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segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Mais um capítulo do tabu

Por Lucas Bueno

No majestoso, o rei do Brasil manteve a coroa e a freguesia continuou. São seis jogos seguidos que o tricolor é derrotado pelo rival no Pacamebu. Um jogo dominado totalmente por um Corinthians sóbrio, confiante. O alvi-negro já tem o time pronto, experiente e cascudo, com cara de campeão! Conversando com um amigo ele me disse: "é difícil derrotá-los em clássicos. Parecem o Manchester United". Pois é verdade. Na terra da rainha quero ver quem bate "os caras" nos jogos decisivos. Aqui, à brasileira, parece que a história está se construindo da mesma maneira para o Timão.

E novamente, o pequenino Jorge Henrique foi o cara do embate. Fez o que quis com os são-paulinos, assim como na última rodada do Brasileirão com os palmeirenses. Ele deu a assistência para o gol de ZZZZZ.. idanilo (que façamos justiça, na hora do "vamo vê" ele não foge não!), marcou, driblou, provocou, e como em todo Majestoso que se preze, fez de "bobo da corte" João Felipe que foi expulso da realeza por um pontapé de juvenil no corintiano.


E olha que não estávamos com Alex, Sheik e Liédson. O vareio iria ser como o do ano passado, dirão os corintianos nas rodas de debate e gozações por toda semana. Esse é o verdadeiro Paulistão. O que vale mesmo são os clássicos. O resto não empolga ninguém.

Já pelo lado tricolor, vejo uma Ferrari - não uma Red Bull - guiada por um Rubens. Um comandante que não é o mesmo faz tempo, ultrapassado e que não consegue largar o osso. Era notório, desde o início do jogo, que o lado direito da defesa sãopaulina era o ponto fraco do time. João Felipe, improvisado na lateral, que não compromete contra um Comercial, mas quando o bicho pega não dá. E Paulo Miranda, segundo jogo seguido com falha resultante em gol.

Do meio pra frente dois jogadores de alto nível por posição e lá atrás um único zagueiro tendo que jogar por dois ou três. Mencionei há três semanas num texto que escrevi pro Paixão, que os zagueiros contratados para esta temporada não inspiram confiança. Isso desequilibra e faz com que o time sofra contra equipes já formadas.

Já faz tempo não?!

Mas não é o fim do mundo, existem fatores a serem destacados. O São Paulo tem goleiro. Dênis mostrou no clássico que pode suprir a ausência de Ceni. E enfim, o time do Morumbi encontrou um lateral esquerdo. Duas carências que preocuparam para os torcedores neste começo de ano.

A conclusão desse clássico?? Início de temporada, claro, mas sem bairrismo: o melhor futebol do país é o Paulista. E mais... no Pacaembu o futuro campeão continental levou a melhor sobre o futuro campeão nacional.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Salários astronômicos ou trabalhos duradouros. Afinal, o que querem os técnicos brasileiros?

Por Arthur Quezada

Após o apito do árbitro Wilson Luiz Seneme, na 38ª rodada do Campeonato Brasileiro, que sagrou o Corinthians campeão, pudemos observar uma cena emocionante. No meio do gramado enquanto os jogadores comemoravam, o técnico Tite, empunhando uma bandeira do Timão, corria com lágrimas nos olhos em direção ao Tobogã do Pacaembu para comemorar fervorosamente o 1º Brasileiro de sua carreira.


Naquele momento, toda a desconfiança do torcedor corintiano quanto ao trabalho de Tite em 2011 havia acabado. Apesar de muitos não gostarem dos métodos do gaúcho, a imensa maioria cravou Tite como o técnico da Libertadores para 2012. Mas na contramão do título nacional, da consagração de um trabalho e da “continuabilidade”, o treinador não aceitou, no primeiro momento, a proposta de renovação contratual, e pior, por meio de seu empresário fez um pedido surreal de aumento salarial - que girava em torno de 700 mil reais.

É torcedor, não caia da cadeira!

A situação de renovação de Tite no Corinthians reflete um problema crônico no futebol brasileiro que vem piorando durante as últimas décadas. Obviamente, um técnico de futebol no Brasil não merece, e nem pode, ganhar um valor tão alto - mas como todos sabem isso acontece. Esse distúrbio salarial não é apenas culpa da ambição dos treinadores, mas é também reflexo das más gestões esportivas dos cartolas canarinhos.

O troca-troca de técnicos durante o ano é intenso, a situação dos treinadores no país é extremamente instável. Isso faz com que a pedida salarial dos treinadores seja alta na hora de acertar o contrato com os grandes clubes.

O Palmeiras, a pouco tempo atrás, apostou alto. Em um curto período de tempo, demitiu o técnico Antonio Carlos. Contratou Luxemburgo, que após a queda na Libertadores de 2009 foi demitido. Para o seu lugar, Muricy Ramalho foi contratado, mas a diretoria não bancou o treinador por muito tempo, e no mesmo ano o mandou embora após uma má sequência no Brasileirão. O resultado desta brincadeira foram três multas rescisórias altíssimas sendo pagas em 2010 para os treinadores que já não eram mais empregados do clube. Hoje Felipão, que ganha cerca de 700 mil mensais, balança no cargo...ou seja, o erro continua.

Outros casos poderiam ser lembrados. Mas o caso Tite revela que tanto o clube, quanto os treinadores, tem culpa nessa situação. Claro que o técnico precisa ser valorizado após um título Brasileiro, mas pedir um valor surreal e criar rusgas na relação com a direção do clube não é bom negócio para ambas as partes. Afinal, Andrés bancou Tite no comando do time quando a maioria dos corintianos pediu sua saída.

Hoje, dia 15 de dezembro, o presidente do Corinthians sinalizou que o técnico permanece no clube. Portanto, entre receber um salário astronômico e a possibilidade de realizar um trabalho duradouro, Tite parece ter escolhido a segunda opção. Melhor para ele, melhor para o clube e melhor para o futebol brasileiro!
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