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terça-feira, 14 de maio de 2013

Os preteridos

Por Tuca Veiga
Muitas das escolhas de Felipão para a Copa das Confederações eram mais que barbadas. No entanto, como de costume, são as ausências na lista do Sr. Bigode que merecem uma análise. Por que Dedé, Ralf, Ramires, Ronaldinho, Kaká e Alexandre Pato estão fora da seleça?


Vamos começar de trás para frente. Dedé, desde a chegada de Felipão, perdeu espaço para Dante, que despontou no Bayern, foi chamado e agradou ao treinador nos amistosos. Dedé também não mostrou em 2013 o futebol de outrora, e passou a brigar por uma vaga com Réver, que vive grande fase no Atlético, e foi o escolhido.
Já o médio-volante Ralf tinha a seu favor a grande fase do Corinthians e a dupla afinada com Paulinho. Mas quando foi convocado por Felipão, jogou de maneira diferente da que atua no Timão, bateu cabeça com seu parceiro, não se achou em campo e acabou perdendo lugar para o jovem Fernando, que vem batendo um bolão e tem tudo para se firmar na meiuca do Brasil. Confesso que não entendi o motivo de Felipão colocar Ralf pela direita e Paulinho pela esquerda nos amistosos, ao contrário do que fazem no Corinthians. Me parece que ele queria que desse errado para justificar a escolha pelo futebol mostrado no amistoso.
O caso de Ramires é impar. É o único jogador deixado de fora por ter tomado uma atitude que desagradou ao comandante canarinho. Cortado dos amistosos da Seleção no começo do ano, o volante sequer visitou os companheiros na concentração em Londres, onde mora. Diferentemente de Ramires, o meia Lucas deu o bom exemplo e viajou de Paris para Londres apenas para prestigiar os amigos e mostrar fazer parte do grupo. Vacilou, Ramires!
Agora vamos ao setor que gerou o maior debate em tudo quanto é roda de bate-papo nos últimos tempos. Quem Felipão iria escolher: Ronaldinho ou Kaká? Não levou nenhum. Kaká ficou de fora por não conseguir dar sequência como titular no Real e por não ter mostrado muito nos amistosos com o técnico. Já Ronaldinho, apesar de desfilar habilidade e liderança com a camisa do Galo, foi deixado de lado pelo histórico de pouca efetividade com a camisa amarelinha. Acho que o técnico errou, pois Ronaldinho ajudaria a dividir o foco com Neymar, o que poderia ajudar no futebol da principal estrela de nosso escrete.
Pato é outro que sempre é candidato à vaga e invariavelmente fica de fora. Ainda sem se firmar como titular do Corinthians, perdeu a posição para Leandro Damião, que mostrou mais vontade e mais raça quando recebeu a sua oportunidade. A falta de luta de Pato é um dos problemas que cercam o jogador, que além de técnico é um goleador nato. É Pato, precisa ralar mais para conseguir seus objetivos. E não adianta deixar a barba crescer...
No mais é desejar boa sorte aos convocados e torcer para que o tempo de preparação e a disputa da Copa das Confederações sirvam para dar liga à nossa Seleção. Vamos, Brasil!!!

quarta-feira, 20 de março de 2013

Prévia da Copa das Confederações

Por Gabriel Duque

Após a derrota para a Inglaterra, a seleção vai apenas para o segundo jogo da nova Era Felipão. Mas já é o segundo clássico e uma preparação para o confronto entre Brasil e Itália na fase de grupos da Copa das Confederações deste ano. Os principais problemas para o treinador são os desfalques canarinhos, com as ausências de Ramires, Paulinho e Lucas.

Sem estes atletas - os dois volantes considerados titulares -, Luiz Felipe não terá sua força máxima e ainda irá enfrentar um adversário bastante entrosado, pois a Azzurra vem jogando com a base do time da Juventus. O meio-campo rival é formado pela equipe de Turim com Marchisio e Montolivo, atletas bons na marcação e na saída de jogo, e Pirlo, o maestro do selecionado. No ataque, vem o polêmico Balotelli, do Milan, e a outra vaga é disputada por El Shaarawy e Osvaldo.



Se a Itália tem a equipe praticamente escalada, o Brasil começa mais uma fase de testes. O primeiro treino teve a volta de dois marcadores no meio-campo, com Fernando e Luiz Gustavo, e Oscar na armação. Filipe Luis também ganhou uma chance na lateral-esquerda e o ataque foi trabalhado com Neymar, Hulk e Fred. Durante a atividade, Kaká entrou no lugar de Oscar, Marcelo foi acionado na ala esquerda e Hernanes atuou na vaga de Luiz Gustavo.

O único setor consolidado do Brasil é a zaga com Thiago Silva e David Luiz e o gol com a experiência de Julio Cesar. No entanto, mesmo recheado de testes e sem o entrosamento ideal, o time canarinho precisa mostrar resultado imediatamente contra a atual vice-campeã europeia. Além disso, há um tabu em jogo. A equipe verde-amarela não perde para a Azzurra desde o Mundial de 1982.

De lá para cá, foram cinco partidas com três vitórias brasileiras e dois empates, sendo uma igualdade na conquista do tetra na decisão da Copa de 1994. Com retrospecto recente favorável, a seleção comandada por Felipão entra em campo contra a Itália nesta quinta, às 16h30, em Genebra, na Suíça.

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

De pés descalços

Por Lucas Bueno


Começará no sábado, na África do Sul, o campeonato mais rico em cultura e diversidade que o mundo da bola nos proporciona, a Copa Africana de Nações (CAF). O torneio conta com dezesseis seleções e dará ao campeão uma vaga para disputar a Copa das Confederações em junho aqui no Brasil.

Além de toda as cores, ginga e musicalidade que os africanos exportam nessa competição, há um choque cultural entre as próprias seleções envolvidas no campeonato: os "europeizados" x "africanizados". 

A influência e importância dos europeus para a evolução do futebol africano é indiscutível. Os colonizadores ensinaram aos jogadores da Mama África o tático. Treinamentos, posicionamento, obediência e leitura de jogo, aliado à força e ginga, qualidades primitivas dos africanos, colocariam a África como uma potência mundial no esporte. Mas não!

Sim, a fome, a falta de investimentos são fatores que impedem o desenvolvimento do futebol africano. Mas os moldes europeus estão engessando a espontaneidade por lá. O "futebol moderno" está renunciando à alegria, desmanchando a fantasia e apagando a ousadia da África.


Zâmbia campeã da CAF em 2012

Seleções como Nigéria, Costa do Marfim e Gana, serão sempre candidatas ao título da CAF pela quantidade de atletas consagrados que têm na Europa. Porém, isso não lhes garante nada. A última Copa das Nações Africanas em 2012 teve como campeã a Zâmbia. Neste ano, os tradicionais camaroneses sequer se classificaram para o torneio. 

Então pergunto aos leitores: Qual foi a última revelação do futebol africano? Todos irão se lembram de: Eto`o, Drogba, Yayá Toure, Essien. Jogadores já experientes. E os novos?! Fiquemos atentos à competição continental que envolverá toda a África. Tunísia, Árgelia, Togo, Etiópia, Burkina Fasso, Congo, Níger, Mali, Cabo Verde, Marrocos, Angola... 

Nós gostamos de ser surpreendidos! Então que venham mais Camarões de 1990 com Roger Milla, mais Senegais de 2002 com Diouf. A África necessita resgatar a sua primitividade positiva. A ingenuidade, malemolência, improvisação e ousadia... Tirar as chuteiras europeias e jogar descalços. Sentir a terra entre os dedos e o barbante da costura da bola no peito dos pés.

sábado, 1 de dezembro de 2012

Seleção terá desafios de verdade em 2013

Por Gabriel Duque

Cair em um grupo com o Taiti não ia ajudar em nada no desenvolvimento da nova seleção brasileira, agora com Felipão no comando. Ainda bem que o sorteio cheio de gafes, com a estranha apresentação da bola Cafusa e com o chef Alex Atala atrapalhado arrumou uma chave complicada para a equipe nacional.

Jogar a primeira fase da Copa das Confederações contra a forte e tradicional Itália, o rápido e habilidoso Japão e o sempre complicado México será um grande desafio para o time canarinho se aprontar para o Mundial de 2014. Em apenas um torneio, o selecionado poderá enfrentar três estilos bem diferentes.

A Azzurra, atual vice-campeã europeia, se renovou, principalmente, no ataque com El Shaarawy e Balotelli de titulares, mas, contra o Brasil, vai apostar certamente em uma linha de quatro homens no meio-campo, privilegiando a defesa e o contragolpe.

O único lamento se dá pelo fato do técnico Cesare Prandelli já dizer que pode abrir mão de alguns atletas em detrimento da Eurocopa sub-21, competição simultânea à Copa das Confederações. O último encontro com a Itália ocorreu justamente na edição anterior do torneio pré-Mundial, em 2009, com vitória brasileira por 3 a 0, com dois gols de Luis Fabiano.

Os nipônicos, por sua vez, foram goleados pouco tempo atrás com a melhor formação encontrada por Mano Menezes à frente da seleção. O rival oriental tem uma geração de potencial, com Kagawa e Honda na armação e os velozes laterais Ushida e Nagatomo, porém deixa espaços em sua zaga, os quais poderão ser muito bem explorados por Neymar, Oscar e companhia.

Contudo a pedra no sapato parece ser mesmo o time mexicano, que já venceu a seleção verde-amarela duas vezes neste ano. Na final das Olimpíadas de Londres, Peralta aprontou para cima do Brasil e nos fez amargar novamente a prata. Já, em junho, Giovani dos Santos e Chicarito Hernandez balançaram as redes e nos derrotaram. Não tem sido fácil encaixar o jogo contra o México, um time compacto, seguro na defesa e perigoso no ataque.

Apesar de tudo, a seleção de Felipão é favorita para avançar de fase e pegar Espanha ou Uruguai na semifinal. E o título da Copa das Confederações pode ajudar a dar confiança ao jovem grupo, mas o fundamental é dar corpo ao time para 2014.
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