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quinta-feira, 30 de junho de 2011

Itaquerão: dinheiro público e contradições


Terminou ontem (29/6) mais um capítulo da trama envolvendo o Itaquerão (é preciso um novo nome, urgente!) e a abertura da Copa do Mundo de 2014. Por ampla maioria (36 votos a 12), a Câmara Municipal de São Paulo aprovou, em primeira instância, o projeto que prevê incentivos fiscais de até R$ 420 milhões para que o futuro estádio do Corinthians receba o primeiro jogo do Mundial que será realizado aqui. Uma nova votação, esta definitiva, deve acontecer amanhã e, ao que tudo indica, não haverá problemas para a aprovação.

Antes de entrarmos na polêmica questão sobre uso de dinheiro público para obras privadas, analisemos algumas informações relevantes:

De acordo com o projeto, o Corinthians receberá Certificados de Incentivo de Desenvolvimento (CIDs) no valor de R$ 50 mil cada, válidos por dez anos. Por meio dos CIDs, o Corinthians poderá abater 60% do Imposto Sobre Serviços (ISS) e 50% do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU). O clube também pode transformar essa isenção em títulos e vender no mercado.

Os CIDs existem na legislação de São Paulo desde 2005, quando foram criados para o desenvolvimento da região da Luz. Na zona leste, onde está sendo construído o novo estádio, os CIDs existem desde 2007.

O secretário municipal de Desenvolvimento Econômico e Trabalho, Marcos Cintra, afirmou que a concessão de incentivos fiscais para a construção do estádio do Corinthians vai promover um incremento de R$ 30 bilhões ao longo dos próximos 15 anos na economia da cidade.

Segundo o presidente corinthiano, Andrés Sanchez, o incentivo é a garantia que a Fifa exige para oficializar a cidade de São Paulo como palco da abertura da Copa. A decisão da entidade vai ser tomada no final de julho e, como todos sabem, a única opção paulistana é o Itaquerão.

Pois bem, agora vamos aos calos:

Em primeiro lugar, preciso dizer que jamais confiarei na legalidade de um evento organizado pela Fifa. Motivos para isso não faltam, basta lembrar os escândalos que vieram à tona este ano envolvendo pagamentos de propina dentro da entidade. Para piorar, no meio da organização está a CBF de Ricardo Teixeira, que dispensa comentários. O Governo Federal, aliás, que se cuide. Não vou me surpreender com escândalos de superfaturamento nas obras.

Quanto ao incentivo fiscal que provavelmente será dado para a construção do Itaquerão, a questão é polêmica. Que tipo de desenvolvimento será gerado pela construção do estádio? Isto não está claro. Mais empregos, novos empreendimentos, valorização da região... é preciso um estádio para isso? E quanto escolas, hospitais e transporte?

O buraco, obviamente, é mais embaixo. Está no fato de que é extremamente contraditório realizar uma Copa do Mundo em um país em desenvolvimento. Foi assim na África do Sul. O país se vê em um momento de crescimento e figura no cenário global como nunca antes na história, e por isso toma para si o direito de receber um Mundial. Afinal, ficaremos em evidência, os investimentos vão se multiplicar... é o desenvolvimento!

Mas, infelizmente, a Fifa não tem nenhum comprometimento social com a realização da Copa. O lucro fica na mão da entidade e de seus patrocinadores. Seria burrice pensar que as famílias mais necessitadas terão benefícios com o evento. Assim como achar que o Mundial é para os brasileiros verem. Esta é a contradição. Realizar um evento bilionário em um país que ainda carece de outros serviços básicos. É claro que vão dizer: mas olha lá, os aeroportos vão ficar melhores. Precisa de Copa para isso?

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Peñarol e Santos nas lentes de Rafael Vitta

O Paixão Clubística abre agora um novo espaço e dá lugar para uma outra visão do esporte: sob o olhar dos fotógrafos.

Como são muitos os amigos que apreciam a arte da fotografia e a exercem como hobby ou profissão, o PC está aberto para que vocês exponham suas fotos. Sejam elas de arquibancada, na beira do gramado, quadra, piscina, um bate bola na praia, debaixo de chuva, iluminado pela luz de carro, sei lá, o que o horizonte e a critividade permitirem. Sintam-se em casa.



E para estrear, o amigo Rafael Vitta manda - com exclusividade para o Paixão - fotos da primeira final entre Peñarol e Santos, no Uruguai.

As primeiras já foram

Finalmente, após um bom tempo de preparação, o Brasil fez a sua estréia na Copa do Mundo de Futebol Feminino. Começamos bem, vencendo a forte seleção da Austrália por 1 a 0. Passamos sufoco, principalmente nos minutos finais. Normal. O nosso gol foi marcado pela lateral Rosana, que de pé esquerdo acertou um chute indefensável.

Marta, o centro das atenções deste Mundial, jogou bem. Com assistências inteligentes e chances de gols criadas, a camisa 10 da seleção teve uma atuação que pode ser considerada positiva. E é aí que está o grande problema.

Assim como no masculino, no futebol feminino sempre esperamos atuações memoráveis das grandes craques. Quando se fala em Marta então...

Entendam que isso não é uma crítica a Marta. E, sim, a cobrança de um torcedor que já a viu fazer coisas com as bolas nos pés que poucos homens têm a capacidade de ao menos tentar.

Nosso próximo adversário é a Noruega, que também venceu em sua estréia. A esperança é que, às 13h15 deste domingo, Marta volte a ser Marta.

terça-feira, 28 de junho de 2011

Neymar e a dura tarefa de superar Messi



Embora já goze de todo o prestígio da torcida, mídia e apreciadores do futebol, poucos questionam que Neymar ainda está um patamar abaixo de Messi. Talvez pela história do santista ter começado a ser escrita há menos tempo e, certamente, por tudo que o argentino tem feito com a camisa azul-grená do Barcelona.

A idéia inicial era intitular o texto como "Messi x Neymar" e desenvolvê-lo em cima do duelo. No entanto, é evidente que Lionel Messi é o melhor do mundo e o papo é quase favas contadas. Quase. O craque brasileiro terá ainda este ano duas oportunidades de superar as equipes lideradas por Messi: a Argentina, na Copa América, e o Barcelona, no Mundial de Clubes.

Duas partidas capazes de fazer o trabalhador bater o ponto mais cedo e correr para casa. Dentro das quatro linhas, o que há de melhor no futebol-arte, toda a magia de dois candidatos ao hall dos maiores de todos os tempos. Dois dribladores, cada um com seu estilo, um que gruda a bola no pé, o outro que troca de direção em extrema velocidade. Craques com imenso poder de decisão.

A verdade - e que o Cristiano Ronaldo não nos escute - é que Neymar e Messi têm tudo para virar o confronto de uma década. Os mais otimistas (e faço parte deste clube) têm a esperança de testemunhar jogos para entrar para a história. Partidas de Copa do Mundo, Champions League e de tantas outras disputas que eles vão se envolver.

Para isso, é importante que Neymar não se transfira para o Barcelona, por mais sedutora que pareça a ideia e a proposta. Se juntar ao principal adversário pode dificultar que Neymar supere o atual craque do planeta.

O Real Madri pinta como favorito na contratação e seria um bom time para que os jogos se tornassem mais freqüentes. No time merengue, porém, outros astros brasileiros foram boicotados, como Robinho e Kaká (mais recentemente) e Didi (na década de 50). Por isso, vejo o Manchester United como o lugar ideal. Nas mãos de Alex Ferguson, com Rooney como dupla de ataque, formando o ataque 'RooNeymar'.

E você, se fosse o Neymar, iria para qual time, independente de quando isso aconteça?

Tábua da Salvação: M. Leite põe Verdão entre os favoritos

A chegada de Maikon Leite ao Palmeiras coloca o time de Palestra Itália entre os favoritos à conquista do Brasileirão e da Copa Sul-Americana. Todo mundo já sabe que os dois torneios do segundo semestre são nivelados por baixo. Teremos um mês ainda pior agora, já que as equipes estão desfalcadas de seus principais jogadores (a maioria à serviço das seleções principais ou de base). Por isso, o Verdão, que faz campanha satisfatória até o momento, pode arrancar para a sua nona conquista do Nacional. No entanto, para isso vai precisar pontuar demais durante o período da Copa América.

A principal arma do Alviverde precisa (e tem que) ser Maikon Leite. O atacante era banco de Neymar no Santos. Nada mais natural. Afinal, estamos falando do terceiro melhor jogador do planeta (Neymar está atrás apenas de Lionel Messi e Cristiano Ronaldo). Tanto é que num passado recente o ex-santista decidiu jogos importantes a favor do time da Vila. Na campanha da Libertadores, precisando ganhar ou ganhar, o Peixe venceu o Cerro Porteño ainda na fase de grupos com bela atuação de Maikon Leite:


Tábua da Salvação tem base em M.Leite e Kleber
Com uma formação com Lincoln (ou Valdivia quando voltar da Copa América) centralizado, Luan pela esquerda, Maikon Leite pela direita e Kleber no comando de ataque, Luiz Felipe Scolari terá um sistema ofensivo de mão cheia para vencer tranquilamente jogos em casa e beliscar uma ou outra vitória atuando como visitante (veja a Tábua da Salvação do Verdão ao lado). Quem perde a vaga no time atual? Wellington Paulista. O camisa 9 vai ter que voltar a ficar como opção no banco de reservas.

Já conhecemos o vigor físico e a capacidade de marcação de Luan. Maikon Leite não precisa ter a mesma performance na defesa, mas vai precisar fazer sombra e, no mínimo, perturbar o lateral-esquerdo adversário. Cicinho dá conta do recado, mas não é tão eficiente na marcação. Por isso a ajuda do atacante vai ser fundamental. No ataque, Kleber é hoje o melhor da posição atuando no País. Basta Maikon Leite encostar nele que as jogadas sairão naturalmente. E, mesmo jogando em casa, a grande arma do Palmeiras será o contra-ataque.

Para cravar o Palestra como o campeão deste ano, o time precisa ainda de um zagueiro para o lugar do medonho Leandro Amaro.

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Bem longe de ser um fato atípico


Uma segunda-feira com cara de sábado de carnaval. Assim tem sido este 27 de julho para a Fiel Torcida. Vencer o maior rival (há quem diga ainda que este espaço pertença ao Palmeiras) do jeito que o Timão venceu foi uma sensação do mais puro êxtase. Uma vitória conquistada por alguns personagens, a começar por Andrés Sanchez.

Desde que mandatário alvinegro definiu que seu clube não jogaria mais no Morumbi o Timão fez do Pacaembu um local místico nos jogos contra o São Paulo. Atletas como Paulinho e Fábio Santos se tornam grandes craques. É inexplicável. Parece que o caminho para o gol se encurta. Vou mais além sobre as atitudes de Sanchez. Não me surpreenderia se todos soubéssemos que o elenco ganha um “bicho” extra por cada vitória sobre o tricolor.

Outros grandes personagens da goleada corintiana foram Danilo, Liédson e Tite (acreditem se quiser). O treinador do Timão parece ter, enfim, achado um posicionamento interessante para o primeiro citado. Já o camisa nove dispensa qualquer tipo de comentário, pois dentro da área é incrivelmente versátil.

Rogério Ceni se exaltou e, ao meu modo de ver, não merece ser criticado por isso. Assim como do lado corintiano, nenhum são-paulino quer ver sua equipe perder para o seu maior rival. Na hora da expulsão de Carlinhos Paraíba o Tricolor já era inferior e o capitão se sentiu no dever de mostra sua indignação. Quem não se altera quando está indignado que atire a primeira pedra.

"Foi um jogo atípico", é isso o que a maioria está dizendo. Balela (!), afinal, ver o Timão vencer o Tricolor tem sido algo muito comum, bem longe de ser um fato atípico.

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Dentro e fora dos gramados de Wimbledon

Por Matheus Caselato

Nesta segunda-feira, foi dada a largada para a 125ª edição do mais nobre dos torneios de tênis profissionais. Durante as próximas duas semanas, jogadores, técnicos, jornalistas e torcedores frequentarão o quase sagrado solo do All England Club, local onde é realizado o torneio de Wimbledon, terceiro Grand Slam da temporada.




Por mais que a competição britânica pareça uma anomalia do esporte, são eles quem mais preservam as tradições do tênis. Os homens não utilizam mais calças e casacos durantes as partidas e as mulher, há algum tempo, deixaram os longos vestidos de lado. As raquetes não são de madeira e o uso do chapéu não é mais obrigatório. Enfim, muita coisa mudou, mas o principal esta lá: a grama.




Sim, caros amigos apaixonados pela nobre arte do futebol, o tênis começou a ser jogado na grama. Algumas curiosidades de Wimbledon são bem conhecidas, como a obrigatoriedade do uso de roupas brancas, as toneladas de morangos que são consumidos todos os anos, as filas para se conseguir um ingresso e a rígida seleção dos meninos e meninas que pegarão as bolinhas durante a competição.




Mas, antes do Paixão Clubística se aprofundar mais nesse peculiar torneio, gostaria de contar a visão de um estrangeiro nos bastidores desse mundo. Durante o ano de 2009, por sorte consegui um emprego para trabalhar no torneio de Queen's, que acontece uma semana antes e serve como preparação para Wimbledon, e visitei a competição no mesmo ano.




As duas semanas de jogos acontecem durante os minguados dias de verão londrinos. E, acreditem quando eu digo, depois de tanto tempo vendo chuva e frio, algumas horas com 16 graus fazem sim muita diferença no seu humor.




Apesar de parecer elitizado, Wimbledon e o All England Club são vistos pelos britânicos durante essa época do ano como mais um parque, um ponto de encontro para os amigos. É comum ver pessoas passando o dia dentro do complexo (muito charmoso por sinal ). Mas há espaço para a paixão. As únicas quadras que exigem ingresso são a central, 1, 2 e 3, as outras todas (mais de vinte) tem livre acesso. Na minha visita tive a sorte de ver o Djokovic jogando na quadra 4 e o Nicholas Santos, brasileiro que venceu o torneio juvenil australiano.




O destaque sempre será a quadra central. Devido a enorme procura os organizadores instalaram um enorme telão na parte de fora da quadra, possibilitando que milhares de pessoas assistam as partidas. A parte aonde as pessoas ficam era conhecida por Tim Hill (uma alusão à Tim Henman), mas agora os ingleses a chamam de Murray Mountain, na esperança que o tabu de 46 anos sem ver um britânico campeão de Wimbledon enfim caia.




Em Queen's, tive a oportunidade de trabalhar no lounge dos jogadores, aquela área reservada para os atletas, seus técnicos e convidados. Por ser um lugar privado não consegui tirar muitas fotos. Ali é possível ver as personalidades de cada um. Lleyton Hewitt, por exemplo, é um excelente pai e seus filhos, todos loirinhos, bem conportados. Murray adora jogar pimbolin (e é muito bom). O gigante Ivo Karlovic come demais (quase torci o punho carregando o prato de macarrão dele). O americano Andy Roddick e sua mulher são muito simpáticos. Mas o que mais me chamou a atenção foi saber que a equipe da ATP é quase a mesma em todos os campeonatos, e os brasileiros são maioria. O que é de se estranhar já que os torneios nacionais são pequenos e os profissionais tão menosprezados.

quarta-feira, 22 de junho de 2011

O jogo de uma geração

Exposição no Shopping Eldorado, em S. Paulo
Por Michel Sousa, o Apaixonado Convidado da semana

O troféu que aparece aí junto com esse texto é o mais cobiçado pelos times da América do Sul. Ele será erguido por Santos ou Peñarol nessa quarta-feira no Pacaembu. Para o Peixe, ele significa o sucesso ou não de uma geração de craques, simbolizada por Neymar e Ganso.

Dois jovens que se tornaram promessas, conquistaram dois Campeonatos Paulistas e uma Copa do Brasil, alcançaram a seleção e são apontados por muitos como os possíveis salvadores da pátria na Copa do Mundo de 2014.

Mas ainda falta alguma coisa para Neymar e Ganso! Falta um título internacional! Uma conquista que dê respeito e reconhecimento em nível continental! Falta uma Libertadores que nem a geração Diego/Robinho conseguiu (derrota para o Boca Juniors em 2003). Falta a disputa de um título mundial, encarando o Barcelona de Messi, melhor time/jogador da atualidade!

A quarta-feira é o dia do tudo ou nada para a geração Neymar/Ganso! É hora dos “meninos da Vila” virarem gente grande, entrarem na vida adulta e provarem que podem, sim, ter o voto de confiança para a Copa.

Com eles, além de quase 40 mil torcedores, estará o espírito daquele Santos de quase 50 anos atrás, de Pelé, Coutinho, Pepe, Zito, Mengalvio e outros. Se tudo isso vai pesar ou não nos ombros dos jovens craques? Ao final dessa quarta-feira, saberemos...

Enquete: Cuca é o 1º treinador demitido no Brasileirão

Campanha medonha derruba Cuca do Cruzeiro
Os membros do Paixão Clubística se reuniram e pensaram em um tema para a enquete do início do Brasileirão. A dança das cadeiras dos técnicos foi o tópico escolhido. Após apenas quatro rodadas, como imaginamos, já tivemos a primeira vítima: Cuca, ex-treinador do Cruzeiro. E sabe o que é pior? Apesar da eliminação da Raposa para o fraco Once Caldas na Libertadores, não sugerimos o nome dele nas respostas.

Para a maioria dos leitores do Paixão, com mais de 50% dos votos, Paulo Cesar Carpegiani seria o primeiro a cair. Mas, com uma campanha irretocável, o gaúcho conseguiu se firmar no São Paulo. E sobrou mesmo pro Cuca. O treinador, com um elenco acima da média, não conseguiu mais do que três pontos em cinco jogos (são três empates).

Força, Papai Joel Santana! Que o barco celeste navegue por mares menos agitados e que a sua prancheta saiba o melhor caminho rumo às vitórias.

terça-feira, 21 de junho de 2011

AS CAPAS DO PC

1 – até novembro 2011:



foto de Rafael Luvizetto


2 – início em dezembro 2011:


foto de Guilherme Battistuzzo


3 – início em outubro 2012:


foto de Daniel Scandurra
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