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sábado, 19 de novembro de 2011

A bola fora de Michael Jordan e o Locaute



Por Luiz Felipe Fogaça

Quem é que não conhece e admira Michael Jordan? O melhor jogador de todos os tempos, o Pelé do basquete. Pois nessa semana, o ex-astro virou figura non-grata de muitos americanos, inclusive ex-jogadores. Foi dele a palavra final, que fez com que o locaute continuasse.

Vamos entender um pouco melhor. Imagine que o seu time é de uma única pessoa, pelo menos a parte majoritária dele. Cada time tem seu patrão, como são chamados por lá. O que aconteceria se todos os patrões resolvessem se desentender com todos os atletas? O locaute, a greve. Essa é a resposta.

Indo pouco mais além, pense que existem dois motivos para essa briga toda, o $$$ e a vaidade. Uma verdadeira guerra por dinheiro e vaidade. Donos e atletas brigam cada um do seu lado, por tetos salariais e principalmente a parcela da cota de TV. Isso mesmo, independente do lado, todos são ricos, mas podre de ricos e querem ainda mais.

Se atualmente os jogadores partilham entre si 57% da cota de TV, os mandatários queriam reduzir isso para 50%, o máximo aceito pelos atletas foi 53%. O acordo ia ser feito, mas MJ, agora dono do Charlotte Bobcats, representando os donos de time mais “humildes” rejeitou.

Quem perde com isso? Os fãs que não podem fazer uma das coisas que mais gosto no mundo, torcer, ir ao jogo, e trabalhadores, que vêem na NBA seu ganha pão - seja o funcionário do ginásio, ou o dono de restaurante ao lado, ponto de encontro tradicional quando tem jogo.

Enquanto isso, despreocupados, patrões tocam seus outros negócios e jogadores jogam em times menores, por salários menores ou simplesmente desfrutam de férias.

Sem temporada, pelo menos até o final do ano, resta aos fãs e trabalhadores, arrumarem outro esporte, ou outra forma de sustento. Uma vergonha senhores patrões e atletas.

quinta-feira, 9 de junho de 2011

O dia em que conheci Michael Jordan

Uma vez, no ano de 98 um menino apaixonado por futebol ligou a televisão. E, sem ter o que ver, sem uma bola a ser chutada de lá para cá e cansado de jogar videogame, dedicou poucos minutos de sua noite para ver a bola voar. Como todo bom boleiro e fã de Romário, não tinha intimidade com aqueles monstros com o dobro da altura do pequeno craque, à época, com a mania de meter gols, vários, para o time do menino.

Tão pequena quanto o ídolo, ficava a quadra na qual a bola ia de mão em mão. Deitado na cama, de frente para a televisão, o menino via dois números sem mesmo entender o que se passava: dois e três. Invertidos, dão o trinta e dois, que iam nas costas de um grandalhão absurdamente maior do que qualquer homem que o menino já vira. Anos mais tarde, já com mais idade, informações e gosto por basquete, soube que aquele era Karl Malone. O garrafão, para o ala-pivô do Utah Jazz, era home sweet home definitivamente. Ao lado do trinta e dois estava sempre um talzinho - pequeno que era perto dos outros: um americano chamado João, mais conhecido como Stockton. A bola ia dele para os outros voando, rápida e certeira. Armador, John pensava o jogo. Mas isso tudo o menino só soube mais tarde, anos mais tarde.

Do outro lado da quadra, os números dois e três não se invertiam. Ficavam em ordem e, unidos, formavam o vinte e três. Mas o menino, ainda com doze anos, não sabia claramente quem era o camisa vinte e três do Chicago Bulls. O que ele percebeu, já naquela noite, é que humano aquele sujeito não era. Negro de cem quilos, com um metro e noventa e oito centímetros de altura, vestido em vermelho e, às costas e em preto, os números dois e três. Espantava.

O relógio, com dois outros numerozinhos, o um e o zero, ditava a dramaticidade do fim do jogo. Era a final, entre Utah Jazz e Chicago Bulls, na temporada da NBA de 1998, no Delta Center, em Utah. Feito os dribles de Garrincha, que sempre corria para a direita, o último lance daquela partida terminaria com a bola indo das mãos do vinte e três do time vermelho para a cesta. Todos sabiam, os outros nove jogadores em quadra, os árbitros, a torcida sabia, que vibrava contra o monstro dos números irresistíveis: dois e três. Menos ele, o menino, que via tudo meio descrente, sem o interesse que a bola nos pés causa. Deitado, entediado.

Aí veio o momento. Bryon Russell, do Jazz, colou no E.T. de um metro e noventa e oito. Marcação homem-a-homem. "Defense, defense, defense"- gritava o Delta Center. A bola voou para as mãos do vinte e três de vermelho. Ele gingou feito Garrincha. Russell perdeu o equilíbrio, como um João, não o John, seu companheiro, mas como aqueles vários Joãos marcadores da bola nos pés. O vinte e três então arremessou, chutou, como um centroavante. O menino arregalou levemente os olhos ainda pensando: "O Romário podia fazer uns três no fim de semana, ia ser legal." Nessa viagem entre a bola que quica e a que rola, o Delta Center viu história. O menino também.

Foi assim, pensando em Romário, que conheci um marciano chamado Michael Jordan.

PS. Hoje à noite - outros tempos, com a camisa vinte e três do Bulls já devidamente aposentada -, jogam Miami Heat e Dallas Mavericks. Será o quinto jogo da série, que está empatada em dois a dois. Mais uma chance para nascer história. Tomara.
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