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Tábua da Salvação tem base em M.Leite e Kleber |
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Exposição no Shopping Eldorado, em S. Paulo |
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Campanha medonha derruba Cuca do Cruzeiro |
Há quem diga que a maior rivalidade mundial de seleções é entre Brasil e Argentina. Todo o debate - por mais lunático que pareça - envolvendo Pelé e Maradona, e a grande quantidade de craques que brotam por metro quadrado nos dois países botam lenhas e mais lenhas para queimar nesta fogueira.
Desde garoto, gosto da frase que diz que o argentino odeia amar o brasileiro, enquanto o brasileiro, ama odiar o argentino. Faz tanto tempo que escutei que nem lembro quem falou. Mas é a pura verdade.
O clássico Brasil e Argentina faz parte do folclore do futebol. Mas rivalidade, história e admiração é uma coisa. Só que eu estou aqui para falar de outro papo. Vou falar do futebol que sangra, que joga grama pro alto, que tem cotovelada no peito, empurrão e xingamento. Este texto é sobre a guerra envolvendo Brasil e Uruguai.
O pega pra capar vem de longa data. Quando a Celeste Olímpica - apelido histórico da Seleção Uruguaia - entrou no Maracanã para estragar a nossa festa, muita água já tinha passado debaixo da ponte. Os confrontos sempre foram marcados pelo excesso de jogadas ríspidas, muita catimba e, diversas vezes, chegou às vias de fato. Um jogo histórico é este no Maracanã, em 1976, (veja o vídeo), quando Roberto Rivellino protagonizou cenas de pancadaria. Isso que era só um amistoso.
Tantos foram os capítulos desta rivalidade escritos por clubes dos dois países. Nesta quarta-feira teremos mais um. O Santos entra em campo louco para fazer com que o jogo não descambe para a violência, o que beneficiaria somente os uruguaios. Com um time técnico, o Peixe só tem a perder se o jogo ficar quente e físico. Neymar certamente será muito marcado e pode até ser alvo de um rodízio de faltas. Cabe ao garoto mostrar que tem sangue frio e partir para dentro dos zagueiros.
Para que sirva de inspiração para o Santos e para Neymar, coloco abaixo uma das maiores vitórias do nosso futebol em cima deles: Brasil x Uruguai, semifinal da Copa do Mundo de 1970, no México. No duelo, o Rei apresentou outro ingrediente do seu futebol, um pouco diferente das jogadas geniais. Reparem na cotovelada que ele acerta no zagueiro no segundo vídeo. O homem do apito ainda deu falta nele e cartão para o zagueiro. Essa é a malandragem do futebol brasileiro. Boa sorte ao Santos.
Lá pelos idos de 1993 eu já possuía uma certa quantidade de camisas do Corinthians. Não passavam de sete, mas eram maravilhosas, ficava em dúvida de qual usar. Elas ficavam na última gaveta do meu armário. Segundo minha mãe, a primeira gaveta era reservada às camisas novas, a segunda para as do cotidiano e, a última, àquelas que eu usava para acompanhar meu avô e meu pai ao futebol.
Depois do último texto para o Paixão Clubística, porém, aquele exaltando a formação musical dos vascaínos – dá uma lida aqui – voltei minha memória a essa última gaveta e lembrei que as duas únicas camisas que não eram alvinegras era uma da seleção brasileira e uma do Flamengo com o número 5 bordado às costas. Creio que fui a única criança de Piedade com uma camisa de clube com o número cinco. Afinal, a unanimidade sempre foi o 10, 9, 11, 7, quiçá o 8. Por sorte, isso nunca motivou o bullyng.
Ou seja, tenho uma simpatia por todos os clubes do Rio de Janeiro e isso me motivou a, mais uma vez, usar um clube carioca como tema. Ao receber esses dias o livro “Wilson Batista: Na corda bamba do samba” (Luís Pimentel e Luís Fernando Vieira; Editora Relume Dumará; 1996), senti raiva. É que nada me deixa mais com raiva que: milho, juiz folgado, chefe e injustiça. Necessariamente nessa ordem.
Vamos ao caso: Wilson Batista, malandro e sambista de primeira linha, aquele que travou um desafio com o gênio Noel Rosa, era flamenguista doente. E, por mais que o Vasco tenha compositores sensacionais que vestem a Cruz de Malta, nenhum clube foi mais homenageado em sambas que o Mengão.
Já citamos aqui no Paixão o “Samba Rubro-Negro”, composto por Wilson e regravado por João Nogueira. Mas hoje ouviremos outras duas pedradas compostas pelo Rapaz Folgado, como foi tachado por Noel.
A primeira é “Memórias de um Torcedor”, em parceria com Geraldo Gomes e gravada em 1946. Na interpretação a seguir, o samba é cantado por Cristina Buarque em gravação de 1995. Além da letra, vale a pena prestar atenção no acompanhamento feito pelo clarinete.
Abaixo, na interpretação de Marcos Sacramento, mais um revés do Flamengo. A parceria desta vez é do ano de 1942 com Antonio de Almeida e foi batizada de “E o Juiz Apitou”.
Acontece que, segundo os autores do livro já mencionado, durante as primeiras entrevistas para a obra, o C.R Flamengo foi consultado pelos escritores com o objetivo de pesquisar alguma homenagem feita pelo clube ao sambista que tanto homenageou o Rubro-Negro. A resposta, dada pelo diretor da secretaria, Arthur de Carvalho foi:
“Tenho mais de 30 anos de Flamengo e nunca ouvi nenhuma música desse compositor para o clube. Se alguém deve ser homenageado um dia pelo Flamengo, é o Lamartine Babo, que fez o hino do clube”.
Enfim, a atitude do cidadão que falou pelo clube não corresponde à de todos os torcedores. Mas, em tempos de pouco amor à camisa, o flamenguista deve exaltar aqueles que realmente amaram o clube e limpar essa injustiça cometida com Wilson. Como? Basta ouvir os seus sambas, espalhar essa história e deixar que a memória do malandro rubro-negro continue viva.
Para fechar a conta e passar a régua, deixo a homenagem do Paixão Clubística à memória de Wilson. O "Samba Rubro-Negro", desta vez, na voz de Carlinhos Vergueiro. Valeu e até a próxima!
A festa texana não tem hora para acabar. O primeiro título da história do Dallas Mavericks e cada gole de cerveja bebido na comemoração são um oferecimento do gigante chamado Dirk Nowitzk.
Nada foi capaz de segurar o alemão nas finais da NBA. Nem o trio de craques do Heat, tampouco a febre de 39 graus no quarto jogo fizeram a montanha gelada derreter. Nowitzk foi decisivo. Quando o jogo apertava, a bola rodava de mão em mão até chegar ao homem. Do alto dos seus 2,13 cm, Dirk flutuava em quadra e fazia chover. Longe de ser desajeitado, com uma precisão de poucos, o alemão fez o aro parecer grande na série decisiva.
Bem diferente de Dirk Nowitzk, considerado com sobras o jogador das finais, o astro Lebron James se apagou. Depois da primeira partida, Lebron decaiu jogo pós jogo. O primeiro sintoma foi o crescimento vertiginoso do parceiro Dwyane Wade – até aí beleza –, depois vieram a falta de pontos e do protagonismo. Com um volume menor de jogo, a bola passou a ficar pouco em suas mãos e quando ela chegava parecia queimar. Depois de largar os Cavalliers por conta da sede por uma conquista, o peso da responsabilidade começou a pesar. Ele parecia que precisava provar a cada bola, e provou. Provou com diversos erros infantis que ainda não está no patamar dos maiores da história.
Outro diferencial da Tropa do Alemão foi justamente o seu poder coletivo. Dallas tem dois armadores extremamente qualificados. J.J. Barea e Jason Kidd sabem colocar a bola debaixo do braço e dar ritmo ao jogo. Os raçudos Shaun Marion e Tyson Chandler brigam por cada lance, por cada palmo de quadra e são o termômetro do garrafão.
E por último, Jason Terry. Junto com Dirk, perdeu a outra final da franquia, cinco anos atrás, também contra o Miami. A vontade de comer o prato frio era tanta, que chegou a tatuar o troféu da NBA no braço antes mesmo da temporada começar, com a promessa de apagar caso não fosse campeão. Não será necessário. Irregular nos três primeiros jogos, o neguinho marrento não afinou e pontuou bastante nos últimos duelos. Na marcação, anulou James. No ataque, o repertório era maior: infiltrações, dribles, cestas de três e uma desenvoltura em quadra típica do basquete de rua.
Parabéns Dallas Mavericks, campeão da temporada 10/11.
No decorrer da última semana, clamei aos colaboradores do Paixão Clubística que torcessem incessantemente pelo nosso compatriota Junior do Santos, o Cigano, no UFC 131. Ele enfrentaria o americano Shane Carwin, outro peso pesado e, caso ganhasse, estaria cotado para enfrentar Cain Velásquez na disputa do cinturão da categoria.
Não foi à toa que joguei no lixo todas as lições do jornalismo ao escrever este primeiro parágrafo. UFC é show, espetáculo e muita emoção entra junto com o lutador no octógono. E pode ter certeza que a torcida brasileira entrou com o Cigano neste sábado. O atleta demonstrou muita maturidade e excelente preparo físico ao vencer Carwin na decisão unânime dos juízes e agora irá disputar o cinturão contra o casca-grossa Velásquez após chegar invicto à sétima vitória seguida no UFC.
Nesta noite, Cigano surgiu como a última esperança dos brasileiros. Demian Maia, pentacampeão mundial de Jiu-Jitsu e um dos grandes atletas brasileiros, vinha de duas vitórias seguidas após a derrota para Anderson Silva e entrou no octógono ao som de Cássia Eller interpretando Vida Bandida. A boa escolha da música de entrada não refletiu no seu desempenho no octógono. O brasileiro não conseguiu repetir suas últimas atuações e perdeu por decisão unânime dos juízes para Mark Munoz.
Já Diego Nunes, que preparou o octógono para a entrada de Cigano, fazia apenas sua segunda luta no UFC. Por isso, nada mal para o rapaz de 28 anos que representou bem o País diante do norte-americano Kenny Florian com um bom combate em pé no primeiro round. No entanto, Florian percebeu o ímpeto do brasileiro e nos rounds seguintes levou a luta para o chão, exercendo domínio. No fim, Diego ainda esboçou uma reação, mas foi insuficiente para lhe garantir a vitória.
Outro brasileiro a “por a cara a bater” fazia sua estreia no UFC. Vagner Rocha, além de enfrentar o experiente norte-americano Donald Serrano, também tinha contra ele uma luta interna que atinge 99% dos seres humanos: a ansiedade. Por isso, diante de tantos adversários, nosso compatriota não conseguiu impor o seu estilo de luta, demonstrando poucos recursos em pé e pouca eficácia para levar a luta ao chão e fazer valer sua faixa preta de jiu-jitsu.