, Careca Bianchezzi.

Um time, aliás, bem diferente taticamente se comparado ao Internacional de Falcão na primeira partida do Campeonato Brasileiro de 2011, contra o Santos na Vila Belmiro. Vinte anos depois, Falcão optou por ter três volantes (Bolatti, Guiñazu e Tinga) com Oscar e Zé Roberto servindo Leandro Damião, num 4-3-2-1. E só empatou com o time reserva santista...

Ficha técnica: Brasil 3x0 Bulgária

Data: 28/05/1991;
Competição: amistoso;
Local: Estádio João Havelange (Parque do Sabiá);
Cidade: Uberlândia (MG);
Árbitro: José Roberto Wright;
Público: 9.577 pagantes;
Gols: Neto aos 17’ e João Paulo aos 27’ do 1º tempo; Neto aos 24’ do 2º tempo.

Brasil: Sérgio [Santos]; Mazinho [Lecce], (Odair) [Palmeiras],
Wilson Gottardo [Flamengo], Márcio Santos [Internacional]
(Júlio César) [Juventus-Ita] e Branco [Genoa] (Lira) [Goiás]; Márcio [Corinthians], Valdir [Atlético-PR] e Neto [Corinthians] (Denner) [Portuguesa]; Almir [Santos]
(Luís Henrique) [Bahia], Careca Bianchezzi [Palmeiras] e João Paulo [Bari]
(Valdeir) [Botafogo].
Técnico: Paulo Roberto Falcão.

Bulgária: P. Nikolov (I. Ganchev), I. Slavtchev, G. Dimitrov, S. Angelov e I. Kiriakov; A. Dimov, K. Metkov (G. Georgiev), N. Todorov e D. Angelov; A. Kirov, I. Yordanov (P. Alexandrov).
Técnico: Dimitar Penev.

sexta-feira, 27 de maio de 2011

O azarão da vez

Final da Champions. Partida única em campo neutro. Campo neutro? O Manchester jogará na Inglaterra, em Wembley, onde já levantou a taça em 1968. E o caminho das pedras já foi dado pelo Real Madrid na final da Copa do Rei da Espanha. Atuar fechadinho e aproveitar uma bola para matar o jogo. Se há um time no planeta que pode vencer o Barça numa final desse quilate, esse time é o Manchester United. Além de ter o benefício de atuar em apenas uma partida (afinal, bater os catelães em dois jogos é improvável demais), os diabos-vermelhos contam com Rooney, que costuma crescer em decisões, e com o goleiro Van der Sar, 40, que encerra a carreira neste sábado, logo após o apito final.

O Manchester chega invicto à final. Na primeira fase, quatro vitórias, dois empates e a primeira colocação na chave. No grupo C, estavam, além dos comandados de Alex Ferguson, Valencia (ESP), Rangers (ESC) e Bursaspor (TUR). Nas oitavas, um susto contra o bom Olympique de Marselha. Um empate por 0 a 0 na França. E uma vitória apertada na Inglaterra por 2 a 1. Nas quartas, duas vitórias tranquilas sobre o fraco Chelsea. E nas semifinais atuações de ouro do Manchester. Um verdadeiro show sobre o Schalke 04 (ALE) em ambas as partidas. No primeiro jogo, para comprovar o chocolate dos ingleses sobre os alemães, Neuer, goleiro do Shalke, foi o melhor em campo. E olha que a disputa foi em Gelsenkirchen. Veja os melhores momentos:



As casas de apostas britânicas apontam o Manchester como azarão. Apesar disso, serei mais um diabo-vermelho neste sábado. E você, vai com a minoria? Avanti, United! Mas do jeito que eu estou pé frio...

Caminhando e encantando


O que falar do Barcelona? A essa altura do campeonato, sendo o time catalão vencedor ou não da Liga dos Campeões, amanhã, contra o Manchester United, no lendário estádio de Wembley, qualquer coisa soaria como clichê. Melhor time das últimas duas décadas, Messi é brilhante, Xavi e Iniesta são monstros, time toca fácil, joga simples, mantém a bola como ninguém. Com ou sem o caneco, alguém arriscaria dizer que o Barça não é o melhor do mundo?


O fato é que o jogo é decidido dentro de campo e no futebol, ainda bem, nem sempre o melhor vence. A final de amanhã será um jogo histórico, assim como esse time do Barcelona. O estilo de jogo catalão veio para marcar uma fase importante desse esporte. A filosofia é simples: manter a bola nos pés. Desde que Pep Guardiola chegou, há três anos, o Barça não passou uma partida com menos posse de bola do que o adversário. É envolvente.


E foi assim que, jogando e encantando, o Barcelona caminhou até Wembley, onde colocará à prova seu talento. Na primeira fase, em seis jogos, o time catalão conquistou 14 pontos, com quatro vitórias e dois empates. Em seu grupo estavam Panathinaikos (GRE), Rubin Kazan (RUS) e Copenhague (DIN).


Na estréia, contra o time grego, no Camp Nou, o Barcelona logo mostrou a que veio: 5 a 1. Contra o mesmo adversário, fora de casa, Messi e companhia vencerem por 3 a 0. Jogando em casa o Barça venceu outras duas: 2 a 0 sobre o Rubin Kazan e Copenhague. Os resultados contra esses dois times também foram iguais fora de casa: empates por 1 a 1.


O verdadeiro teste para os comandados de Pep Guardiola veio nas oitavas de final, contra o Arsenal. No Emirates Stadium, jogo duro. Sem medo de jogar fora de casa, o Barcelona pressionou o Arsenal e podia ter feito dois ou três gols no primeiro tempo, se não fosse a falta de pontaria de Messi naquele dia. Mesmo assim, ainda na etapa inicial, David Villa abriu o placar para o time catalão. O time londrino, porém, não afinou: virou o jogo no segundo tempo com Van Persie e Arshavin, decretando a única derrota do Barça na Liga dos Campeões até aqui.


No jogo de volta, no Camp Nou, o Barcelona fez o jogo que considero fundamental em sua caminhada. É certo que ainda derrotariam o Real Madrid, com show de Messi; mas foi na vitória contra o Arsenal por 3 a 1, revertendo o placar da primeira partida, que o Barça mostrou toda sua força.



Foram 717 passes do time catalão contra 195 dos ingleses. Ao todo os donos da casa chutaram 19 vezes ao gol. Foi um massacre. Uma aula de futebol bem jogado, coletivamente, com toques curtos e objetividade. Messi ainda fez um gol antológico, dando um chapéu sensacional no goleiro adversário. Nas quartas de final, o Barcelona passeou contra o Shakhtar Donetsk. No Camp Nou, meteu logo 5 a 1 para no jogo de volta, na Ucrânia, vencer por 1 a 0.


Já na semifinal, um clássico para ser humano nenhum botar defeito. Barcelona contra Real Madrid. Messi contra Cristiano Ronaldo. Pep Guardiola contra José Mourinho. Foi realmente histórico. Os jogos em si, no Santiago Bernabéu e no Camp Nou, não foram grandes espetáculos. O nervosismo e a rivalidade à flor da pele tomaram conta do duelo.


Mas no primeiro jogo, em Madri, o mundo viu a melhor atuação individual de Messi na temporada. O argentino abriu o placar aproveitando cruzamento da direita, mostrando oportunismo nato, e decretou o 2 a 0 com um gol histórico, costurando a defesa merengue e tocando na saída do goleiro Casillas. No segundo jogo, empate por 1 a 1, com gols de Pedro e Marcelo. Mourinho chorou como uma criança por conta da arbitragem depois da partida, mas não teve jeito: o Barcelona, merecidamente, estava na final da Liga dos Campeões.


Até a decisão, o Barcelona jogou 12 jogos. Foram oito vitórias, três empates e uma derrota, com oito gols contra e 27 a favor (média de 2,25 gols por partida). Ganhando ou perdendo amanhã, esse time do Barça sem dúvida já entrou para a história do futebol mundial.


quinta-feira, 26 de maio de 2011

On the road to Wembley

Começamos hoje a jornada do "Paixão Clubística" para a final da Champions League deste sábado, entre Manchester United e Barcelona. Os dois times, considerados os melhores do mundo, se enfrentarão no mítico estádio de Wembley, localizado no norte de Londres.

A caminhada para Wembley (ou "on the road to wembley", na versão em inglês) não parece das mais complicadas no primeiro momento. O metrô, ou tube como dizem os ingleses, deixam o espectador há alguns metros do portão principal. Ainda existem diversas linhas de ônibus que levam o torcedor a ruas próximas do estádio e estacionamentos para aqueles que optarem pelo carro. Ou seja, nada que se compare aos caminhos que torcedores brasileiros enfrentam todos os dias de jogo no Morumbi, Castelão, Engenhão e muitos outros.

Na entrada da rua que leva torcedores, funcionários e curiosos para o portão principal do maior estádio da Inglaterra é que a frase, profetizada por jogadores quase como um mantra, se concretiza. A construção fica mais imponente a cada passo em sua direção e é impossível ao menos tentar observar a paisagem no entorno do estádio.

Construído em 1923 para uma exposição sobre o exército britânico, um dos vitoriosos da 1ª Guerra Mundial, o estádio de Wembley foi comprado pelo empresário Arthur Elvin, reformado e transformado na casa da seleção inglesa e local de quase todas as decisões nacionais, por isso a expressão "on the road to Wembley". Isso porque as únicas hipóteses de se jogar no estádio são chegando a uma final ou vestindo a camisa da seleção nacional, conquistas não muito comuns para a maioria dos jogadores e bastante celebradas por todos os atletas quando alcançadas.

Mas existem outras maneiras de chegar à Wembley. Desde o jogo entre Bolton e West Ham pelo final da Copa da Inglaterra, o estádio ainda recebeu jogos de críquete, de rúgbi, campeonatos de atletismo, de corridas de cavalo, além de shows, muitos shows. Os maiores deles são o tributo à Freddie Mercury e o Live Aid, mas também passaram pelo gramado fãs de Michael Jackson, Rolling Stones, Madonna, entre outros. Desde sua inauguração, o estádio de Wembley pode ser nomeado como a mais bem sucedida Arena Multiuso de todos os tempos.

Dentro das 4 linhas se destacam a final da Copa do Mundo de 1966, vencida pela seleção da Inglaterra com o polêmico gol de Hurst na prorrogação, quando a bola atingiu o travessão, quicou na linha e saiu (veja a foto ao lado). Tembém houve as 5 decisões da Liga dos Campeões, uma delas vencida pelo Manchester United em 1968 e outra pelo Barcelona, a última disputada no estádio, em 1992.

Dez anos depois, sob muitos protestos, foi iniciado o processo de demolição do mais nobre estádio do Reino Unido. Não sem antes prestarem uma reverência ao futebol brasileiro. O estádio da Realeza deixou que Pelé fizesse o último gol do antigo Wembley. Ele marcou de pênalti no gol defendido por Gordon Banks. Também foi dos brasileiros a honra de fazer o primeiro jogo entre seleções principais. No empate em 1x1 com os ingleses, quem marcou foi Diego.

O novo estádio Wembley nasceu escrevendo seu nome na história, como não poderia ser diferente, já que precisaria respeitar as tradições do antigo. Com 90 mil lugares, a arquitetura clássica representada pelas duas torres posicionadas na entrada foi substituída por formas arredondadas e um gigantesco arco que, além de lindo e imponente, ajuda na sustentação do teto e possibilita que não existam pontos cegos nas arquibancadas. Para os jogadores, um tapete verde cuidadosamente preservado para grandes jogos. Para os torcedores, um deleite, uma miragem futebolística, um verdadeiro prêmio para aqueles que acompanharam jogos durante uma temporada inteira de seus clubes.

Um outro dado curioso, ainda mais para nós brasileiros, acostumados com a precaridade das estruturas sanitárias, são os 2.618 banheiros dentro do estádio. Para os beberrões, são 34 bares e para os gordinhos 98 cozinhas. Acho que é para compensar toda a caminhada...


Texto por: Matheus Caselatto

quarta-feira, 25 de maio de 2011

As pedras no caminho santista


Quatro clubes de países diferentes começam a se degladiar em busca da tão cobiçada taça da Libertadores da América. Representando os quatro principais futebóis da América do Sul, Santos, Cerro Porteño, Peñarol e Vélez Sarsfield carregam para dentro de campo a identidade futebolística de suas nações.

O Santos dispensa apresentações. Um time técnico, com excelente toque de bola, que mescla muito bem experiência e juventude. Com o terceiro maior jogador do mundo em seu elenco, o alvinegro da Vila Belmiro é favorito ao título da principal competição do continente. Vamos ao raio-X dos candidatos a pedra no caminho do Peixe:

O primeiro candidato a carrasco santista é o Cerro Porteño. O time paraguaio tem sido um visitante indigesto nesta Libertadores. Até o momento segue invicto fora de suas divisas - a derrota para o Santos em casa, aliás, foi a única da equipe. O Cerro poderia muito bem ser treinado pelo Tite, pois é um time equilibrado e que empata muito.

Os paraguaios jogam com duas linhas de quatro, num sistema tático defensivo, explorando os dois atacantes grandalhões, Fabbro e Nanni. Com sete gols, um deles contra o Santos, Fernando Nanni é um dos artilheiros da competição ao lado do cruzeirense Wallyson. O jovem argentino Iturbe, no banco, é outra arma porteña. A equipe azul grená entra em campo também para mudar o curso da história, pois tenta avançar pela primeira vez à final.

Já o Peñarol é um time cascudo. Os uruguaios têm uma ótima jogada de linha de fundo, sempre procurando o centroavante Juan Oliveira, que já fez cinco gols na competição. Outra jogada característica do Peñarol é o contra-ataque. O time faz a conexão defesa-ataque com muita velocidade, geralmente comandado pelo outro atacante do time, Martinuccio, um canhoto de qualidade que dizem estar contratado pelo Palmeiras. O escanteio, cobrado ora por Albin, ora por Aguiar, costuma dar calafrios aos adversários.

O líder do campeonato argentino, Vélez Sarsfiel, é certamente o adversário mais qualificado. Um time rápido e encardido. Tipicamente argentino. Com aquele jeito de jogar que o Galvão tanto fala: o "toco e me voy". Com um ataque muito forte, comandado pelo Santiago 'El Tanque' Silva, o Vélez é daqueles times que joga e deixa jogar. As chegadas do meia Fernandez e a categoria do ligeiro Maxi Morales, goleador do time na competição, com cinco gols, são outras das armas do Vélez.

Apesar de tradicionais, os semifinalistas não vencem a Libertadores desde 94, quando o Vélez fez a festa em pleno Morumbi, sob o comando do polêmico goleiro Chilavert. O quarteto detém oito títulos da Libertadores, dois com o Santos e cinco com o Peñarol.

River Plate comemora 110 anos sem clima de festa

Rebaixamento. Uma palavra que deveria ser proibida de pronunciar dentro de um time grande. Dói só de pensar, só de prever...vivenciar então, como dói. Claro que, pelo menos no Brasil, alguns casos de queda para a série inferior podem ser considerados positivos, por mais sarcástico que possa parecer.

Contudo, caros leitores, não é do futebol tupiniquim que quero me referir neste texto, sim dos nossos “queridos hermanos”. Para ser ainda mais enfático, o assunto em pauta é o River Plate. Ao mesmo tempo em que comemora seus 110 anos nesta quarta-feira, o tradicional clube argentino vive dias de drama. Um drama digno do evolutivo cinema argentino: A luta contra o inédito rebaixamento no campeonato nacional.

Ao olhar a classificação do torneio apertura, no entanto, vemos o clube presidido por Daniel Passarela na quinta colocação, bem longe da temível “zona da degola”. O fato é que, no campeonato argentino, o regulamento faz de tudo para que os considerados “grandes” não caiam. A média de pontos das últimas três temporadas é o que determina quem desce. O péssimo desempenho do River Plate em 2008/2009 e 2009/2010 justifica a inusitada situação atual.

Para complicar ainda mais, o goleirão Juan Pablo Carrizo vive uma fase digna de Didi, Dedé, Zacarias e Mussum. Há algumas rodadas, por exemplo, fez uma tremenda lambança que rendeu a derrota ao rival Boca Juniors. Abro um parêntese (River Plate e Daniel Passarela em maus lençóis. Preciso dizer qual torcida do Brasil deve estar se deliciando com a fase de “las gallinas”?)


Como de costume em meus textos no Paixão Clubística, procurei algum conhecedor da história do River Plate para comentar sobre a fase do clube. Rafael Duarte, responsável pela cobertura do time no portal Futebolportenho.com.br, nos atendeu de forma bastante solícita. Acompanhe o bate-papo.

P.C: Rafael, nesta quarta-feira o River Plate completa 110 anos. Acredita que este seja o momento mais complicado da história, ou houve outros?

R.D: Não é o momento mais complicado da história do River. O jejum de 1957 a 1975 foi muito pior, especialmente porque foi os anos de ouro de rivais como Boca (anos 60) e Independiente (o Rey de Copas nos anos 1970). A crise atual é marola perto do que foi os anos 1960 para a hinchada millonaria

P.C: Como tem sido o trabalho do Daniel Passarella à frente da presidência do clube?

R.D: Apesar da crise, Passarella está se desdobrando em um clube cheio de dívidas em dólar em um país que não possui uma economia tão sólida. O clube continua revelando jogadores (boa parte das seleções argentinas de base são do River) e ídolos continuam vestindo a camisa. Assim, Passarella consegue fazer uma administração nota 7,5. Sò não é nota 8 por causa dos problemas em escolher técnico.

P.C: Qual você acredita que seria a reação do torcedor do clube em caso de rebaixamento?

R.D: O torcedor millonario nem pensa em rebaixamento. Isso não é uma condição para a hinchada. Caso ele seja rebaixado, o que duvido, o torcedor provocará uma revolução no River Plate, sem dúvida, mas jamais abandonará a equipe na Segunda Divisão e nem deixará a memória do "El más grande" ser manchada por tal ato.

terça-feira, 24 de maio de 2011

A música entra em campo e conta como Moreira da Silva salvou o Rei Pelé



Considerado o último malandro a moda antiga e um dos precursores do samba-de-breque, Moreira da Silva (1902-2000) tem uma importância fundamental no título da Seleção Brasileira em 1970, no México. Mais especificamente na partida contra a Inglaterra.

Pelo menos, Morengueira tinha essa importância na cabeça do jornalista e compositor Miguel Gustavo, um dos parceiros mais importantes de Moreira. Foi dele a ideia de criar essa faceta heróica ao sambista. Antes de ser agente secreto e salvar Pelé, o malandro já tinha dado as caras no velho oeste encarnando a figura do justiceiro Kid Morengueira. Anos mais tarde seria gangster e acabaria com a quadrilha de Al Capone e depois daria um pulo no Brasil para ser o Rei do Cangaço.

O enredo do samba é que Bond, James Bond, recebe a missão de sequestrar Pelé para que a Inglaterra tivesse o caminho mais fácil no mundial de 1970, tendo assim, maiores chances de se sagrar bicampeã.

Acompanhando 007 estava Claudia Cardinale. Os dois se hospedam na concentração do Santos e, à beira da piscina, o rei do futebol e a atriz protagonizam um romance que deixa Bond furioso. O inglês tira o soco inglês e parte para cima de Pelé. Mas ele não contava com o agente brasileiro Moreira da Silva que, além de salvar o camisa 10, prender o maior agente do mundo no DOPS e desperta o amor de Cardinale após um dia de pif-paf no Guarujá e uma bela pizza no Brás.




No fim das contas o Brasil derrotou a Inglaterra na Copa de 70 pelo placar de 1 x 0, gol de Jairzinho após passe de Pelé. Naquele mesmo ano, Miguel Gustavo assinaria uma composição mais conhecida do torcedor nacional: “Pra Frente Brasil”.

Salve Morengueira e o samba-de-breque, Miguel Gustavo e Pelé, é claro! Semana que vem tem mais!

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Dada a largada

Apesar da desconfiança de seus torcedores e da possibilidade de terminar mais um ano sem títulos, o Trio de Ferro começou o Brasileirão com o pé direito. Sem atuarem na capital, Corinthians, São Paulo e Palmeiras – o único que jogava como mandante – venceram e deram algum alento aos seus torcedores.

Os pés de Kléber Gladiador, mais uma vez, garantiram os três pontos para o Verdão. Provavelmente o ídolo será responsável por fazer com que o alviverde sonhe bastante antes de admitir que somente a Sul-Americana pode salvar o ano.

Em Porto Alegre, o Coringão ganhou de virada, que é mais gostoso. Pelos lados do Parque São Jorge sabe-se que quando Liédson balança a rede, a fiel comemora. Mas é fato que o Levezinho precisa de companhia. O Sheik chega com o desafio de ser garçom e coadjuvante de Liédson e Adriano. Já Willian Xororó evidenciou que é um típico jogador de segundo tempo.

Assim como os rivais, o São Paulo também contou com seus principais nomes para superar o atual campeão brasileiro. Dagoberto e Lucas, um ataque que dará muita canseira nas defesas adversárias, fizeram os seus e exploraram a lentidão da dupla Gum e Leandro Eusébio. Sem os três zagueiros – contundidos – o Tricolor jogou cheio de remendos e saiu esbanjando união de São Januário.

O Trio de Ferro ganhou de times de nome, mas não há como negar que Flu, Fogo e Grêmio estão com equipes bem razoáveis. O Fluzão ainda tem Conca e Fred, mas os demais terão um Brasileirão um tanto sofrido. Nesse campeonato em que somente cinco times têm outra competição para se dedicar, a temperatura começou morna, mas não deve demorar muito para esquentar.

Destaque da rodada: A melhor atuação de Ronaldinho desde que retornou ao país foi o ponto mais positivo da largada do Brasileirão. Além do belo gol, capaz de fazer os mais exaltados compararem aos dos tempos de Barça, o R10 deu caneta, passe para gol, mostrou vontade e pareceu querer dar uma resposta à ausência na lista de Mano e nas manchetes dos jornais.


sexta-feira, 20 de maio de 2011

Inverno e Brasileirão

Fábio Júnior é a esperança de gols do América-MG. Será que ele pede a música?

Neste sábado (21), após longos e tenebrosos estaduais, o certame nacional está de volta. Dez jogos por rodada no torneio mais equilibrado do mundo. Na sua 41ª edição, o Campeonato Brasileiro chega ainda mais charmoso, com clássicos de cabo a rabo. E o Paixão Clubística preparou um especial pra você entender quem realmente tem a chance de levantar a taça e quais são os times que amargarão o descenso no fim do ano.

América-MG
O destaque do Coelho é o veterano Fábio Júnior. Meu Deus! E o pior é que ele foi artilheiro do Campeonato Mineiro com 13 gols. Para o América-MG, depois de ficar dez anos longe da Série A, permanecer na elite do futebol nacional já será um título. Mas não acho que tenha banca pra isso. Deve cair.

Atlético-GO
É outro que dá adeus à Primeira Divisão. Os destaques do time são o bom goleiro Márcio e o treinador PC Gusmão. Campeão estadual, se realmente for rebaixado, ficará clara a crise pela qual passa o futebol goiano.

Atlético-MG
Mais uma temporada em que o clube não passará de uma Sul-Americana. O plantel é bom. Mas o Galo não tem cara (e nem nome) de campeão. Dorival Júnior pode fazer com que o time tenha boas atuações. Acredito no Atlético-MG como o cavalo paraguaio da competição.

Atlético-PR
Com Adilson Batista no comando, o Furacão deve jogar pra frente. A eliminação para o Vasco na Copa do Brasil mostrou que o time ainda vive altos e baixos, principalmente fora de casa. Jogando na Arena da Baixada, o Atlético-PR é sempre favorito. Mas quando atua como visitante vai mais uma vez depender das bolas paradas de Paulo BeckenBayer. Trazer Cléber "Feijoada" Santana foi um erro. Vai brigar pra não cair.

Avaí
Será um dos finalistas da Copa do Brasil. Time que sabe jogar com a bola nos pés, mas que tem deficiências na marcação. Na Ressacada, vai complicar os grandes. Jogando fora e arrumando um ou outro empate, deve ficar numa posição intermediária na tabela. O cérebro do time será, pra variar, Marquinhos. Silas fez bem de voltar ao clube. Em Floripa, o pessoal tem paciência com ele.

Bahia
O filósofo René Simões tem Jóbson e Souza no ataque. Em times de menor expressão, a dupla pode dar certo. Bahia briga pra não cair. Mas a fase do futebol baiano é de arrepiar orixás.

Botafogo
Tem gente que fala que o Fogão é time grande. Talvez fosse em 95. Hoje não é mais. Vai brigar pra não cair porque Loco Abreu já não é mais o mesmo, porque Maicosuel tenta ser alguém e ainda porque o goleiro Jefferson nunca foi ninguém. O bom técnico (e ex-estagiário) Caio Júnior, que sabe trabalhar com elencos limitados, é a esperança dos alvinegros cariocas.

Ceará
Tem a torcida mais espetacular do Brasil, a Cearamor. Se não desperdiçar pontos contra times que vão lutar pra não cair, principalmente quando atuar em Fortaleza, o Vovô garante vaga na Sul-Americana. Wágner Mancini precisa de um substituto para o velho meia Geraldo, de que a sorte continue ao lado de Washington Orelinha e de atuações firmes do goleiro Fernando Henrique.

Corinthians
Com a chegada do meia Alex, ex-Internacional e que estava no futebol russo, o Timão não deve se preocupar com o rebaixamento. Uma vaga na Sul-Americana fica no Parque São Jorge. Se Adriano e Emerson resolverem entrar em campo, o Coringão pode beliscar uma vaga na Libertadores. Apesar de que eu nunca sei se é bom para o Corinthians disputar a principal competição do continente.

Coritiba
Se chegar à final da Copa do Brasil, deve manter o foco no torneio e esquecer um pouco do Brasileirão. Apesar de ser a sensação da temporada até aqui, o Coxa ficará numa posição intermediária na tabela do Nacional. O destaque é o conjunto. Sem nenhum craque, o Coritiba deve mesmo focar todas as suas forças na competição mata-mata. Não tem elenco pra brigar pelo título em disputa por pontos corridos.

Cruzeiro
Cuca precisa manter a estabilidade emocional. Com Montillo em fase espetacular há pelo menos dois anos, a Raposa é favorita. Ainda mais agora que foi eliminada da Libertadores. A equipe poderá focar apenas no Brasileiro.

Figueirense
Esta é a grande incógnita do Brasileirão. Jorginho como treinador (eca! argh!) e Lenny, o menino de vidro, como grande estrela... O que esperar do Figueira?

Flamengo
Depois de fazer bela partida contra o Ceará, em Fortaleza, a torcida do Mengão parece estar confiante. Ronaldinho Gaúcho não é mais o mesmo, mas seus lampejos de genialidade credenciam o Rubro-negro a lutar por uma vaga na Libertadores.

Fluminense
O atual campeão garante vaga na Sul-Americana. O desvio na curva do ano passado tem nome: Muricy Ramalho. Fred é craque, mas machuca muito. Conca já não está na boa fase do último ano. Um time que deixa Cavalieri no banco de Berna não pode ganhar nada no ano. E não acredito que Abel Braga tenha capacidade de mudar muita coisa.

Grêmio
Em qualquer torneio que tem Grêmio como participante é melhor se preocupar. O Boca Juniors brasileiro é um time difícil demais de ser batido, principalmente no Olímpico. Borges, que deve ser dispensado, é uma boa alternativa para clubes que precisam de um centroavante. Sempre gostei dele, mas pelo visto questões pessoais impedem o atleta de render tudo o que pode.

Internacional
A eliminação para o Peñarol na Libertadores ficou menos dolorida após a conquista do Gauchão. D`Alessandro é o maestro do time. Com ele em boa fase, o Inter vai longe. Tudo isso se o aprendiz Falcão não atrapalhar. O ex-Global não me passa nenhuma confiança. Técnico tem que gritar.

Palmeiras
Com o elenco que tem, é time pra ficar, mais uma vez, entre os dez primeiros. Felipão deve mais uma vez focar na Sul-Americana, que dá vaga na Libertadores e é disputada no formato de mata-mata, especialidade do treinador. Se o Mago "Fibrose" Valdivia resolver jogar e Felipão parar de inventar Rivaldos e Luans, o Verdão pode alçar voos mais altos. O Palestra Itália está fazendo falta.

Santos
O melhor clube do Brasil conta com o terceiro melhor jogador do mundo. O pequeno-deus Neymar tem feito chover. Jogador diferenciado que pode decidir a partida em um lance. Outro diferencial: o multi-campeão Muricy está na Vila. Santos é favorito ao título mesmo se conquistar a Libertadores.

São Paulo
A diretoria já não é mais padrão pra nada. Depois da lambança no caso Carpegiani, o Tricolor lutará, como sempre, por uma vaga na Libertadores. Lucas precisa mostrar a que veio. E William José tem que ser titular. Com Alex Silva na zaga e em péssima fase, o SPFC pode penar um pouco mais.

Vasco da Gama
É o único dos ditos grandes nas semifinais da Copa do Brasil. Mas já foi muito longe. Diego Souza pode ser o ponto fora da curva de um time mediano. Lutará por uma vaga na Sul-Americana. Ricardo Gomes é um dos que não terminarão o campeonato no comando do mesmo clube

quinta-feira, 19 de maio de 2011

O sul-americano Porto dos recordes

Não é novidade para ninguém o excesso de jogadores estrangeiros que figuram as principais equipes europeias. Ano passado, a Inter de Milão, campeã da Champions League, não trazia no seu time titular sequer um jogador italiano.


O Porto, novo campeão da Europa League (torneio continental secundário), é outro exemplo de legião estrangeira, com um elenco repleto de sul-americanos. O time conta com diversos colombianos, argentinos e uruguaios.




A presença de jogadores brasileiros também é considerado ingrediente fundamental para um time campeão. No Porto, isso acontece desde os tempos de Cabral. A última vez que o time conquistou o Velho Continente, sob o comando de Mourinho, Deco e Carlos Alberto foram os heróis.




Desta vez, a principal participação de um jogador nosso não foi balançando a rede, mas sim numa bela defesa de Hélton no começo da segunda etapa. Foi o gol solitário do colombiano Radamel Falcão Garcia que garantiu a festa portuguesa com certeza.




Falcão foi considerado o jogador da decisão, única e exclusivamente por fazer o gol do título. A partida mesmo foi de baixo nível. Fazendo o que lhe é ofício, o colombiano virou história. As 17 vezes que sacudiu o filó deixaram para trás o recorde de outro goleador nato: o alemão Jürgen Klinsmann.




Além da dupla Falcão e Hulk, que marcou gols em 40 dos 53 jogos do time na temporada, outro segredo do campeão está sentado no banco de reservas – e às vezes em pé na área técnica: chama-se André Villas Boas. Auxiliar de José Mourinho entre 2002 e 2009 e frequentemente comparado ao mestre, o treinador também citou Pep Guardiola e Bob Robson como gurus.




Naquele papo de que um dia o discípulo sempre supera o mestre, Villas Boas tentará na próxima temporada ao menos igualar Mourinho, campeão da Champions League um ano após levantar o troféu da Copa da Uefa, hoje chamada de Europa League. Neste ano, cabe comemorar o fato de ter montado um time aniquilador de recordes.




Veja abaixo a lista de recordes quebrados pelo Porto:







  • Maior número de partidas invictas da história do clube, com 36, superando as 33 de José Mourinho.




  • Maior número de vitórias de um time português na Europa League, com 14.




  • Após 70 anos, o Porto teve o artilheiro e o vice-artilheiro do campeonato nacional. Hulk (23 gols) e Falcão (16).




  • Maior aproveitamento da história do Campeonato Português, com 84 pontos conquistados de 90 possíveis. Campeão Português invicto com 27 vitórias e 3 empates.




  • Maior vantagem sobre o segundo colocado, o Benfica, 21 pontos.




  • Maior sequência de vitórias consecutivas, 16.

Bola ao alto para as finais da NBB

Nesta quinta-feira os mais apaixonados pelo Basquete começam a saborear a tão esperada decisão da NBB (Novo Basquete Brasil). Aos mais leigos, vale uma breve explicação: Podemos chamar este jogo de "a final nacional do basquete brasileiro", que na ocasião será disputada entre Franca e Brasília.



A primeira partida da decisão será no Distrito Federal, no ginásio Nilson Nelson. Do lado paulista, além da melhor campanha da competição, outro fator pode ser decisivo: Hélio Rubens. O vitorioso treinador busca mais um título para o basquete de Franca, cidade que vive o esporte com mais fanatismo até mesmo que o futebol.

Já o Brasília é nada mais nada menos que o atual campeão da NBB (venceu o Flamengo na decisão de 2010). Assim como a equipe de São Paulo, o time da capital federal também conta com o apoio uma torcida fervorosa. Do plantel que levantou o caneco em 2010 há algumas mudanças e a principal delas está no comando técnico. Para o lugar do conhecido professor Lula Ferreira, chegou o não tão experiente José Carlos Vidal.

Apesar de o primeiro jogo ser em Brasília, Franca pode decidir em casa. Para saber um pouco mais do ambiente desta decisão, o Paixão Clubística procurou Lula Ferreira, o atual campeão da NBB e hoje gerente técnico da Liga Nacional de Basquete.












P.C: Lula, como está o clima em Brasília para o primeiro jogo desta decisão?

L.F: Como você disse, é de decisão. A imprensa tem feito uma cobertura muito ampla sobre o jogo. Não há mais ingressos para a primeira partida.

P.C: Como é para você, que no ano passado era o treinador do Brasília, acompanhar esta decisão hoje como um espectador?

L.F: Em primeiro lugar estou muito feliz no cargo de gerente técnico da LNB. Ao longo da competição eu fui a vários jogos do Brasília, então acho que já me acostumei com esta situação.

P.C: Na sua opinião, há um favorito para esta série?

L.F: Isso não existe. Ao longo do campeonato as duas equipes provaram serem muito iguais. Teremos dois ginásios lotados e as torcidas vão fazer a diferença. São dois times com características técnicas diferentes, mas um poder tático igual.

P.C: O fato de Franca poder decidir em casa não dá a ela uma certa vantagem?

L.F: Estrategicamente Brasília tem um lado mais arriscado. Se Franca ganhar o primeiro jogo já ganha uma vantagem gigantesca. Se Brasília ganhar faz a obrigação e não leva vantagem. É complicado.

P.C: O fator Hélio Rubens pode fazer a diferença?

L.F: Lógico que a experiência do Hélio e os títulos que tem é sacanagem de ser comparado com qualquer outro técnico brasileiro. Porém, os dois times estão muito acostumados a jogarem juntos, o técnico não tem um peso tão grande assim.

P.C: E qual é o trabalho do gerente técnico na Liga Nacional de Basquete nesta decisão?

L.F: Um dia antes do jogo reunimos integrantes das duas equipes e fazemos uma reunião juntamente com a arbitragem. Deixamos claro a todos quais são as normas de conduta de uma final como esta.

terça-feira, 17 de maio de 2011

Naufrágio tricolor - cap II

Assim que desembarcou no porto, o presidente da nau são-paulina, Juvenal Juvêncio, provavelmente na brisa de um uisquinho, falou que a situação entre Carpegiani e Rivaldo havia ficado insustentável. Apertado pela imprensa, chegou até a declarar que, se fosse necessário, flertaria inclusive com comandantes empregados. Nessa hora, devia estar com o mestre Cuca na cabeça.

O treinador cruzeirense estava realmente preparando o pescoço para a forca. Depois de fazer o barco azul navegar de vento em popa na Libertadores, Cuca viu tudo ir por água abaixo numa noite frustrante, que terminou com a eliminação para o Once Caldas. Após perder a primeira final do Mineirão para o arquirrival, Cuca se tornou o alvo preferido do São Paulo.



Apesar da torcida de Juvenal, o Cruzeiro costurou a vela e voltou a navegar com confiança. “E agora Juvenal ?”, perguntavam os mais próximos. Ele olhou para um lado, olhou para o outro, entrou na internet e percebeu com a enquete do Paixão Clubística que realmente as alternativas estavam pra lá de escassas. E o que fez Juvenal? Voltou atrás.



Fez Rivaldo e Carpegiani se desculparem, deu uma multinha aqui, outra ali e pronto, tudo resolvido. Mas será que tudo está realmente numa relax, numa tranquila, numa boa? Quantas rodadas Carpegiani irá aguentar? Dentro do clube muitos desconfiam do trabalho dele, na torcida ele é mais que contestado, mas isso tudo até que é normal no meio futebolístico. Acho que a missão mais difícil para o Carpa será reverter os olhares descontentes do elenco tricolor.



De volta ao leme, o barco tricolor volta a viajar com o comando dos pulsos inseguros de Paulo César Carpegiani. Aguardemos o próximo capítulo da viagem são-paulina. O Brasileiro promete ser longo pelos lados do Morumbi.



Por conta da mudança de rumo, tiramos do ar a pesquisa que perguntava quem seria o próximo treinador do São Paulo. Até então, Ney Franco liderava, com a maioria dos votos.


Quanto tempo durará?

O Grêmio Barueri, esse novo clube que chegou à elite do futebol estadual e nacional, conseguindo oito acessos de divisões em impressionantes dez anos, deixou na grande São Paulo sua curta história para migrar cerca de 560 km rumo a Presidente Prudente, no interior paulista. Como fora informado que a prefeitura de Barueri não manteria mais o clube, dirigentes e governantes de Prudente fizeram uma proposta para que o Grêmio passasse a ser Prudente.



No início de 2010, a caravana chegou a “calorenta” cidade encontrando toda uma estrutura pronta. Centro de treinamento, alojamento, estádio. Porém faltava a cereja do bolo, o principal patrimônio que um verdadeiro clube pode ter, independentemente do esporte: o seu torcedor. Com a pior média de público do Brasileirão passado, 4.984 pagantes por jogo, o Prudente é reflexo da sociedade brasileira. A paixão por um clube não vai e vem em um simples estalo, ou uma canetada dos engravatados.



O Grêmio “itinerante” conseguiu vencer seu prazo de validade em exato um ano e quatro meses de história. Disputou quatro campeonatos de relevância nacional, dois Estaduais, um Campeonato Brasileiro e a Copa do Brasil deste ano.






Em seu primeiro desafio conseguiu um terceiro lugar no estadual de 2010, perdendo nas semifinais para o surpreendente Santo André. Naquele time o destaque era o experiente volante, hoje no Palestra, Marcos Assunção.



Mas o sol, antes forte, começou a se esconder atrás das nuvens em Presidente Prudente. O Grêmio da cidade foi rebaixado sucessivamente no Brasileirão 2010 e no Paulista deste ano. Seu último suspiro de existência foi uma vitória nas oitavas-de-final da Copa do Brasil 2011 contra o Atlético-MG, logo esquecida pela eliminação para o Ceará na fase seguinte.










Aqui jaz um clube no futebol brasileiro! É isso mesmo, caro leitor do Paixão Clubística. O Grêmio Prudente não existe mais. Pegou seus cacarecos e voltou a sua cidade natal, Barueri, sem deixar nenhuma história ou saudades ao futebol tupiniquim.



Não mais a prefeitura, mas um grupo de empresários trouxe seu filho pródigo de volta ao berço. Com o projeto sendo coordenado pelo ex-preparador físico da seleção brasileira, Moraci Sant`Anna, o “novo velho” Barueri já possui um treinador, Sérgio Soares, e data marcada para a reestreia, 20 de maio, no Serra Dourada contra o Goiás, pelo Campeonato Brasileiro da Série B.


O Grêmio Barueri tenta, novamente, iniciar uma história no futebol. Espero que ele não siga ao pé da letra seu nome, Grêmio Barueri Futebol Limitado. Porque, assim, a caravana nômade terá que buscar um novo lar para viver e se alimentar.


PS: os valores da negociação de volta do Grêmio para Barueri não foram divulgados. O clube resolveu voltar para a grande São Paulo porque a prefeitura de Prudente não queria mais financiar a equipe. Barueri, então, aceitou investir novamente no time.

Os campeões estaduais de 2011 e a boa música

A música entra em campo mais uma vez. Agora, viajando o Brasil para homenagear os campeões estaduais com belas composições ou interpretações de seus torcedores ilustres.



O Flamengo foi quem comemorou primeiro e, por isso, abre a lista musical. O Samba Rubro-Negro foi composto por Wilson Batista e Jorge de Castro nos anos 50 e embalou o tricampeonato do clube de 53/54/55. Em 1979, João Nogueira substituiu “Rubens, Dequinha e Pavão” por “Zico, Adílio e Adão” e regravou o samba exaltação ao clube de coração. Uma verdadeira Paixão Clubística do carioca.




Já que falei em Wilson Batista, não vou deixar Noel Rosa – seu adversário na polêmica musical- de fora. É que Paulo Miklos, torcedor do Santos, Campeão Paulista, está com um trabalho junto ao Quinteto em Branco e Preto revisitando a obra do gênio. Então, aos santistas, Paulo Miklos cantando o que restou da faculdade de medicina de Noel, o “Samba Anatômico – Coração” e “Feitio de Oração”, composto junto ao paulista Vadico.




Para fechar as homenagens aos campeões da região Sudeste, o cruzeirense deve se orgulhar por ter um torcedor como Milton Nascimento. Quando a grande mídia colocaria o Samuel Rosa com o Skank para cantar “Uma Partida de Futebol”, o Paixão Clubística vem com Bituca – apelido do compositor- e “Canção do Sal”, gravada por Elis Regina em 1966.




Lá nos pampas o campeão foi o Inter. Acontece que eu não gosto do Internacional e, para piorar, não achei nenhum compositor Colorado. A homenagem fica mesmo para o Grêmio com o grande Lupicínio Rodrigues, autor do hino tricolor, cantando “Nervos de Aço” no programa Sambão, em 1973.




Esse vídeo não estava no planejamento, mas confesso torcer para o Santa Cruz em Pernambuco e curtir bastante o som das alfaias do maracatu. A homenagem vem com essa gravação de Chico Science – torcedor Coral- e Nação Zumbi em 1994, interpretando “Monólogo ao pé do ouvido” e “Banditismo por uma questão de classe”.




Para finalizar, não tem como deixar de homenagear o Bahia de Feira de Santana e o campeonato baiano. Como não conheço nenhum compositor que seja torcedor do campeão do estado citado, mas gosto muito dos sambistas de lá, vamos com Riachão e o samba “Eu Vou Chegando” que, com certeza, agradará a todos.




Um abraço e até a próxima semana quando conheceremos o dia em que o mestre do samba de breque, Kid Morengueira salvou o rei Pelé!

segunda-feira, 16 de maio de 2011

A magia do futebol que sempre encantou o Brasil

Dentro e fora do alçapão, o Santos mostrou que o futebol arte além de agradar a todos pode sim ser vencedor. E não dá para negar que a Vila mais famosa do Brasil merecia há tempos a glória de uma final de campeonato, da conquista, da comemoração inflamada de mais uma geração de garotos que brilha à luz de seus holofotes.

A segunda conquista em três finais seguidas mostra que o Peixe sabe valorizar o Paulistão e tem feito dele combustível para outras conquistas. No caso, a Libertadores. O Santos segue forte na luta pela terceira estrela e muito em breve podemos acompanhar algo que se anuncia como a tônica dos próximos anos: Neymar dando show, levantando a taça e celebrando feito um moleque. Tomara que assim seja – principalmente com a camisa da Seleção.

Por não ser o maior rival de nenhuma equipe no país, o alvinegro da Vila Belmiro sempre contou com a simpatia do Brasil inteiro. O Santos de Pelé levava multidões aonde quer que fosse, tanto que preferiu ser campeão Mundial de 1963 no Maracanã lotado – feito igualado apenas por dois times, o Uruguai em 1950 e o Corinthians em 2000.

Primeiro nos tempos de Robinho e agora com Neymar, o Peixe está novamente nas graças do brasileiro, acostumado a ver brotar craques no solo fértil da baixada santista. Parabéns ao Santos, por alegrar os domingos de futebol e pelo bi campeonato Paulista, vencido com méritos.

Outros Estaduais

Enquanto muitos vão contra os estaduais, sigo sendo favorável a preservação dos campeonatos. Por fazer parte da cultura futebolística nacional e por colocar os rivais cara a cara. Os estaduais trazem para dentro de campo a rivalidade da padaria, da escola, do trabalho, aquela que faz a derrota ser amarga, a segunda-feira ser ainda mais difícil de acordar.

E como doeu o timbre do despertador na manhã dos atleticanos e dos tricolores gaúchos, ambos com a vantagem na mão após a primeira partida. No Sul, o Gre-Nal dos desesperados terminou com festa colorada em pleno Olímpico. Um pouco de ar para o técnico Falcão. Em Minas, a festa cruzeirense amenizou por ora a dor da queda precoce na Libertadores. Sorte do Roger, que festejou como se fosse um Copa do Mundo, esquecendo do cartão vermelho logo na primeira etapa do jogo da eliminação do Cruzeiro.

Em Goiás e na Bahia deu Davi contra Golias. Atlético-GO e Bahia de Feira derrubaram Goiás e Vitória, respectivamente. Mas nenhuma festa foi tão bonita quanto a do Santa Cruz. Na Série D há algum tempo, o torcedor do Santa contou as horas para o grito de campeão, e ele dentro do Arruda lotado. Festa inesquecível para os tricolores comandada pelo técnico Zé Teodoro, ex-jogador do São Paulo, e pelo centroavante Gilberto, que chegou a falar no canal Sportv como reforço corintiano, mas que está próximo de acertar com o Internacional.

sábado, 14 de maio de 2011

Favas contadas: perder clássico desestabiliza

A primeira enquete do Paixão Clubística está encerrada. Para a maioria dos leitores apaixonados (ou apaixonados leitores), o Palmeiras tomou uma sacolada do Coritiba porque foi eliminado pelo seu arquirrival, o Corinthians, do Campeonato Paulista. A omissão da diretoria também foi um dos pontos mais votados.

Phil's good... bye



Estava eu a caminho do ponto de ônibus, na chuvosa sexta-feira 13 de ontem, quando tocou meu celular. Pela segunda vez em menos de uma hora, atendi e ouvi a voz ansiosa do camarada Tuca:



- Cara, tive uma ótima ideia.


- Manda – retruquei.


- Na verdade é uma ótima ideia pra você!


- Hahaha, fala Tony.


- Você podia fazer um texto pro PC sobre a aposentadoria do Phil Jackson.


- O que? – perguntei surpreso – Ele se aposentou?


- É cara. Os Lakers foram varridos nos playoffs e o Phil se aposentou.


De fato, eu estava bem mal informado. Afinal, o lendário treinador Phil Jackson já havia dado sinais de que iria pendurar a prancheta. E a previsão se consumou no domingo passado, quando os Lakers perderam para o Dallas Mavericks por 122 a 86 e foram eliminados nos playoffs – com a série fechando em improváveis 4 a 0.


Delays de informação à parte, cabe aqui uma merecida homenagem ao mito Phil Jackson. Poucos nomes no mundo do esporte foram tão vencedores quanto ele. Em quase 22 anos de carreia como técnico, o estrategista foi campeão em nada mais nada menos que 11 temporadas da NBA. Foram seis títulos com o Chicago Bulls (1991, 1992, 1993, 1996, 1997 e 1998) e cinco com os Lakers (2000, 2001, 2002, 2009 e 2010).



Phil Jackson é, sem sombra de dúvidas, um profissional realizado. Além de ser o treinador com mais títulos da NBA, ele perdeu só dez séries de playoff em toda sua carreira e é membro, desde 2007, do Hall da Fama.


Sua imagem ficará para sempre vinculada a dois monstros do basquete, Michael Jordan e Kobe Bryant, que, treinados por Phil Jackson, atingiram o auge em suas carreiras no Chicago Bulls e nos Lakers, respectivamente. "Eu cresci com ele", disse Bryant após a partida de domingo. "A minha maneira de ver as coisas, a maneira que eu penso, não só no basquete, mas na vida, em geral, vem dele. É um pouco estranho para mim pensar em como será no ano que vem", completou.


É verdade que Phil Jackson já anunciou sua aposentadoria uma vez e acabou voltando. Agora, porém, parece ser definitivo. Uma pena que tenha sido com uma derrota vexatória dos Lakers. Derrota que não mancha nem a borda de sua carreira vitoriosa. Na sua última coletiva de imprensa, seguro de seu papel fundamental para o basquete e para o esporte em geral, afirmou: “O Lakers vai sobreviver sem mim”.


sexta-feira, 13 de maio de 2011

Naufrágio Tricolor

Noite de tempestade no mar do Morumbi e enquanto a água entrava no barco, mais uma vez o comandante era colocado na prancha. Nada de novo. Depois que Rivaldo jogou no ventilador, a situação do técnico Paulo César Carpegiani ficou insustentável. Homem ao mar.

Enquanto o Carpa afoga, nomes importantes dentro do elenco são-paulino saem ilesos. Embora tenha falhado nos três gols, o ídolo Rogério Ceni não teve sua atuação contestada. Alex Silva, Dagoberto, Fernandinho, entre outros, tiveram tantas ou mais chances de mudar o rumo da nau tricolor, mas pouco fizeram.

Embora não tenha realizado nenhum grande trabalho desde a Copa do Mundo de 98, quando dirigiu o Paraguai, Carpegiani havia implementado uma nova maneira de jogar ao time. Uma equipe rejuvenescida, ofensiva e de futebol alegre, bem diferente do São Paulo que veio a ser tri-campeão brasileiro. Mas pelo jeito, o futebol pragmático de antes é que dava resultado. E como futebol é bola na rede e taça na mão, o comandante acabou naufragando nos mares havaianos.

Na maré das especulações, Cuca e Dorival Júnior, que disputam a final do Campeonato Mineiro, despontam como favoritos para assumir o leme. Nos dez dias de férias futebolísticas, os nomes de Paulo Autuori, Joel Santana e Ney Franco também devem ser levantados. Resta ao presidente Juvenal Juvêncio provar que depois da tempestade vem a bonança e contratar um bom técnico para o Brasileirão.

quarta-feira, 11 de maio de 2011

A Lucas dependência

Não é demérito para time algum render menos na ausência de um de seus principais jogadores. Mas, na minha modesta opinião, sem paixão clubística, o São Paulo fica um time totalmente sem sal quando o seu motorzinho, Lucas, está fora das quatro linhas. O Tricolor continua vencendo e produzindo chances de gol, mas perdeu o brilho e o encanto que o fez ser comparado ao Santos, considerado quase por unanimidade o melhor time brasileiro.

Lucas já atraía o olhar dos torcedores desde a temporada passada, entretanto, foi com a camisa da Seleção Brasileira, no Sul-Americano sub 20 que todos tiveram certeza do jogador diferenciado que ele é. Afinal, somente o Paulo Henrique Ganso foi capaz de ser parceiro de Neymar e tão protagonista quanto o craque santista. E Lucas fez isso. Me arrisco a dizer que o são-paulino se destacou até mais que Neymar na competição.

Sem sua joia, o São Paulo começou 2011 com o freio de mão puxado e conquistou 15 dos 24 pontos que disputou, o suficiente para ficar entre os primeiros do Paulistão. Ao voltar do Peru, Lucas deu mais do que resultados ao São Paulo (16 pontos de 18), trouxe também a alegria, o improviso, aproximou o meio-campo do ataque e animou o torcedor. Humilde e com os pés no chão, Lucas não se influenciou pelo estrelismo de Neymar, diferentemente do seu companheiro Casemiro, jogador talentoso, mas que peca por se achar um atleta pronto, lapidado.

Em pouco tempo, o Tricolor virou um time empolgante, atraente e candidato aos títulos que disputava. Acostumado com a rotina de jogar a Libertadores, os são-paulinos demoraram, mas entenderam que a Copa do Brasil vale bastante e é mais do que somente uma competição que dá vaga na Libertadores. O time do Morumbi esperava vencer a competição nacional, o Paulistão e, desta maneira, ganhar o rótulo de melhor time do país, assim como aconteceu com o Corinthians, em 2009, e com o Santos, em 2010. Sonho que foi por água abaixo com a derrota para o Santos - sem a presença de sua grande revelação.

Com a ausência do meia nas últimas cinco partidas, o São Paulo apresentou um futebol extremamente burocrático. Avançou na Copa do Brasil com duas atuações razoáveis contra o Goiás e deixou transparecer a "Lucas dependência". Apenas Dagoberto tem feito o torcedor sorrir, pois com a insistência nos três zagueiros, sistema utilizado desde 2004, e o baixo aproveitamento nas finalizações, o São Paulo deixou de agradar como antes.

Mas esta quinta-feira, diante do Avaí, na Ressacada, Lucas volta e, provavelmente, o bom futebol do São Paulo também. Ou ao menos é isso que esperam o técnico Paulo César Carpegiani e a torcida tricolor. Fernandinho e Rhodolfo também retornam à equipe titular. Os criticados Marlos e Xandão devem perder posição.

Utopia

O dia 27 de julho de 2012 ainda parece distante demais. O mais abobalhados acreditam que até lá o mundo não existirá mais. Eu, conscientemente, não faço parte deste time. Bom, a data citada representa o início dos Jogos Olímpicos de Londres, fato ainda pouco explorado nas rodas de botequins e nas capas dos periódicos. Claro que algum assunto aqui, outro acolá sempre é pautado, porém nada que inquiete os torcedores a já pensarem nos preparativos para este mega-evento. Apenas uma coisa já é prevísível: Já sabemos que nossas maiores torcidas serão dedicadas ao futebol, a natação (leia-se César Cielo) e, quem sabe, ao vôlei.

O presidente do COB (Comitê Olímpico Brasileiro), Carlos Arthur Nuzman, garantiu ao retornar de Pequim, em 2008, que o Brasil investiria em esportes menos visados, caso do Taekwondo, da Vela e por aí vai... Será que hoje, quase três anos depois, esta promessa está sendo colocada em prática? Será que grande parte do dinheiro arrecada nas loterias públicas do país não está sendo aproveitado como deveria? Não quero julgar, até porque este não é o nosso papel. Minha intenção é, sim, abrir uma discussão.

Em 2016 será a nossa vez de mostrar ao mundo o que de fato é o esporte brasileiro. A utopia é repetir o papel da China, que em 2008 bateu a potência chamada Estados Unidos, conquistou mais de 50 medalhas de ouro e ficou no topo geral. A nossa modesta 23° colocação deve ser melhor em Londres, mas o certo é que a distância ao ideal ainda é muito longa.



Amigos leitores, nada melhor que em um momento de incertezas como este ouvir quem é o mais beneficiado, ou prejudicado. Sendo assim, o Paixão Clubística entrevistou a velejadora Fernanda Oliveira, medalha de bronze em Pequim. O resultado é duramente desanimador.




P.C: Fernanda Oliveira é uma atleta mais conhecida após a participação nos Jogos Olímpicos de Pequim?

F.O: Acredito que para quem torce para a Vela, sim (risos). Na verdade não me preocupo muito com isso. Compito neste esporte porque me dá prazer e não vou ficar mais triste ou mais feliz se for reconhecida. Traz recolhimento do público, mas dos patrocinadores não muito.

P.C: Você e sua dupla (Ana Luiza Barbachan) têm algum tipo de patrocínio?

F.O: A situação está bem complicada, mas estamos buscando soluções. Existe a possibilidade de fecharmos com uma empresa de seguros. Recebemos também o apoio da Olympikus, mas não é muito.

P.C: Está competindo atualmente?

F.O: Sim, eu e a Ana (Luiza Barbachan) estamos participando da Copa do Mundo de Vela. Viajamos sempre para eventos fora do país, onde acontecem os circuitos da competição.

P.C: Há algum circuito no Brasil?

F.O: Ainda não. A grande maioria é na Europa, mas há exceções, caso da Miami. Acredito que em breve, já pensando nas Olimpíadas de 2016, teremos no Brasil também.

P.C: Existe um equilíbrio na disputa desta Copa do Mundo?

F.O: Aí volta a questão do patrocínio. Como medalhista olímpica, tenho apenas condição de viajar para competir. Os investimentos nos outros países são muito maiores, por isso só pensamos em competir. Vencer uma competição fica difícil.

P.C: O que falta para brigarem de igual para igual?

F.O: Falta material. O nosso barco hoje não é o ideal.

P.C: Falta pouco mais de um ano para as Olimpíadas e vocês ainda não têm o barco ideal?

F.O: Isso. Provavelmente teremos até lá (2012), mas será bem em cima da hora, o que não é o ideal. Temos que estudar o barco antes e entender o material. A vela exige muito treino. Um mês antes das Olimpíadas será apenas para os últimos ajustes.

P.C: Apesar de todas as adversidades, qual é a expectativa da dupla Fernanda Oliveira e Ana Luiza Barbachan para Londres?

F.O: Trabalhamos muito por etapas. Não penso ainda no resultado de Londres, até porque temos ainda muito que conquistar até lá. Vamos primeiro pensar nas eliminatórias.

terça-feira, 10 de maio de 2011

Pixinguinha, o chorinho e o primeiro grande título da Seleção Brasileira


Em 1919 um clima de euforia se fazia presente no Rio de Janeiro. O Brasil sediaria o Campeonato Sul-Americano daquele ano e brigaria pelo primeiro título de sua história após dois tropeços contra o Uruguai.


Para receber o torneio, foi construído o Estádio das Laranjeiras, atual sede do Fluminense. O clima da cidade atingia até os jornais do Rio, como podemos ler nesse fragmento excluído do jornal “A Rua” de maio de 1919. "Antes do campeonato, o football aqui já era uma doença: agora é uma grande epidemia, a coqueluche da cidade, de que ninguém escapa".


Brasil e Uruguai chegaram à final após duas vitórias sobre Argentina e Chile. No jogo que definiria o campeão, empate por 2 a 2. Outra partida foi marcada e após 90 minutos sem gols as equipes jogaram outros 30 minutos sem balançar as redes.


Não existia a disputa de pênaltis e, com as equipes desgastadas, o jogo teve mais 30 minutos. Logo aos três minutos Neco cruzou da direita, Heitor chutou e o goleiro uruguaio rebateu nos pés de Friedenreich que anotou o gol que deu a seleção o primeiro título de sua história e selou o jogo que ficou conhecido como a batalha sul-americana.


Inspirado pelo acontecimento que contribuiu, e muito, para que a paixão pelo futebol florescesse no brasileiro, Pixinguinha, mestre do choro, em parceria a Benedito Lacerda, deixou sua homenagem à conquista e compôs “1 x 0”.



Estudiosos do choro dizem que o ritmo acelerado da música e sua cadência rítmica refletem toda a correria e disputa da partida. Originalmente, a composição não apresenta letra. Ela foi escrita apenas em 1933 por Nelson Ângelo.



Na opinião do humilde escritor que apenas batuca em caixinhas de fósforo, a versão sem a letra é infinitamente mais bonita, porém, música é igual futebol, cada um a seu gosto.


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