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sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Punição justa ao Timão?

Por Gabriel Duque

A tragédia de Oruro com a morte do jovem boliviano Kevin Douglas Beltrán Espada, de 14 anos, consternou o mundo e sua repercussão instantânea já resultou em punição da Conmebol para o Corinthians, que jogará suas partidas como mandante na Libertadores de 2013 com portões fechados. O clube pode apresentar recurso em até três dias, mas o mais sensato seria aceitar a sanção e não se omitir de sua parcela de culpa. Para coibir as atitudes de violência, tem que haver regras mais rígidas e penalizações aos clubes. Acabar com a impunidade é o caminho e seria exemplar se o Timão apenas concordasse com sua punição.

Não defendo que o time alvinegro tenha sido o responsável pela morte do menino e, com certeza, a maior responsabilidade disso tudo é da própria Conmebol. Pela sua falta de cuidado e zelo com a competição, pela falta de segurança que sempre imperou, pelo desleixo com as equipes que jogam fora de seus países. Numa tragédia como essa, há sempre uma caça às bruxas e a polícia boliviana, pressionada pela comoção popular, mantém presos 12 torcedores do clube paulista.

No entanto, uma sequência de erros de todas as partes acabou provocando o suposto acidente, afinal, se é proibida a entrada de sinalizadores em campo, o sujeito que leva o material já está cometendo um delito. A polícia, que deixa passar o sinalizador na revista, comete a sua falha também. Os outros torcedores, que veem o cidadão acendendo um foguete na arquibancada, também são coniventes. O time dono da casa que não dá segurança às pessoas no estádio também falhou. E o Corinthians, que é responsável pelos torcedores que viajam em seu nome a outro país, também tem seu deslize.

Todos erraram, mas o rapaz, dono do artefato, foi o primeiro a sumir depois do ocorrido. Enquanto 12 estão presos, o verdadeiro culpado está solto. Ele foi o causador da morte de um menino, cuja vida não voltará mais qualquer que seja a punição aos envolvidos no episódio. Que sirva de exemplo a todos os torcedores, de todas as torcidas, para fazermos do esporte um lugar de alegria e não de tragédias.

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Corintianos de luto



Por Tuca Veiga

É difícil para nós, torcedores que frequentam os estádios de futebol, recebermos uma notícia como a morte do boliviano, atingido por um artefato durante o jogo contra o Corinthians. Enquanto apura-se se o disparo foi feito acidentalmente ou de maneira proposital, penso em situações que já vivi e em como a vida é frágil e pouco valorizada.

Leio comentários de pessoas, no calor da emoção, tentando generalizar a torcida corintiana, falando que só tem pessoas de má índole, que tentamos vender uma imagem de algo que não somos e penso em algumas coisas...

Primeiro não entendo o motivo de alguém explorar um momento triste desses para diminuir o rival, para sugerir eliminação, para atacar uma instituição que a cada dia merece mais respeito e que está consternada com tudo que aconteceu.

No entanto, houve uma morte e, ao que tudo indica, a culpa é de alguns torcedores do Corinthians. Pessoas que devem ser responsabilizadas por seus atos, sejam eles de irresponsabilidade ou de selvageria. Pessoas que são corintianas como muitas outras, que viajaram para apoiar o time, mas que são também o Corinthians, como costumamos falar. Cada um de nós é uma parte do Corinthians. E temos que ser responsáveis por isso.

Campeão da América e do mundo, o Corinthians está no foco e parte desse destaque está, também, ligado à bela participação de sua torcida do outro lado do planeta. Por essas e outras, todos têm que pensar e muito no que fazem, no que querem passar para o mundo.

Sempre fui um cara que vai para o estádio para fazer festa. Para empurrar a equipe e para alimentar aquela sensação de ser uma torcida diferente. A minha intenção sempre foi colaborar para a construção deste Corinthians, da festa, da paixão, do bando que é louco, mas que é louco pelo Corinthians.

Por essas e outras, uma meia dúzia não tem o direito de manchar a imagem que construímos em 102 anos de história. Por tudo isso, cada torcedor precisa ter dentro de si a sensação de que ele faz parte do clube e deve zelar pela sua bandeira e sua imagem.

Chegar à Bolívia rotulado como Campeão do Mundo e sair aos gritos de "assassinos" é uma perda irreparável para o Sport Club Corinthians Paulista e para o futebol brasileiro como um todo.
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